quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Fé e esperança.

A seguinte história, é mais um episódio pelo qual passamos e será sempre lembrada como mais um ato de heroísmo do povo judeu, nos momentos mais obscuros da humanidade.

PRIMAVERA DE 1944, o horror do terror Nazista chegou ao norte da Transilvânia, incluindo a província de Marmurese e a cidade de Leordina. Os nazistas enfileiraram todos os judeus matando vários no processo, e deportando os remanescentes para o campo de morte infame de Auschwitz.

Yechezkel Klein, sua esposa, Devorah, e seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, estavam entre aqueles que foram cruelmente tirados de suas casas e vidas.  Os nazistas eram rudes na sua crueldade: a chegada em Auschwitz trazia a morte imediata para a jovem mãe e seus filhos, e um horror trágico para Yechezkel, um jovem de 28 anos de idade. Um chassid e um estudioso do Talmud, que sentava e estudava na Yeshivah de Sigit, suas mãos que estavam acostumadas a virar páginas dos textos clássicos da Torá dia e noite não sabiam nada do que era o trabalho pesado e manual.

Os alemães escolhiam os homens jovens e fortes para quebrá-los de tanto trabalho pesado. Yechezkel Klein teve que trabalhar numa pedreira quebrando pedras. Ele era forçado a trabalhar por horas sem fim com poucos farelos de pão para se alimentar.  Seu coração estava pesado com a perda de sua esposa e filhos.  Yechezkel, como muitos outros, trabalhava pesado, cumprindo ordens sem pensar, existindo apenas pelo instinto de sobrevivência.  E, no entanto, no meio de tantos horrores, ele se esforçou para cumprir as mitsvot, o máximo que podia, sabendo que cada dia poderia ser seu último.

Ele escondeu seus Tefilin bem e se levantava todos os dias cedo para colocá-los, rezando para D’us deixar a ele, e seus amigos, sobreviverem de algum modo a miséria que era constante naquele inferno.

Seus Tefilin, eram grandes e dificeis de esconder. Ele fazia o possivel.

Um dia, enquanto estava vestido com o Tefilin, um dos guardas nazistas irrompeu nos barracões.  Gritando ao ver um judeu envolvido com Tefilin. A besta nazista começou então a bater na cabeça de Yechezkel com o fundo de seu rifle, mais e mais, chutando e pisando no seu corpo estendido no chão.  Ele não parou até que o corpo de Yechezkel estivesse coberto de sangue e inconsciente no chão.  Milagrosamente, ele recuperou consciência algum tempo depois, no dia seguinte, percebendo o quão perto tinha estado de partir desse mundo, e sabendo que tinha que achar um modo melhor de esconder seus Tefilin,

Cada dia trazia mais mortes em Auschwitz, seja pela brutalidade dos nazistas, por doença ou fome, ou pelo sofrimento dos corações e corpos quebrados. Uma dessas mortes deixou um par de Tefilin menores e bem mais fáceis de esconder. Deixando de lado toda a ligação sentimental com seus Tefilin que tinha desde o seu bar-mitsvah Yechezkel os trocou pelos Tefilin daquele mártir de Auschwitz.

JANEIRO DE 1945 trouxe o avanço das tropas russas.  Os comandantes de Auschwitz apressaram a matança de quantos mais pudessem, mandando mais de 58 mil prisioneiros para as marchas da morte. Nos últimos dias de Janeiro os russos liberaram Auschwitz encontrando 600 corpos que os nazistas tinham matado nos seus esforços frenéticos ao evacuar o campo na sua retirada.

Também encontraram 7.650 prisioneiros sobreviventes, doentes e famintos. Desses, os russos pegaram todos os que trabalharam no campo, os consideraram conspiradores com o inimigo e os mandaram para a Siberia como prisioneiros de guerra, junto com oficiais e soldados alemães que ficaram para trás.

Yechezkel Klein estava entre os injustiçados. Fraco, quebrado, ele ficou preso junto com outros 200 judeus, prisioneiros do exército russo.

Na viagem até a Siberia as condições eram as piores possiveis. Num dia, um soldado nazista caiu na neve fervendo de febre. Sedento de água naquele estado, ele implorou para as pessoas ao seu lado que lhe dessem um pouco de água. Todos sabiam que com essa doença, beber água traria uma morte rápida e dolorosa.  Cheio de amargor e sem esperança com sua própria situação, Yechezkel pegou neve e deu para o soldado caído. “Que ele tenha o que quer e morra”, ele pensou.

Logo depois o soldado realmente morreu.

Chegando na Siberia no meio do inverno terrível, Yechezkel continuou colocando os Tefilin mesmo naquele momentos turbulentos.

NUMA MANHÃ, PERTO DO FIM DE 1946, enquanto Yechezkel estava envolvido nos seus Tefilin, com seus olhos fechados, rezando de coração, ele de repente ouviu o estrondo de botas pesadas no chão ecoando pelos corredores vazios daquele prédio deserto.  Não tinha onde se esconder ou para onde fugir. O som aumentava até que Yechezkel resolveu fechar os olhos e rezar com todo o seu coração, lágrimas escorreram de seus olhos, as palavras do Shemá Yisrael sairam de seus lábios antecipando o momento final tão certo.

O tempo parou, o silêncio era absoluto, Yechezkel mantinha seus olhos apertados e fechados, esperando pelo tiro.

O que ele sentiu foi um tapinha na sua bochecha.  ”Shhhh… não vou te machucar.  Você ficará bem.”

Ele ouviu as palavras suaves em russo, e pensou que deveria estar sonhando. Ele abriu seus olhos e se viu face-a-face com um oficial russo.

O oficial lhe olhava com um sorriso nos lábios e lágrimas nos seus olhos.  Percebendo que o oficial deveria ser também judeu, Yechezkel começou a chorar agora incontrolavelmente.  O oficial também chorou, dizendo que se recordava de seu avô de pé colocando seus Tefilin e rezando.

“Diga-me, o que posso fazer para te ajudar meu irmão,” o oficial implorou.

“Você pode nos ajudar a nos libertar? Nós somos 18 judeus no total, que ainda sobrevivemos dos 200 que foram tirados de Auschwitz há quase um ano.  Só queremos voltar para nossas casas e viver algum tipo de vida.

Você pode nos ajudar?” Perguntou com esperanças, Yechezkel.

Ele prometeu fazer o possivel e duas semanas depois Yechezkel Kein e outros 18 judeus que sobreviveram foram libertados da Sibéria temível.  Fracos mas vivos chegaram até suas casas para reconstruir suas vidas das cinzas da tragédia.

Yechezkel Kelin foi para Leordina onde casou com sua segunda esposa, Leah.  Juntos foram para Israel. Sua filha Chaya Beila nasceu em Chipre no caminho de Israel. Seu filho Moshe já na terra prometida, onde Yechezkel passou todo momento que tinha imerso nos livros sagrados da Torá.

Yechezkel teve o mérito e prazer de ver seus filhos crescerem e se casarem, embora sua saúde nunca tenha se recuperado. Infelizmente ele não viu todos os seus 18 netos nascerem. Ele faleceu no dia 2 de Tevet 5745 (1984).

Hoje, graças a D’us, vários dos seus netos e bisnetos carregam orgulhosamente o seu nome, de um judeu simples, mas sagrado.  Com a bençao de HaShem que possam ser muitos mais,

18 netos, 18 que foram salvos… façam a matemática

Fonte: TorahMail

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ruach Hakodesh.

22, de Junho de 2017.

Ruach Hakodesh, Espírito de D'us na Tradição Judaica.
"...e o meu espírito permanecerá entre vós...." Tomarei os termos usados que fazem referência ao Espírito de D'us e o modo como que a literatura judaica os interpreta. Meu "estudo-analise" é  uma exposição de alguns dos aspectos da visão judaica sobre o "Espírito", evitando estabelecer uma relação ou usar critérios que são próprios do cristianismo, sobre o Ruach Hakodesh (Espírito Santo). Para isso, terei por base citações da Torá (Pentateuco) e dos comentários rabínicos da Escritura, anterior à destruição do Templo (ano 70) e posterior, até a Idade Média. 
O termo "espírito" assume na fé e literatura  judaica diversos sentidos, variando com o texto e com o sentido  de seus autores. Mesmo que a tradição judaica interprete a Torá como uma obra unitária, sem emendas, as interpretações feitas pelos mestres permitem-nos compreender o desenvolvimento do termo "espírito" no decorrer da história do povo judeu até os dias atuais. Tais interpretações e sentidos, mesmo feitos há mais de dez séculos, revelam a sua atualidade e permanência da Palavra judaica. No Tanah (Antigo Testamento) e nos escritos rabínicos, o termo Ruach haKodesh, Espírito Santo (ou Espírito de D'us), foi pouco usado. Usou-se mais o termo ruach, vento, sopro, hálito, fazendo referência ao dom da vida, como um indicativo da origem divina da vida. Outro termo usado é Bat Kol, Filha da Voz, ou apenas Kol, a Voz, isto é, a Voz de D'us. E também Shechiná, Divina Presença. Este termo foi usado, possivelmente, pela primeira vez, no Targum (tradução) de Onkelos. Na literatura rabínica substituiu as formas antropomórficas da Escritura que expressavam a presença ou a "interferência" de D'us. Logo no princípio da Torá, aparece o termo ruach no sentido de "vento"e "espírito". O conceito religioso judaico de ruach está relacionado com o "hálito", hálito de D'us. D'us enche o universo com o seu hálito de vida, assim, todas as criaturas ganharam vida a partir da vontade do Criador. Ele é fonte de toda a vida. Entre as criaturas e Criador há uma relação de dependência e profunda intimidade: Então Hashem, D'us modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente Bereshit ( Gn )2:7. 
Desta narrativa muitos são os ensinamentos rabínicos. Tomemos aqui três deles:  D'us criou o primeiro homem, o homem original (Adam Kadmon) do pó da terra. Para isso Ele pegou pó dos quatro cantos da terra, estabelecendo assim, a universalidade do ser humano.
Num outro comentário, D'us, ao moldar o homem, usou terra tirada do local onde seria mais tarde construído o altar do Templo. Com isto pode-se deduzir o caráter de santidade atribuído ao homem, conceito que se reforçou com a destruição do Templo, daí podem os rabinos afirmar que a destruição do ser humano é comparável à destruição do Templo, tal o grau de santidade atribuído a ele. Com a inexistência do altar, os sacrifícios passaram à própria vida individual e comunitária do povo judeu. 
D'us modelou do pó da terra e insuflou em suas narinas, ora, para insuflar precisou o Criador curvar-se e soprar nas narinas o hálito da vida, isto acusa uma intimidade única com o homem, aquele que recebeu, de um modo especial, o precioso dom da vida, relação: Foi o espírito de D'us que me fez, e o sopro de El Shaddai que me animou. Iov (Jo) 33:4. O "pó da terra" e o "hálito" , estes dois elementos em equilíbrio são constitutivos da natureza humana: matéria e espírito. Assim, o homem não está limitado às coisas inferiores e efêmeras (terrenas), mas também está destinado à coisas superiores, à eternidade. As interpretações judaicas que indicam a universalidade, a santidade e a imortalidade do ser humano, apontam também para a superação das barreiras formais da religião, raça, cultura; aludem para um tempo além, a era messiânica. O espírito santificador, unificador, e que estará presente na redenção. O vento  D-us, soprou do Leste, no deserto, permitindo a fuga dos o hebreus do Egito: ... E Hashem, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez o mar se retirar. Shemot (Ex) 14;21. Este vento foi capaz de operar milagres, de alterar a ordem natural das coisas, o vento fez da providência divina algo audível e visível. É o mesmo ruach que pairou sobre as águas, que soprou na história do dilúvio: ...D'us fez passar um vento sobre a terra e as águas baixaram. Bereshit (Gn) 8:1. No comentário de Rashi, este vento é o "espírito de consolação" que afasta o sofrimento, liberta os cativos, e restitui a natureza. É possível então, interpretar a libertação do Egito como uma "nova criação", agora não mais uma criação individual, mas coletiva, é a criação de um povo. Aos hebreus cativos foi lhes restituída a vida. O homem anulado pela escravidão está em estado semelhante ao pó da terra, "inanimado", semelhante ao morto; mas o ruach, hálito vivificador, dá ânimo, vida. Essa vida nova, "soprada" na libertação do Egito encontra sentido na intimidade e no compromisso da Aliança.
No relato bíblico da Revelação no Sinai, a Palavra entra em cena num cenário de força e mistério. A narrativa conduz todos os olhares para o Monte Sagrado. Afinal, é o momento da Revelação, único na história de Israel. A Palavra é a presença de D'us, a voz divina a falar ao povo que estava ao pé do Sinai. Com a Palavra tem início uma relação eterna entre D'us e Israel. Surge, então, um verbo que é fundamental na vida judaica: Shemá, ouve. Um imperativo divino que antecede toda Palavra que sai da boca de D'us. Mesmo que o verbo não esteja escrito, é necessário que cada judeu "ouça". Disso depende a vida de Israel, uma vida que foi moldada pela Palavra Criadora, e que todo judeu reconhece. Daí a autoridade da Torá (Pentateuco), dos Profetas, dos Mestres; todos pronunciaram, viveram e ensinaram a Palavra. As interpretações rabínicas do acontecimento no Sinai apontam tanto para o privilégio da escolha de Israel como para o caráter universal da Revelação. As palavras no Sinai foram pronunciadas a toda humanidade, como disse Rabi Yohanan: "A voz partia e dividia-se em setenta vozes, em setenta línguas, para que todos os povos ouvissem-na". Mas a voz era ambivalente, dava vida a uns e matava a outros. Um paradoxo? A voz, espírito divino, é capaz de dar a vida e também matar? Esse trato é dado ao espírito no Antigo Testamento. Assim como D'us é fonte de vida, conseqüentemente, aquele que dele se afasta, que vai para longe de seu "sopro vital" acaba morrendo. Este morre sufocado pelo distanciamento de D'us e pela fatal opção por outros deuses. Não é possível haver vida longe de D'us, uma idéia que tão é judaica quanto cristã. O Espírito/Palavra de D'us é verdade e vida, longe: onde não há verdade, também não há possibilidade de existência. "... o meu espírito está sobre ti e as minhas palavras que pus na tua boca não se afastarão dela, nem da dos teus filhos...".(Yeshayahu Is.59:21).
Os profetas "abriam a boca e falavam" a Palavra de D'us, da Torá. Diferentemente de Moisés, aprendiam a Palavra através dos anjos, de sonhos, mas nunca a captavam diretamente de D'us. Isto só coube a Moisés. Eles não falavam quando tinham vontade, mas somente quando, em estado de concentração, vibrantes ou em profunda solidão, eram capazes de profetizar. Conforme os ensinamentos judaicos Moisés foi o único a falar com D'us face face, boca a boca. Só a ele D'us falou sem enigmas. Isto não diminui o poder da Palavra, ao contrário, reforça a sua autenticidade e originalidade que, quando dita pelos profetas, dá a possibilidade do mesmo Espírito falar nas diversas condições da existência humana, de se fazer presente na história de Israel através dos ensinamento de seus mestres. 
Os autores das escrituras  ao se referirem ao Espírito, à Divina Presença à atuação de D'us... expressaram-se muitas das vezes, com termos antropomórficos. Esses termos foram substituídos pelos rabinos a partir do período do segundo Templo, que em seus ensinamentos, passaram a usar Shechiná que, longe do antropomorfismo, determinava a presença de D'us no meio do povo de Israel. O termo Espírito Santo é uma expressão adotada pelos cristãos que aparece nos escritos anteriores à ruptura entre o cristianismo e o judaísmo. Shechiná, então, substituindo Espírito Santo cristão, passou a significar a Presença Divina no meio do povo judeu. A existência de dois termos, um cristão e outro judaico, indicam uma interpretação exclusivista, que deu origem a uma "apropriação" por uma parte, e conseqüente "desapropriação" da outra, isto é, numa interpretação cristã, o Espírito, por castigo, estava afastado dos judeus e somente presente entre aqueles que aceitaram a "nova" Aliança. Da parte judaica, a Shechiná, passava, com ela, uma expressão da perenidade da Aliança com Israel. Tal exclusivismo foi alimento para uma história trágica entre os dois credos. A palavra Shechiná significa literalmente "habitar", deriva do verbo shachan, habitar. O uso do termo significa que "D'us habita no meio do povo". A Shechiná habitava o Templo de Jerusalém, centro da vida nacional, da identidade religiosa do povo judeu; era o coração que pulsava e aninava a todo Israel. Como o hálito divino  em Adão, ânima, assim era o Espírito no corpo da comunidade. No texto bíblico, D'us manifesta o desejo de "habitar", de permanecer entre os filhos de Israel: Faze-me um santuário, para que eu possa habitar no meio deles (Ex 25:8).
Portanto, Shechiná não é um termo indicativo de uma simples presença, mais do que isso, a sua presença está condicionada a uma intimidade mútua que reflete o caráter da Aliança, "um matrimônio", entre D'us, que deseja estar no meio dos filhos de Israel, e Israel que deseja a Sua presença. Os tanaítas apresentaram o termo Shechiná em referência à manifestação do Senhor e à sua proximidade ao homem: Pois Hashem teu D'us anda pelo acampamento para te proteger e para entregar-te os inimigos Devarim (Dt 23:15); Porei no vosso íntimo o meu espírito e fareis com que andeis nos meus estatutos e guardeis as minhas normas e as pratiqueis (Ez 36:27); Habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o seu D'us
 (Ex 29:45); A Shechiná refere-se especialmente a "habitação", uma presença ativa de D'us entre israel, na Terra de Israel e no Templo de Jerusalém. Sobre Shwmot
 (Ex 29:42), Rashi faz o seguinte comentário: DE CONTINUIDADE (CONTÍNUO). De dia em dia, não haverá uma interrupção de um dia entre eles. ME ENCONTRAREI CONVOSCO. Quando eu fixar um prazo para falar a ti. Ali fixarei para vir (Shechiná)...o Divino, abençoado seja Ele falava com Moisés desde que foi erguido do Tabernáculo.... O Tabernáculo, futuro Templo em Jerusalém, é comparado ao salão real onde o rei dirige sua palavra aos súditos. E ME ENCONTRAREI LÁ (Ex 29:43) Me encontrarei com eles com fala, como um rei que fixa um lugar de encontro para falar com os seus servos lá. No deserto D'us falava com Moisés, mais tarde, em Jerusalém a voz divina vem através da Torá ensinada pelos Profetas e Mestres, conforme está escrito:... de Sion há de sair a Lei, e de Jerusalém, a Palavra de Hashem yeshayahu
(Isaias 2:3) O Targum Jonathan, sobre o (Ex 29:43), faz um paralelo com (Lev 10:3), trata a Divina Presença como aquela que santifica aquele que dela se aproxima12. Mas, nem todos os estudiosos e comentaristas judeus concordaram com a afirmação de que a Shechiná significa a presença de D'us. Para Iehuda Halevi e Maiomônides ela é uma criação divina que não pode ser identificada com D-us. Já para Nachmanides a Shechiná é um substituto do nome divino usado em contexto especial para determinar a sua proximidade com o homem. Gershon Scholem sustenta que, após um exame de todas as passagens da Escritura referentes a Shechiná, ela não é um atributo divino como poderia sugerir algumas interpretações, também não é hipostasia e não tem existência separada da Divindade. 
O judaísmo não admite qualquer sugestão que possa gerar interpretações dualistas. Shechiná é o termo para designar a presença de daquele que é um. A destruição do Templo no ano 70 da era cristã, marca o exílio da Shechiná ( Shechiná b'Galuta) ou, D'us apartado de Israel. Os Profetas trataram desse afastamento: sempre que há pecado, há sofrimento, há o afastamento da Shechiná, ausência de D'us. A "ausência de D'us" é uma noção criada no momento em que o judaísmo deveria passar por uma transformação radical, longe da Terra de Israel e de Jerusalém, sofreria um areestruturação tanto em sua organização formal quanto na sua teologia. Há escritos em que se atribui a destruição do Templo, e conseqüente afastamento da Shechiná, aos pecados cometidos pelos filhos de Israel. Esta "ausência" explicou também os outros trágicos momento da vida do povo judeu, como à insuportável vida na Idade Média, nos Progons e na Shoá (Holocausto). R. Isaac b. Samuel disse em nome de Rab: A noite tenha três vigílias, e em cada vigília o Santo Único, bendito seja Ele, senta-se e ruge como um leão dizendo: Ai dos filhos, por causa de seus pecados Eu destruí minha casa e queimei meu Templo e os exilei entre as nações do mundo.Neste pequeno texto do Talmud há um detalhe importante: Ai dos filhos, ora, esse "ai" é um lamento, uma dor que também pertence a D'us. Assim como os filhos sofrem a ausência do pai, também o pai sofre por estar ausente. Conforme lemos anteriormente, D'us quer, e faz questão de ser presença em Israel. Então, a Shechiná não se manifesta após a destruição do Templo? Rabi Akiva, século II d.C., oferece uma resposta para esta questão. Ele disse que D'us não se afastou de Israel no exílio após a destruição do Templo. D'us estava igualmente exilado e dividindo com Israel o seu sofrimento. Outros escritores que confirmam esta mesma idéia: Zavdi ben Levi abriu: D'us instala o solitário numa casa Tehilim (Sl 68:7). Tu verificas que Israel, até ser libertado do Egito, morava de um lado e Shechiná, do outro. Quando Israel foi libertado, tornaram-se um só. E, desde que condenada ao exílio, a Shechiná ficou de novo de seu lado e Israel do seu, como foi escrito: Os rebeldes permanecem no solo árido (Tehilim Sl 68:7). Por isso está esxcrito: Como está sentada solitária? Então, mesmo na "ausência", há a presença da Shechiná em Israel. A solidão e o sofrimento são sentimentos mútuos. Rabbi Abbahu interpretando o salmo 13:6; "Meu coração exulte com a tua salvação"disse: "...Nós seremos redimidos juntos". O sofrimento mútuo abrirá as portas da redenção para D'us e Israel. A noção de "prêmio e castigo" que foi sugerida como explicação do conseqüente sofrimento de Israel não é condizente com a experiência religiosa judaica de um D'us amoroso, cheio de misericórdia e compaixão, não se enquadra dentro daquilo que a Escritura hebraica testemunba. D'us não abandona a Aliança feita com os Patriarcas, reiterada no Sinai. Ele, através de Sua Divina Presença, a Shechiná, permanece sempre a té a realização definitiva do projeto de salvação. E, no exílio, onde poderia estar Shechiná? Não há um lugar. Após a destruição do Templo o "lugar", a noção de lugar determinado não existe. Há um "lugar", uma atividade especial, segundo a Mishná, que é o estudo, a oração. Estes são os "locais" da presença divina. Onde estiverem pessoas reunidas, ocupando-se com as palavras da Torá, lá estará a Shechiná. A Torá é compreendida como agente pelo qual se torna possível a imanência de D'us. Através dela D'us está próximo, seu amor é realizável e a comunhão com Ele é possível. Enquanto Israel mantiver sua unidade, um só povo, unido pela consciência de ser povo eleito do D'us, que, por sua vez escolheu livremente ao D'us Único, que se mantém em torno de valores da tradição fundamental na Torá e no Talmud, sempre terá em seu meio a presença unificadora da Shechiná. A permanência histórica da comunidade judaica é, com certeza, a prova de que o espírito consolador, referido por Rashi, é também o espírito da permanência, da unidade, do sustento. Toda tragédia e infâmia experimentada pelo povo judeu não foi o suficiente para derrotar a confiança inabalável de Israel na fiel Presença. O Ruach, hálito divino e fonte da vida, a Torá, Palavra revelada, ouvida, guardada, meditada, transmitida, foi e é o novo "lugar" da presença íntima, solidária do D'us que não se cansa, nem se arrepende de caminhar com os filhos de Israel.

Fonte: Luiz Gomes Hohenzoller.
Palestra dada no auditório menor da ARI,
 Rio de Janeiro 22/06/2017.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Shavuot

Shavuot é o segundo dos três maiores Dias Festivos (Pêssach é o primeiro e Sucot o terceiro), e vem exatamente cinqüenta dias após Pêssach. A Torá foi outorgada por D'us ao povo judeu no Monte Sinai há mais de três mil e trezentos anos. Todos os anos, neste dia, renovamos nossa aceitação do presente de D'us.

A palavra Shavuot significa "semanas": assinala a compleição das sete semanas entre Pêssach e Shavuot (o período do ômer), durante o qual o povo judeu preparou-se para a Outorga da Torá. Durante este tempo, purificou-se das cicatrizes da escravidão e tornou-se uma nação sagrada, pronta a entrar em uma aliança eterna com D'us, com a Outorga da Torá.

Shavuot também significa "juramentos". Com a Outorga da Torá, o povo judeu e D'us trocaram juramentos, formando um pacto duradouro de não abandonar um ao outro.

Os Dez Mandamentos
עשרת הדיברות
Quando se menciona Assêret Hadibrot, mais comumente conhecida como os Dez Mandamentos, algumas pessoas possuem uma falsa impressão de que existem Dez Mandamentos que foram separados como sendo os mais importantes da Torá. Mas na verdade a tradução correta de Assêret Hadibrot é "Dez Falas" ou "Dez Ditos", sendo que estes são dez princípios que incluem toda a Torá e seus 613 preceitos, inclusive estes dez.

 As próprias letras de Assêret Hadibrot demonstram este fato. Os Dez Mandamentos são escritos com 620 letras significando que D-us deu no Sinai os Dez Mandamentos que abrangem os 613 preceitos e as sete Leis de Nôach; 613 com 7 somam 620.

 É interessante notar que a soma dos números 6, 1 e 3, de 613 totaliza dez (Mandamentos), mostrando também que as 613 mitsvot incluem os Dez Mandamentos.

 1. Eu sou o Senhor, teu D-us, que te libertou da terra do Egito, da casa da servidão.

 2. Não terás outros deuses diante de minha presença. Não farás para ti imagem esculpida, nem nada semelhante ao que há nos céus acima, ou na terra embaixo, ou na água debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem os servirás; pois Eu Sou o Senhor, teu D-us – um D-us zeloso, que visita as iniqüidades dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que aborrecem. Mas mostrarei bondade para centrenas de gerações àqueles que Me amarem e cumprirem Meus mandamentos.

 3. Não jurarás pelo nome do Senhor teu D-us em juramento vão; pois D-us não absolverá ninguém que use Seu nome em vão.

4. Lembra-te do dia de Shabat, para o santificá-lo. Por seis dias deverás trabalhar e cumprir todas tuas tarefas, mas o sétimo dia é Shabat de teu D-us; não deves fazer nenhum trabalho – tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal, e o peregrino que estiver dentro de teus portões – pois em seis dias D-us fez os céus, a terra, o mar e tudo que neles está, e Ele descansou no sétimo dia. Por isso abençoou o dia de Shabat, e o santificou.

5. Honrarás teu pai e tua mãe, para se prolonguem teus dias sobre a terra.

6. Não matarás.

 7. Não adulterarás.

 8. Não furtarás.

 9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, e seu servo, e sua serva, e seu boi, e seu asno, e tudo que seja teu próximo.

Fonte: pt.chabad.org

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tefilat HaShelá

Fonte: Compartilhei do senhor Átila Drelich.

Reza dos pais para véspera de Rosh Chodesh Sivan
Hoje, (25/05) – véspera de Rosh Chodesh Sivan* – costuma-se pronunciar esta oração composta pelo Grande Mestre Rabí Yeshaiau HaLevi Horovitz – o Shelá HaKadosh – que deve ser pronunciado pelos pais em favor e mérito de seus filhos.
  Os comentaristas explicam que esta é uma data propícia, pois coincide com o yortsait – data de falecimento de Chaná z”l – de quem aprendemos os principais princípios da oração quando ela foi rezar por um filho e foi atendida por D‑us dando à luz ao profeta Samuel.

* Esta oração pode ser feita a qualquer hora.


Reza dos pais para véspera de Rosh Chodesh Sivan

     Nós temos a obrigação de rezar e de pedir a D'us todas as nossas necessidades porque tudo provém Dele. Por isso, é bom que a pessoa, para qualquer coisa que necessite, em qualquer momento e a qualquer hora, acostume-se a recitar uma reza pequena para depositar a sua carga em D'us e, antes de fazer o que necessite, recite: "Pela Unicidade do Santo, bendito seja Ele, e Sua Divindade. Senhor do Universo! Faz com que o meu caminho tenha êxito, pois tudo provém de Ti". E sobre tudo, a pessoa deve ser diligente na sua reza para ter uma descendência sempre reta e também para que D'us provenha a essa descendência de todas as suas necessidades e de um parceiro. E o meu coração me diz que um momento de graça para recitar esta prece e na véspera de Rosh Chodesh Sivan porque é o mês no qual a Torá foi entregue e, neste momento, fomos chamados de "os filhos do Eterno, o nosso D'us': É apropriado que o marido e a sua esposa jejuem neste dia, despertem o arrependimento e verifiquem que temas da casa, no aspecto religioso, devem ser reparados. Também devem dar caridade a pobres honestos e, se for possível, o marido deve jejuar cumprindo todas as leis de jejum público.

    TU ÉS O ETERNO, o nosso D'us, desde antes de teres criado o Mundo. Tu és o nosso D'us desde que criaste o mundo e Tu serás o nosso D'us sempre. Tu criaste o Teu mundo para que seja conhecida a Tua Divindade através da Tua sagrada Torá, como expressaram os nossos Sábios, de bendita memória, que Tu criaste o mundo pela Tua Torá e pelo povo de Israel, pois eles são o Teu povo e a herança que escolheste dentre todas as nações. Tu lhes entregaste a Tua sagrada Torá e aproximaste-nos do Teu Grande Nome. E para que o mundo exista e a Torá seja observada, recebemos de Ti., Eterno, nosso D'us, dois mandamentos. Escreveste na Tua Torá: "Frutificai-vos e multiplicai-vos" e também "e as ensinarão a seus filhos." E o propósito de ambas é o mesmo, pois Tu não criaste o mundo para que ele estivesse vazio. Ao contrário, para que ele seja habitado e pela Tua honra Tu o criaste, o moldaste e o aperfeiçoaste - para que nós, os nossos descendentes e todos os descendentes do povo de Israel sejamos conhecedores do Teu nome e estudiosos da Tua Torá.

    Portanto, dirijo-me a Ti, ó Eterno, Rei dos reis e derramo a minha súplica diante de Ti. Os meus olhos estarão postos em Ti até que me agracies e escutes a minha prece e me concedas filhos e filhas. E que se frutifiquem e se multipliquem eles e os seus filhos e os filhos dos seus filhos até o final de todas as gerações, com a finalidade de que eles e todos nós nos dediquemos à Tua Torá sagrada para aprender e para ensinar, para observar, para realizar e para cumprir todas as palavras dos ensinamentos da Tua Torá com amor, ilumina os nossos olhos com a Tua Torá e faz com que o nosso coração se apegue às Tuas mitzvot para amar e reverenciar o Teu Nome.
    Nosso Pai, Pai Misericordioso! Concede a todos nós uma vida longa e abençoada. Quem é como Tu, Pai Misericordioso, Que Se lembra das suas criaturas para a vida com misericórdia! Recorda-nos para a vida eterna, como rezou o nosso patriarca Avraham: "Se eu vivesse somente diante de Ti..." e os nossos Sábios interpretaram como "com reverência por Ti".
   Portanto, venho pedir e suplicar diante de Ti que a minha descendência e a descendência da minha descendência seja para sempre reta, e que nunca encontres em mim, na minha descendência ou na descendência da minha descendência nenhum defeito ou imperfeição, mas sim paz e verdade, bondade e retidão nos olhos de D'us e nos olhos do homem. Que os meus filhos sejam letrados em Torá, letrados em Escrituras, letrados em Mishná, letrados em Talmud, letrados em Kabalá, abundantes em mitzvot, abundantes em benevolência, abundantes em boas qualidades, e que Te sirvam com amor e com temor interno - e não com temor superficial. Provê com dignidade a cada um deles as suas necessidades e brinda-os com saúde, honra e força. Concede-lhes boa presença, beleza, graça e favor. E que haja amor, fraternidade e paz entre eles. Faz com que eles encontrem parceiros dignos, provenientes de famílias de estudantes de Torá, de famílias de justos; e que os seus pares sejam como eles, como tudo o que eu solicitei a respeito dos meus filhos, pois uma só petição basta para uns e outros.
    Tu, Eterno, conheces tudo o que está oculto, e diante de Ti são revelados os segredos do meu coração. Pois a minha intenção em tudo isto é para o Teu grande e sagrado Nome e para a Tua sagrada Torá. Por esta razão, responde-me, ó Eterno, responde-me, pelos sagrados patriarcas Avraham, Itzchak e Iaacov. Por causa deles, salva aos filhos, para que os ramos se pareçam com as suas raízes. Por David, Teu servo, que é a quarta roda da Tua Carroça, e que canta com inspiração Divina:

    Shir Lamaalot. Feliz é aquele que teme ao Eterno, aquele que anda pelos Seus caminhos. Se comeres do esforço das tuas mãos, serás feliz e será bom para ti. A tua esposa será como um vinhedo frutífero nos recantos do teu lar. Os teus filhos serão como brotos de oliva ao redor da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme o Eterno. Que o Eterno te bendiga de Tzion, e que vejas o bem de Jerusalém todos os dias da tua vida. E que vejas os filhos dos teus filhos, paz sobre o povo de Israel.

     Por favor, Eterno, Que escuta as preces! Que em mim se cumpra o versículo: "E Eu, este é o Meu pacto com eles', disse o Eterno: 'O Meu espírito que se está sobre ti e as Minhas palavras que pus na tua boca, não serão retiradas da tua boca, nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência - disse o Eterno - desde agora e para sempre:" Que sejam recebidas as palavras da minha boca e os pensamentos do meu coração diante de Ti, Eterno, meu Feitor e meu Redentor.

Traduzido por Rab. Motl Malowany
Compartilhado de meu amigo Daniel Enkin
יד

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Aparentemente feliz.

Muitas pessoas erroneamente pensam que ser famoso as  fará automaticamente feliz.

A felicidade depende do que se passa em sua mente e não o que acontece "lá fora". Portanto, se você está pensando pensamentos negativos, procurando defeitos em outros, reclamando e coisas parecidas, você vai ficar triste, mesmo se todo mundo está falando sobre o quão grande você é. Por outro lado, se você pensar pensamentos positivos, você vai se sentir bem, mesmo que ninguém lhe dá honra.

A felicidade depende de seus pensamentos e não do que as outras pessoas dizem sobre você, a menos que você diga a si mesmo que não pode ser feliz sem a aprovação e honra dos outros. Mas quando tal é o caso, o principal problema não é que outros não lhe dão honra, mas que você diga a si mesmo que é horrível que outras pessoas não lhe dão a honra que você exige arbitrariamente.

Baseado nos livros de Rabino Zelig Pliskin.

Rabino Reuven Segal

Compaixão

Este me fez chorar.

Certa vez, um carneiro que era levado para o matadouro escapou e se escondeu debaixo das vestes de Rabbi Yehuda, que exclamou: Vá, pois foste criado para isso.
Então, uma voz vinda dos céus sentenciou: "Já que não tem compaixão por minhas criaturas, também não haverá para ti." Desde aquele dia, seu corpo se cobriu de chagas.
Certo dia, sua empregada estava limpando a casa e em um canto encontrou a cria de uma doninha. A mulher já estava disposta a varrer o filhote, quando escutou a voz de Rabbi Yehuda dizer: Pobrezinho, deixe-o ficar.
Então, escutou-se uma voz vinda dos céus: Tú tens compaixão por minhas criaturas e, por isso, mereces a mesma compaixão. Desde aquele dia se curou por completo.
(Tratado Bava Metzía)
Atila Drelich.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Na Última Fila.

Em uma reunião de vizinhos, os Rabinos se sentaram na primeira fila. Rabbi Nachum ben Itzchak, chegou uns minutos mais tarde e se sentou na última fila. Um dos Rabinos ao vê-lo, chamou-lhe para que se sentasse ao lado deles, uma vez que uma pessoa como ele não deveria se sentar ali.
Rabbi Nachum respondeu:
Agradeço o convite, seria uma grande honra sentar-me com vocês, porém, estou contente com este lugar. Depois de tudo, ainda não aprendeste que não é o lugar que proporciona honra a pessoa, mas que é a pessoa que confere honra ao lugar?
Desta maneira, Rabbi Nachum ratificava o que requeria: A humildade é o que afirma a grandeza.
(Tratado Taanit 7a)
Atila Drelich

terça-feira, 18 de abril de 2017

O orgulho


"David foi ao barbeiro para cortar o cabelo, como sempre fazia todo mês. Ele começou a conversar com o barbeiro sobre vários assuntos. A conversa então tomou um rumo mais espiritual e eles começaram a falar sobre D'us. Enquanto David era uma pessoa de imensa Emuná (fé) em D'us, o barbeiro era um ateu convicto. O barbeiro disse:

- Eu não preciso deste seu D'us para nada. Através do meu esforço eu consigo garantir meu sustento e manter minha família e minha saúde. Além disso, eu não acredito que seu D'us realmente exista. Você só precisa sair na rua para ver que D'us não existe. Se D'us existisse, você acha que haveria tantas pessoas doentes? Haveria crianças abandonadas? Haveria dor e sofrimento? Eu não consigo imaginar um D'us que permite todas essas coisas.

David não quis dar imediatamente uma resposta, para evitar uma discussão mais acalorada. Quando o barbeiro terminou o corte e David se preparava para sair, passou na rua um homem com barba e cabelos longos. Ele tinha uma aparência péssima, parecia que não cortava o cabelo ou fazia a barba há um bom tempo. Então David disse ao barbeiro:

- Sabe de uma coisa, acho que são os barbeiros que não existem.

- Como assim os barbeiros não existem? - perguntou o barbeiro - Eu estou aqui e sou um barbeiro!!!

- Não! - afirmou David - Os barbeiros não existem, porque se existissem, não haveria pessoas com barba e cabelos tão longos como aquele homem que está andando ali na rua. Veja, que homem de aparência horrível! Se os barbeiros existissem, eles permitiriam uma pessoa andar pela rua desta maneira?

- Que argumento mais tolo - disse o barbeiro para David - é óbvio que barbeiros existem, mas há pessoas não procuram os barbeiros. Isto é uma opção delas. Se a pessoa quer ficar com a aparência desleixada como este jovem que passou na rua, isto é uma escolha dela, não tem nada a ver com a existência dos barbeiros.

- Que seus ouvidos escutem o que diz a sua boca! - respondeu David - Suas palavras são a resposta ao seu questionamento. D'us existe, mas há muitas pessoas não O procuram, por opção delas. Pessoas como você, que acham que tem tudo na vida por seu próprio esforço e mérito. E é justamente por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo.
 Fonte: Blog do Rav Efraim Birbojm