terça-feira, 13 de março de 2012

O Que é Chamêts..


Antes de começarmos a falar de Pêssach, é fundamental saber o que é um alimento denominado "Chamêts", já que durante os oito dias da festa, a lei judaica proíbe seu consumo ou possessão.
Chamêts é qualquer comida ou bebida feita à base de trigo, centeio, cevada, aveia ou espelta, ou de seus derivados, mesmo que em quantidade mínima, que é fermentado. A única exceção é a matsá, que é o pão não fermentado, pois foram tomadas precauções especiais para assá-la. Entretanto, mesmo matsot para as quais não foram tomados cuidados estritamente minuciosos (para evitar o início do processo de fermentação) serão consideradas chamêts.
Alimentos que durante o ano inteiro foram verificados, e se enquadram dentro das rigorosas leis da dieta judaica, cashrut, não são necessariamente também permitidos para Pêssach. Requerem preparação especial e só podem ser consumidos durante os oito dias da festa se contiverem em sua embalagem o selo "Casher para Pêssach" emitido por um rabino ortodoxo.


O Significado do Chamêts.

 

Os judeus estão terminantemente proibidos de ingerir quaisquer alimentos fermentados em Pêssach. O pão é substituído pela matsá – pães chatos feitos apenas de farinha e água. Judeus de todo o mundo tomam um cuidado especial para não comer nem mesmo a mais ínfima partícula de chamêts.
A característica da massa fermentada (chamêts) é que cresce e incha, simbolizando orgulho e ostentação. Por outro lado, a matsá é fina e plana, sugerindo submissão e humildade. Pêssach nos ensina que chamêts – arrogância – é a própria antítese do ideal da Torá.
Quando um homem arrogante é confrontado com a obrigação de cumprir uma mitsvá que demande uma dose de auto-sacrifício (por exemplo, caridade, que envolve compartilhar suas posses com os menos afortunados), ele evita cumprir sua obrigação. Argumenta: "Na verdade tenho o direito a ter mais do que possuo atualmente, portanto, por que deveria doar parte disso?"
Além do mais, o egoísmo da pessoa arrogante priva-a de sua capacidade de discernir o valor de seu próximo e ele conclui presunçosamente que o outro está bem abaixo de seu nível. Segundo esta lógica, a causa da pobreza do próximo é prontamente entendida: "Aquele mendigo certamente não merece nada melhor!" "Ora" – pensa consigo mesmo – "se D’us considera correto que este homem seja pobre, por que deveria eu interferir e ajudá-lo?"
Tal raciocínio egoísta leva a pessoa orgulhosa a praticar mais e mais o mal. Então, jamais perceberá a maldade de suas ações e se arrependerá delas. Pois mesmo quando é obrigado a concordar que seus atos são impróprios, encontra várias justificativas "além de seu controle" que prevalecem sobre ele para agir da maneira que o fez.
Além disso, mesmo quando não pode encontrar nenhuma desculpa para satisfazer sua consciência, não obstante, "o amor próprio encobre todas as transgressões." Ele pode ser um rancoroso malfeitor que não consegue inventar, mesmo no auge de sua imaginação, qualquer linha de raciocínio para justificar seu comportamento, pois o amor próprio cega seus olhos e encobre sua atitude.
O homem humilde, por outro lado, toma a atitude exatamente oposta, seja com respeito ao cumprimento de mitsvot, seja quanto a seu arrependimento de atos incorretos no passado.
Usando a mitsvá de tsedacá (justiça) uma vez mais como exemplo: o homem humilde compara-se com seu próximo judeu à luz adequada. Pensa consigo mesmo: "Sou realmente melhor do que ele? Mereço melhor sorte?" Esta análise, feita objetivamente, leva-o a simpatizar com o próximo e a prestar-lhe ajuda.

Além disso, quando a pessoa despretensiosa age erradamente, não tenta justificar seu comportamento incorreto. Pelo contrário, sua sincera auto-análise o estimula a fazer teshuvá, a arrepender-se honestamente de suas ações inadequadas.
A cada ano, em Pêssach, somos ordenados pela Torá a livrarmo-nos de todos os traços de chamêts. Devemos procurar descartar cada partícula do "chamêts espiritual" – a arrogância – para que sejamos capazes de perceber claramente nossas próprias falhas e as boas qualidades de nosso próximo.


Receita para o Sucesso.

Por Rabi Shlomo Freundlich.
 
O Talmud (Tratado Berachot 17a) relata que o grande sábio Rabi Alexander acrescentava a suas preces diárias as seguintes palavras de súplica: "Mestre do mundo, está claramente revelado a Ti que nosso desejo é concordar com a vontade Divina. Entretanto, é o fermento na massa que nos impede de fazê-lo."
Nossos sábios usam de forma críptica a metáfora de "fermento na massa" para caracterizar a má inclinação dentro de nós. Que quer dizer este conceito de chamêts que nos impede de encontrar a espiritualidade?
Rabi Chaim Friedlander explica que a fermentação da massa é basicamente um processo natural. Adicionar fermento ou outros agentes de levedura simplesmente apressa a transformação química. Quando farinha e água são misturadas e uma determinada quantidade de tempo passa naturalmente, uma alteração química ocorrerá, tornando a mistura chamêts. O processo de fermentação foi colocado em movimento simplesmente permitindo-se que a natureza seguisse seu curso nesta mistura. Por outro lado, a matsá, embora seja composta de ingredientes idênticos, é produzida por intervenção humana. É um processo apressado, que atinge seu objetivo através de manipulação cuidadosa e estritamente supervisionada dos ingredientes, dentro de um período de tempo específico. Nossa iniciativa e criatividade, não o decorrer natural do tempo, produz o resultado desejado.
Chamêts, portanto, é simbólico de teva, natureza. A noção de que a natureza governa nossa existência e nos impele vida afora é antiética a um judeu de Torá. Ao contrário, a matsá sugere uma força Divina acima e além do curso natural dos eventos que subjugam a natureza à sua vontade, e produz um resultado desejado para facilitar o plano Divino para o homem.
O Zohar relata que, quando o povo judeu deixou o Egito, confundiu-se quanto a determinados pontos da fé. Hashem exclamou que eles deveriam tomar seu remédio e sua incerteza espiritual desapareceria. A medicina era a matsá, e ao comê-la os Filhos de Israel ficaram curados de sua moléstia espiritual.

Ao comer matsá no sêder deste Pêssach, ao invés de se concentrar em quão pesada e dura é, por que não prestar atenção na mensagem da matsá que insiste para reafirmarmos que Hashem dirige todos os eventos da vida, e que nossas ações têm impacto na maneira como Ele se relaciona conosco. A natureza não determina nosso destino – isso é feito por nosso comprometimento com a Torá e as mitsvot.


Jejum dos Primogênitos. 

Vespera de Pêssach.

Quando D'us matou os primogênitos do Egito, poupou o primogênito dos filhos de Israel. Em gratidão a D'us, todos os primogênitos jejuam no dia que antecede Pêssach. Entretanto, para se isentarem do jejum, um primogênito de pai ou mãe deve participar de um siyum (término do estudo de um tratado do Talmud) na sinagoga, imediatamente após Shacharit, a Prece da Manhã.
É costume que o pai (mesmo não sendo primogênito) esteja presente junto ao filho primogênito menor de treze anos. Os primogênitos não podem comer antes do siyum.


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