terça-feira, 2 de dezembro de 2014

COMPORTAMENTO DAS MULHERES JUDIAS.

 Com seu comportamento, suas roupas e sua conversa, uma moça produz sobre um rapaz um efeito que ela por vezes é incapaz de avaliar e apreciar. Comportando-se de maneira refinada, reservada, conforme manda a Torá, ela preserva sua dignidade e o respeito próprio, não comprometendo a si mesmo e nem as qualidades que farão dela uma boa esposa e mãe. Por outro lado, se levianamente ostenta e exibe seu corpo, desperta sentimentos no sexo oposto que podem, a longo prazo, ser muito prejudiciais para si mesma. Algumas mulheres degradam-se usando sua aparência, sensualidade e disponibilidade como moeda para a obtenção de "encontros desejáveis". Com freqüência, isto lhes proporciona uma falsa popularidade, que só poderá ser mantida aceitando outros compromissos.
Um judeu ou uma judia devem sempre ter cuidado de evitar qualquer conduta ou vestimenta capaz de despertar o desejo sexual de uma pessoa do sexo oposto. Nada permanece inocente por muito tempo nos relacionamentos entre homem e mulher. Raramente uma jovem fisicamente amadurecida deixará de excitar um rapaz, a não ser que tome o cuidado de agir de modo recatado. Minha intenção não é de justificar o homem por comportamentos inadequados ou de lançar toda a culpa na mulher; porém, ainda existem diferenças básicas.
É interessante notar que essa observação não é exclusiva da Torá. Em um artigo do Reader'sDigest, escrito por Sugarman e Hochstein, a diferença entre as reações de homens e mulheres jovens aos estímulos sexuais foi expressa nos seguintes termos:
Existe uma grande diferença biológica e emocional entre rapazes e moças adolescentes. O desejo sexual chega aos rapazes em um grande surto de emoção - um desejo específico, imediato, bem distante das emoções profundas de amor e ternura. Embora algumas moças separem o amor da atração física, para a maioria delas os desejos sexuais estão intimamente ligados a sentimento de amor romântico. Diferentemente dos homens, os impulsos sexuais e o coração de uma jovem funcionam juntos figurativamente. Os rapazes, portanto, são mais propensos do que as moças a encarar o sexo como algo casual, mas eles também são mais insistentes no momento do encontro sexual. A não ser que entenda essa psicologia, uma moça ficará confusa quando um rapaz lhe fizer propostas. Isso não significa que ele a ame.
Assim sendo, não é uma ofensa se um rapaz "fizer propostas amorosas" para você; de certa maneira, isto faz parte da natureza dele. Por outro lado, também não é uma ofensa para ele se você se recusar. Suas próprias emoções, mais lentas e mais duradouras, são uma proteção contra as conseqüências de ceder à insistência dele - conseqüências que são muito mais sérias para uma mulher do que para um homem.
Embora não descreva o comportamento das jovens comprometidas com o judaísmo, essa análise contém elementos que servem como advertência para elas se tornarem mais conscientes de que a maneira como se vestem, se comportam e conversam pode afetar os jovens á sua volta. Embora alguns rapazes considerem, infelizmente, esse tipo de conduta como parte do "jogo", para uma jovem sua conduta é, e sempre deverá ser "um negócio sério". Muitas vezes, ela envolve-se em sérias dificuldades porque, de alguma maneira, "pediu isso" ao se comportar repetidamente de modo pouco adequado à sua condição de filha de Israel.
Nada disse é desculpa para o excesso ou para a falta de contenção dos homens. Qualquer um que viole as leis da sociedade ou a Torá é considerado culpado e deve pagar por suas ações. A intenção da Torá é ajudar os homens e mulheres a se acostumarem á uma vida de disciplina e contenção.
Deve-se ressaltar que a Tsniut não se refere apenas ao comportamento e a vestimenta, mas também á linguagem e às conversas.
Nossos sábios do Talmud (TalmudShabat 33) nos dizem que "todos sabem por que a noiva entra na câmara nupcial". No entanto, eles condenam violentamente qualquer um que fale desse relacionamento em termos vulgares. Por quê? A frase introdutória da passagem Talmúdica explica: "Todos sabem por quê...".
Para um Judeu comprometido com a Torá, o romance e o relacionamento sexual nunca são vulgares ou pecaminosos - mas falar sobre eles em termos vulgares ou grosseiros não tem vez na conduta de homens ou mulheres religiosos.
O verdadeiro significado da palavra Tsniut - diferentemente traduzida como "privacidade", "encobrimento" ou "recato" - remete a uma atitude que abomina a paixão moderna pela exposição pública do mistério e privacidade de um relacionamento intensamente pessoal. E se a atitude se aplica ao próprio relacionamento, com muito mais força o será às conversas em público.
Se o autor cuidou em mostrar que os jovens não são menos responsáveis que as jovens por se comportarem de forma recatada, moderada e reservada nos relacionamentos entre homens e mulheres, sejam casuais ou intensamente pessoais, então porque o termo Tsniut, com tudo que implica, é em geral associado à conduta feminina e quase nunca à masculina? Porque são as mulheres consideradas muito mais responsáveis do que os homens no campo da Tsniut, do recato nas roupas e no comportamento?
Há várias explicações para isso. Primeiro, a mulher tem muito mais a perder. Para ela, as conseqüências do comportamento audacioso, impulsivo ou impensado podem, da noite para o dia, alterar todo o curso de sua vida. Enquanto um homem pode facilmente se levantar e desistir de um caso amoroso, uma mulher pode carregar pelo resto da vida as conseqüências físicas, sociais ou psicológicas daquele relacionamento efêmero.
Uma explicação vem do Midrash (BereshitRabá 18:2), que sugere que um aspecto especial da natureza feminina é sua capacidade de tomar uma faceta da personalidade humana e desenvolvê-la ao máximo. Esta faceta, segundo o Midrash, é a capacidade para a Tsniut.

O Rabi MosheMeiselman, em seu artigo "WomenandJudaism" [As Mulheres e o Judaísmo] (Tradition, outono de 1975), oferece um terceiro conjunto de explicações. Ele diz o seguinte:
O termo Tzena é mencionado duas vezes na Bíblia, uma vez como já vimos no verso "Aquele que labuta exaustivamente em particular na sabedoria da Torá alcançará a Sabedoria" (Provérbios 11:2). E, pela segunda vez, no verso de Micha: "Ele disse a ti, homem, o que é bom e o que O Criador exige de ti, nada a mais do que fazer justiça, amar a delicadeza e andar secretamente com teu D-us" (Micha 6:8). Quando serve à D-us, uma pessoa deve concentrar-se nas dimensões internas de sua personalidade. Tsniut é a dimensão interna de nosso esforço, que é a essência do ato judaico heróico. A mulher recebeu a incumbência de desenvolver esse traço da personalidade até seu grau mais elevado. Assim, a mulher foi criada de uma parte do corpo que é pessoal em dois sentidos - primeiro, por estar em geral coberta; segundo, por estar localizada sob a pele.
Porém o fato de estar oculta para a visão pública não implica inferioridade. Está escrito no Gênesis que quando os anjos visitaram Abraão e lhe perguntaram onde estava Sara sua esposa, Abraão respondeu: "Na tenda" (Gênesis 18:9). Sobre isso, Rashi cita o comentário dos Rabinos: "Sara era uma pessoa reservada". Contudo, em um nível espiritual, consideramos que Sara tenha atingido uma estatura superior à de Abraão: "Em tudo o que Sara te diz, ouça a sua voz" (Gênesis 21:12), ao que Rashi comenta: "Isso nos ensina que Sara era superior à Abraão em profecias". Embora, na vida que compartilharam, Abraão tenha assumido o papel público, isso não significava absolutamente nada sobre a importância pessoal ou a grandeza espiritual. Pois o Herói Judeu é o herói do palco interno, não do palco externo.
*Extraído do Livro:
Alternativas Judaicas no Amor, Namoro e Casamento; do Rabino Pinchas Stolper

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