quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

vinho no Kidush.

Rabi Yehudá Lowe, o Maharal de Praga, um dos maiores cabalistas e Sábios de todos os tempos, conhecido por ter criado o Golem, explica um motivo por que se utiliza o vinho no Kidush. O Maharal ensina que essa bebida é singular pelo fato de ser não meramente um produto da uva, mas sua própria essência. Em seu estado natural, a uva é uma fruta como qualquer outra. Antes de ingeri-la, recitamos a bênção Bore Peri Ha’Etz, que vale para qualquer fruta que cresça em uma árvore. Contudo, a uva oculta dentro de si suco que pode se transformar em vinho, um produto que, na linguagem antropomórfica do Talmud, “traz alegria a D’us e ao homem”. Isso significa que a essência e o potencial da uva são muito maiores do que ela própria. A bênção feita sobre o vinho, Bore Peri Ha’Guefen, é singular, pois a essência da uva supera seu estado natural.
O mesmo é verdadeiro, explica o Maharal, sobre o homem. Como a uva, o corpo do homem oculta uma alma, que é sua essência. O ser humano pode ignorá-la e até feri-la. Mas também é dada ao homem a opção de elevá-la e purificá-la a tal ponto que mesmo o corpo que a encobre seja santificado, permitindo que o ser humano viva neste mundo material e, simultaneamente, acima dele. Além disso, por meio do Shabat, o homem pode se tornar a própria alma do mundo, dando vida à existência, para que ela possa continuar a existir pelos seis dias que seguem o Sétimo Dia. Por esse motivo, explica o Maharal, a santidade do Shabat é proclamada por meio do vinho.

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