sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Alimentos Kasher.

A culinária tem um papel bastante importante na cultura de um povo. E não é diferente com o povo judeu. Obrigado a mudar constantemente de lugar devido às inúmeras perseguições, a culinária, transmitida de geração em geração preserva as raízes deste povo milenar. Sem perder sua identidade, os judeus passaram a adaptar a sua comida ao país em que viviam, daí a variedade de pratos, muitos deles identificados com as culturas árabe, européia e latina, proveniente de judeus de descendência asquenazi, os oriundos do Leste Europeu e os sefaradi, originários da Península Ibérica que após a expulsão dos judeus daquela região se estabeleceram no norte da África.
Uma das características mais importantes da cozinha judaica é a observância rigorosa às leis dietéticas do kashrut - leis referentes aos hábitos alimentícios dos judeus. O alimento kasher significa apropriado para o consumo de acordo com as leis religiosas e sob supervisão rabínica. Essas leis tornaram-se um fator de união dos judeus, lembrando-os sempre de suas origens. Além dos significados simbólicos de alguns alimentos que são servidos em festas religiosas da tradição judaica, uma das leis mais rigorosas do kashrut é quanto o abate do animal. Segundo o judaísmo o abate deve ser feito por pessoa especialmente preparada para isso e de maneira indolor. Para isso o 'shochet', nome dado à pessoa instruída para este fim deve usar uma lâmina bem afiada e o corte certeiro para que a morte seja instantânea e todo o sangue do animal deve ser retirado. Segundo a Torá - o nosso livro sagrado - a ingestão de sangue é proibida, pois o sangue é símbolo da vida, é sinal de que o corpo vive. Porém, não é todo judeu que observa essas leis, os ortodoxos e os mais conservadores seguem-nas, mas os reformistas não, apesar de que até mesmo estes fazem restrições quanto à carne de porco e seus derivados. A restrição à carne de porco está expressa no capítulo 11 do Levítico: "entre todos os animais da terra estes são os animais que podereis comer: todos os que têm a unha fendida, de sorte que se divide em duas, o que rumina, esse podereis comer. Os seguintes, contudo, não comereis, dentre os que ruminam e dentre os que têm a unha fendida: o porco, porque tem a unha fendida, de sorte que se divide em duas, mas não rumina, esse da sua carne não comereis, nem tocareis nos seus cadáveres." O desenvolvimento do mercado mundial de produtos kosher (preparados de acordo com a lei judaica) não é impulsionado apenas pela prática religiosa, mas também pelo consumo crescente por parte de pessoas que os consideram mais saudáveis. Segundo recente pesquisa apenas 44% da produção mundial de alimentos kosher são consumidos por judeus. O restante se reparte entre vegetarianos (10%), muçulmanos (19%) e entre aqueles que consideram que o produto kosher é 'melhor' (27%).
Os alimentos kasher têm suas embalagens identificadas com símbolos, certificando que o alimento é 'kasher', estes símbolos são referentes a organizações judaicas que atestam que o alimento foi preparado de acordo com a tradição judaica Nos mercados da zona sul está cada mais comum encontrar alimentos com esta identificação, sem falar nas lojas e açougues especializados em alimentos desta natureza.
E para aqueles que gostam de tomar uma "branquinha" existe também uma cachaça Kasher fabricada no Brasil, que já está sendo exportada com grande sucesso e considerada um dos produtos mais sofisticados entre as opções nacionais. Ë a Canna Schnaps, produzida segundo os rituais judaicos e certificada pelo Rabino Alpern de São Paulo.
Ainda que cercada de regras bastante rígidas, a culinária judaica, é muito vasta, repleta de influência de várias partes do mundo.

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