sexta-feira, 20 de março de 2015

Qual a razão de uma mulher judia casada cobrir seu cabelo?


Qual a razão de uma mulher judia casada cobrir seu cabelo com uma peruca, e por que é permitido o uso da peruca se esta pode vir a ser igual ou até mais atraente que seu próprio cabelo? Gostaria também de saber em qual passuk da Torá encontra-se esta mitvá.

RESPOSTA:

Muita gente se faz estas mesmas perguntas: Por que é permitido usar peruca se esta pode ser confundida com cabelo, e mais ainda; muitas vezes é até mais bonita que o próprio cabelo da pessoa?

Muitos pensam que o único motivo de cobrir a cabeça é mostrar para os outros que se é casada. Outros pensam que o objetivo é fazer a mulher menos atraente. No entanto, esta mitsvá vai muito além disso.

Os objetos mais valiosos são geralmente os mais bem guardados e escondidos. Os tesouros são enterrados; as jóias e outros valores, guardados em cofres. Mais ainda: a mezuzá é envolta em uma caixa, assim como os tefilin e o rolo da Torá, que além do manto recebe uma proteção adicional ao ser guardada no Aron Hacodesh, e assim por diante. 

Da mesma forma, quando D'us criou a mulher, criou-a colocando seu valor em seu interior, e não em seu invólucro. Mas por ser bela e atraente, sensível e conectada tão forte e diretamente com Sua fonte, D'us encontrou uma maneira de protegê-la de olhares ou tornar-se um objeto de cobiça ou de maus pensamentos. Ao casar e receber as bênçãos de kedushá ( Santificação em baixo de uma chupá durante o casamento judaico), seu status muda e agora ela pertence a um único ser que é sua alma gêmea: seu marido. Para ele sua mulher é a pessoa mais preciosa; seu maior tesouro. Por estas razões, a mulher cobre seu cabelo após casar. Para demonstrar seu estado de comprometimento com um único homem com quem é casada, e não atrair a atenção de outros homens sobre si por questões de tseniut, modéstia, o uso da peruca passa a ser um elemento essencial, indicando seu status e seu valor.

Mais do que um lembrete para os outros, a cobertura da cabeça relembra a própria mulher do fato de ser casada. O importante é que o cabelo esteja coberto, não importando se por cima dele há uma bela peruca; é tão importante sentir-se bonita para seu marido, quanto para si mesma. 

O Rebe de Lubavitch, Rabi Menachem M. Schneerson (1902-1994) incentivou o uso da peruca por ser discreto e cobrir bem os cabelos, mais que o uso de lenços e outros acessórios que geralmente escorregam deixando o cabelo à mostra.

O passuk que se refere a cobertura do cabelo na Torá diz respeito as leis de sotá, ou seja, uma mulher que se desviou do caminho correto e foi vista entrando em um local fechado apenas com outro homem, que não seja seu marido. Ela era então levada para o Bet Hamicdash, descobria-se seu cabelo e seu dorso, e então ela bebia uma água na qual estava misturado um papel com o nome de D’us, e de acordo com a reação era provado se ela de fato teve relações proibidas. A Torá diz que seu cabelo era descoberto, e isto era uma ação humilhante. Daqui nossos Sábios aprendem que os cabelos da mulher deveriam estar sempre cobertos. "O Sacerdote porá a mulher de pé diante de D’us e desmanchará seu cabelo" (Números 5:18).

Conta-se sobre Kimhit, uma mulher temente a D’us, que era extremamente zelosa com esta mitsvá. Nem mesmo as paredes de sua casa jamais "viram" uma única mecha de seus cabelos. Por este zelo e em seu mérito ela viu seus sete filhos serem consagrados como Cohanim-Gdolim, Sumos-Sacerdotes.

Há ainda motivos cabalísticos para cobrir os cabelos. Sabemos que ao cumprir esta importante mitsvá, a mulher atrai bênçãos de saúde e prosperidade ao seu lar, sua família e especialmente na educação de seus filhos. 

No entanto, o essencial para quem cumpre cada mitsvá é que esteja cumprindo simplesmente pela razão única de ser um mandamento Divino; às vezes, acima da lógica e da nossa limitada percepção física, pois o efeito espiritual das mitsvot supera nossa compreensão. 

Não sabemos dimensionar a verdadeira proporção e efeitos de nossas mitsvot neste mundo, apenas que elas afetam nossa vida e daqueles a quem mais amamos. Mas sabendo, no mínimo, que isto verdadeiramente ocorre, certamente faremos o máximo para vê-las realizadas e o mais breve possível.

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