sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Yom Kipur ...

  Proximo Sábado: Yom Kipur

     "Porque naquele dia se fará expiação por vós,
     para purificar-vos de todos os vossos
     pecados perante o Eterno.
     É um sábado de descanso para vós,
     e afligireis as vossas almas (jejum):
     Isto é estatuto perpétuo.”
     (Vayikra (Leviticos) 16:30-31).
                                   
                                               

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mikvê...

Se você está para casar, ou se já completou um, dez, vinte ou cinquenta anos de união conjugal, leia com atenção, pois nunca é tarde demais...

O Talmud ensina que o relacionamento entre marido e mulher é uma união concebida nos Céus, a forma mais elevada de amor interpessoal.

Um casamento judaico é uma instituição sagrada onde o amor entre marido e mulher é puro e santificado. A santidade do relacionamento matrimonial, o fortalecimento do lar e da família são regidos pelas leis de Pureza Familiar (preparativos e normas prescritos pela lei judaica para imersão no micvê).

O cumprimento deste mandamento bíblico exerce profunda influência sobre todas as gerações, passadas e futuras.
Taharat Hamishpachá (Pureza Familiar) revigora o casamento mensalmente. Pode-se dizer que marido e mulher que cumprem esse preceito são os verdadeiros "românticos" - em lua-de-mel, doze vezes por ano.


Em resumo, Taharat Hamishpachá rege que um casal pode manter relações conjugais até a chegada da menstruação. Depois de sete dias que o fluxo cessou (e não antes do décimo segundo dia desde o início das regras), a mulher mergulha no Micvê. (Micvê, uma piscina moderna, tratada e alimentada por 756 litros de agua natural, é construída de acordo com leis judaicas específicas).

Após cumprir esta mitsvá, marido e mulher podem voltar a ter relações conjugais. Dessa forma, a intimidade é elevada a uma experiência sublime. Durante o período em que o casal abstémse de contato físico, relaciona-se de maneiras não-físicas, aprendendo a dialogar e a compartilhar. O casal desenvolve outras formas significativas de expressar amor, afeição e apreço, transcendendo o físico.

A importância da cashrut.

A Torá enfatiza a razão da cashrut com termos
bastante claros: ao observar as leis de cashrut,
o judeu consegue elevar-se na escada da
santidade.
Apesar de que o dano que os alimentos
proibidos causam não é físico, todavia,
impedem que o coração capte e atinja os
elevados valores da alma através do estudo da
Torá.
O alimento não-casher contamina a alma de
forma que exame físico algum consegue
detectar, e cria um impedimento entre o judeu e
sua percepção de D’us. Gradualmente, este
consumo constrói uma barreira que bloqueia e
impede sua compreensão da santidade.
Assim como alguém que está constantemente
exposto à música alta e forte barulho, lenta e
imperceptivelmente, porém com certeza, sofre
perda de sua capacidade de ouvir sons
delicados e de detectar modulações sutis; a
Torá nos diz que da mesma forma, se um judeu
ingere alimentos não casher, ele mina e
entorpece suas capacidades espirituais, e nega
a si mesmo plena oportunidade de santificar-se.
Quem consome alimentos proibidos torna-se
incapaz de perceber suas perdas e não entende
a lógica destas proibições. Assim como quem
vive tomando analgésicos, acha estranho que
outros chorem de dor e sensações que ele não
sente. Analgésicos entorpecem os nervos assim
como alimentos proibidos entorpecem os chips
espirituais.
Por esse motivo, mesmo uma criança pequena
deve evitar comer alimentos proibidos, para que
seu potencial espiritual não seja prejudicado.

A Parashá da semana.

em perspectiva, sem ambigüidade,
declarando que o povo judeu será
abençoado se cumprir a Torá, e
amaldiçoado se não o fizer.
Ele começa então uma longa revisão de
várias mitsvot, compreendendo a maior
parte do livro Devarim. Primeiro discute
alguns dos mandamentos que são
relevantes à iminente conquista da Terra de
Israel pelo povo, conclamando-os
novamente a remover qualquer vestígio de
idolatria. Após ensinar-lhes certos detalhes
sobre a oferenda e o consumo de corbanot,
sacrifícios, a Torá ordena que o povo judeu
se abstenha de imitar as nações que os
circundam. A eles é dito que permaneçam
atentos aos falsos profetas e outras
pessoas que poderiam afastá-
los de D’us, e
aprendem as leis de uma cidade judaica
que tornou-se tão corrupta que a maioria de
seus cidadãos sucumbiu à idolatria,
recebendo por isso a pena de morte.
A Torá faz uma revisão sobre quais animais
são casher, permitidos para consumo, e
quais não o são, seguida pelas leis de
ma’aser sheni –
consumido por seus proprietários, mas
apenas na cidade de Jerusalém.
Após ordenar que todas as dívidas sejam
canceladas ao final de cada sétimo ano
o segundo "dízimo", que é
(Shemitah), e que devemos ser calorosos e
caridosos com nossos irmãos, a Torá repete
as leis relativas ao servo judeu. Ele deve
ser libertado incondicionalmente no sétimo
ano e coberto de presentes generosos por
seu antigo amo.
A Parashat Reê conclui com uma breve
descrição das três festas de peregrinação
Pêssach, Shavuot e Sucot
deveriam ir a Jerusalém e ao Templo com
oferendas, para celebrar sua prosperidade

 

D’us. Moshê começa a colocar as mitsvot

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O poder da mezuzá

O Talmud nos conta que Ônkelos, filho de Kalônimos (eminente personagem do antigo Império Romano), ao converter-se ao judaísmo, despertou a ira de César.
César enviou um grupo de soldados para induzi-lo a mudar de idéia, mas ocorreu justamente o contrário. Ônkelos conseguiu persuadir os soldados a se converterem, como ele próprio havia feito.
Ao perguntarem-lhe porque fazia isto, respondeu: "Habitualmente, quando um rei de carne e osso está dentro de seu palácio, seus servos protegem-no, e ficam do lado de fora. :Nosso Rei do Universo permite que seus servos sentem do lado de dentro, enquanto Ele os protege".
Também aqueles soldados converteram-se.

Rabi Yehudá Hanassi, o "Príncipe"
O Talmud relata uma história sobre o grande Rabi Yehudá Hanassi (o "Príncipe"): Artaban, o rei de Partin enviou-lhe como presente uma pérola maravilhosa. Rabi Yehudá retribuiu com outro presente – uma mezuzá. Ultrajado pelo que lhe parecia zombaria, o rei repreendeu severamente a Rabi Yehudá:"–Vós me insultastes. Eu vos enviei um presente de valor incalculável e vós retribuistes com uma ninharia sem valor!"
Rabi Yehudá apressou-se em explicar: "O presente que me enviastes é tão valioso que deverá ser cuidadosamente vigiado, ao passo que o que eu vos dei vos guardará mesmo quando estiveres dormindo".

Relato do Talmud

Sobre a Mezuzá

mezuza
Hoje em dia, e sempre, a mezuzá, uma mitsvá que tem acompanhado o povo judeu ao longo dos anos, mais do que nunca constitui o sinal de que nesta residência ou estabelecimento se encontra um judeu, e em sua porta sua maior proteção: D'us.
"Mezuzá" é a palavra hebraica para designar umbral. Consiste em um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém duas passagens bíblicas, manuscritas, "Shemá" e "Vehaiá". A mezuzá que deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependência de um lar ou estabelecimento judaico, obedece ao seguinte mandamento da Torá: "Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa, e em teus portões" (Deuteronômio VI:9, XI:20)


É no conteúdo, guardado em seu interior, que reside o verdadeiro valor da mezuzá, e não em seu invólucro. A mezuzá não deve ser julgada pela sua aparência. Para ser casher deve ser escrita à mão, sobre pergaminho, e por um sofer (escriba) temente e observador dos mandamentos divinos, habilitado para esta função, o que é fator essencial para tornar o pergaminho sagrado.
No momento em que é afixada no batente da porta, ela atrai a santidade de D'us que pairará sobre a casa ou estabelecimento.
No verso do pergaminho estão escritas as letras hebraicas Shin, Dalet e Yud, que forma o acróstico das palavras hebraicas "Shomer Daltot Israel" – "Guardião das casas de Israel".
A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.
Conteúdo
A Mezuzá contém duas passagens bíblicas que mencionam o mandamento Divino de afixá-la nos umbrais das portas: "Shemá" e "Vehaiá" (Devarim 6,4-9 e 11,12-21).
O "Shemá" proclama a unicidade do D'us único e nosso eterno e sagrado dever de servi-Lo, e somente a Ele.
O "Vehaiá" expressa a garantia Divina de que nossa observância dos preceitos da Torá será recompensada e nos previne sobre as consequências se os desobedecermos.
A mitsvá da mezuzá demonstra claramente que não somente a sinagoga ou qualquer outro local de estudo são sagrados, como também nosso lar.
Significado
Embora atualmente existam centenas de sofisticados equipamentos de vigilância (câmeras, aparatos eletrônicos, entre alarmes e até cercas elétricas) para o povo judeu a mezuzá afixada na porta sempre constituirá sua maior proteção.
Ao entrar ou ao sair seremos sempre lembrados de quem é o verdadeiro "Guardião das casas de Israel."
Cuidados na aquisição
É importante lembrar que o componente principal da mezuzá é o pergaminho, e não o estojo. Deve-se tomar cuidado na hora da compra da mezuzá, pois ela é um objeto sagrado. Deve ser escrita por um escriba autorizado, com tinta e pena apropriadas sobre um pergaminho de um animal casher.
Mesmo que na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida por várias razões. Uma única trinca numa pequena letra pode tornar a mezuzá não-casher, imprópria para uso; por isso ela deve ser periodicamente verificada por um escriba competente.
Leis referentes à colocação da mezuzá
  • O rolo de pergaminho é enrolado no sentido do comprimento e envolvido por um plástico ou papel e colocado dentro de um estojo e afixado ao batente da porta. É permitido talhar uma cavidade (com menos de 7,5 cm de profundidade) no batente para lá colocar a mezuzá.
  • A mezuzá deve ser colocada em cada entrada da casa (mesmo que apenas uma entrada seja usada normalmente), escritório, loja, fábrica, etc.
  • Pátios e propriedades fechadas por cercas ou muros também devem possuir mezuzá, que deve ser colocada na entrada, uma vez que está escrito que as mezuzot precisam ser afixadas "nos teus portões".
  • Coloca-se uma mezuzá na entrada de cada cômodo no interior da casa, não somente na porta principal, mas em todas as portas que conduzem a aposentos com área mínima de 1.80 m2 (inclusive despensa e quarto de empregados).
  • Não se coloca mezuzá nas portas de banheiros, toaletes ou casas de banho.
  • Ela é afixada no terço superior do batente direito, na parte mais externa do umbral e em posição oblíqua, com a parte superior apontada para o interior do aposento, para os ashkenazim, e em posição quase reta para os sefaradim.
  • Quando a porta se abre para dentro do cômodo a mezuzá é afixada do lado direito de quem entra; quando a porta se abre para fora, ela é afixada do lado direito de quem sai.
  • Não se deve afixar a mezuzá atrás da porta dentro de casa.
  • Se mais de uma mezuzá fôr afixada ao mesmo tempo (em várias portas), uma só bênção é suficiente (na primeira a ser afixada).
  • Onde não houver porta entre dois ambientes, o lado direito será considerado da entrada para o aposento mais importante.
  • Numa casa própria a benção da mezuzá é recitada na hora da colocação, enquanto que numa alugada, é recitada somente sobre a mezuzá afixada após trinta dias do início da locação. (exceto na Terra de Israel, onde devem ser afixadas imediatamente).
  • O costume Chabad é afixar as mezuzot logo, sem recitar a bênção; e no trigésimo dia trocar a mezuzá da porta principal por outra de melhor qualidade e então recitar a brachá.
  • A mezuzá só precisa ser colocada em casas ou cômodos construídos para uso permanente (uma sucá, por exemplo, não precisa de mezuzá, pois é uma moradia temporária).
  • Toda abertura construída com dois batentes e uma verga precisa de mezuzá (se não possuir uma porta para fechá-la, coloca-se sem recitar a brachá, bênção).
  • A mezuzá pode ser afixada por qualquer membro da família.
  • Quando nos mudamos de uma casa e sabemos que um judeu se mudará para lá, devemos deixá-las.
  • Desde tempos imemoriais a mezuzá, vem marcando o lar judeu e identificando-o como uma residência judia. O judeu deve lembrar ao entrar e ao sair, da Presença Divina e de Sua Unicidade, bem como de seu dever de acatar todas as leis e todos os preceitos contidos na Torá.
  • Maimônides explica que são ignorantes os que consideram a mezuzá um amuleto, algo que traz sorte para a casa. "Aqueles tolos não apenas deixam de cumprir a mitsvá, mas tratam uma grande mitsvá, que diz respeito à Unicidade de D'us e nos lembra a amá-lo e venerá-lo, como se fosse um amuleto destinado a beneficiá-los pessoalmente...".
  • É costume colocar a mão direita sobre a mezuzá e beijá-la, ao entrar e sair de casa.
  • As mezuzot devem ser examinadas ao menos duas vezes a cada sete anos, embora seja aconselhável que sejam revisadas uma vez por ano por um escriba devidamente qualificado. Mesmo se na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida.
  • Em caso de dúvida um rabino deve ser consultado.
Bênção
Antes de afixar a mezuzá, a seguinte bênção deve ser recitada:
Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu, Me-lech haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu licbôa mezuzá.

"Bendito és Tu, ó Eterno nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou afixar a mezuzá."

Mezuzá

As mezuzot devem ser examinadas ao menos duas vezes a cada sete anos, embora seja aconselhável que sejam revisadas uma vez por ano por um escriba devidamente qualificado. Mesmo se na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida.

ROSH HASHANÁ E O LIVRE ARBÍTRIO

No sexto dia da Criação, no primeiro dia do mês de Tishrei, o homem foi criado e, neste mesmo dia, julgado. A essência do seu julgamento foi uma única e solitária pergunta "Aiêca?" Onde você esteve ? A cada ano, em Rosh Hashaná; D’us recria a Sua obra. Portanto, a cada ano, devemos reconquistar o direito de existir. Esta abordagem diferencia-se, até certo ponto, do conceito negativo vigente entre muitos, segundo o qual Rosh Hashaná, também chamado de Dia do Julgamento, é o momento em que D’us diz aos homens que, se não tomarem as atitudes corretas, serão punidos.

O que significa, no entanto, "tomar as atitudes corretas" ? Para entender esta idéia, é preciso tentar compreender, inicialmente, por que D’us criou o mundo antes do homem? Segundo o Ramchal, "O Caminho de D’us", a resposta é simples e clara: "D’us criou o mundo para dá-lo aos seres humanos. Ele deseja dar-nos tudo o que há de bom no mundo. Mas para isso, quer que sejamos independentes e independência implica escolha. Por isso, D’us criou o homem, concedendo-lhe o livre-arbítrio. E o exercício deste livre-arbítrio é algo que só pode ser feito por nós".

Dentro desta perspectiva, Rosh Hashaná pode ser considerado também o aniversário do livre-arbítrio, do momento em que D’us deu vida ao homem e o direito de decidir o seu caminho. É também sobre este princípio de escolha a afirmação talmúdica que diz: "Quão precioso é o homem por ter sido criado à imagem de D’us". Isto significa que, diferentemente das outras criaturas vivas, o ser humano recebeu o livre-arbítrio, um presente divino único, que dá ao homem a capacidade de mudar o mundo. Se usado de maneira correta, pode construir um mundo bonito e aperfeiçoá-lo cada vez mais. Se dele fizer uso incorreto, poderá destruí-lo.

Ou seja, cabe aos indivíduos apenas aprender a usar esse poder. Diz o Talmud (Pirquei Avot 3:18): "Um dos maiores sinais do quanto somos importantes para D’us é que Ele nos disse que fomos criados a Sua imagem". Ou seja, presente maior do que o livre-arbítrio propriamente dito é o fato de D’us ter-nos dito que o possuímos.

É preciso, no entanto, entender a essência do que significa o livre-arbítrio. O direito de escolha não se aplica, por exemplo, às situações do cotidiano, como a decisão entre um sorvete de chocolate ou de baunilha. Isto é apenas uma questão de preferência, a qual os animais também possuem. O livre-arbítrio, por sua vez, envolve decisões que só podem ser tomadas pelo homem e que se refletem na maneira como conduz a sua vida, tendo como base a imagem Divina.

Várias etapas

O livre arbítrio inclui o princípio de que o homem tem consciência de que pode fazer opções, não deixando simplesmente que aconteçam; ou seja, o homem assume o controle das próprias decisões, sabendo que moldarão a sua vida. Por isso, é preciso sempre conhecer as razões para a tomada de decisão, os seus objetivos e, principalmente, ser responsável por suas decisões.

Para tomar as decisões adequadas às suas características individuais, é preciso que a pessoa se conheça. Não deve assumir como verdadeiros idéias e pensamentos predeterminados pela sociedade, a não ser que concorde integralmente com os mesmos. D’us espera que cada um seja responsável por suas decisões e que as tome sempre por si mesmo e não em função da sociedade.

O livre-arbítrio pressupõe, também, a capacidade do indivíduo de reavaliar decisões, não se prendendo a atitudes tomadas no passado – caso não sejam mais válidas – simplesmente porque o foram algum dia. O direito de recomeçar é parte intrínseca do direito de opção, desde que seja resultado de reflexões profundas e coerentes. Por exemplo, se alguém, um dia, duvidou da existência de D’us, não significa que não possa rever sua posição diante de evidências mais fortes e claras do que as já encontradas no passado.

Livre-arbítrio implica também estar-se consciente das diferenças entre os desejos do corpo e as aspirações da alma. Algumas vezes, o indivíduo sabe, objetivamente, o que é bom para si, mas seus desejos físicos distorcem sua visão. O Talmud afirma que se trava, dentro de cada um, uma batalha feroz entre o que o espírito quer e o que o corpo deseja. Mas o que significa esta batalha?

Imagine a seguinte situação do cotidiano. Um indivíduo resolve começar a praticar esportes e conversa consigo mesmo, enquanto corre: "Isto vai me matar". "Pare de reclamar e vá em frente". "Como posso fazer isso? Meu coração vai parar". "Relaxe, nada vai acontecer". O que este diálogo traduz? Apenas uma batalha interna entre desejos opostos. O espírito quer correr, porque é bom para a saúde. O corpo, por sua vez, prefere dormir. O espírito quer perder algum peso, e o corpo diz que não consegue. O espírito diz, "vamos ver", e o corpo retruca: "Relaxe, não seria grande a perda se morrêssemos um pouco antes".

Esse exemplo reflete a essência da batalha que cada um trava dentro de si. O espírito quer viver integralmente, ser produtiva, fazer o que está correto, através de cada fibra do ser humano. O corpo deseja apenas descansar e encontrar o conforto do comodismo, sem fazer nenhum esforço. É preciso, portanto, definir de maneira clara e inequívoca qual dos dois prevalece no íntimo do indivíduo: as aspirações do espírito ou os desejos do corpo. Se optar por ouvir o seu espírito , o indivíduo estará, com certeza, escolhendo a vida de maneira integral.

O judaísmo costuma dizer que o espírito é o verdadeiro ser humano. Se for capaz de se identificar com os desejos do espírito, então estará satisfazendo as suas reais necessidades. Sua meta será, então, treinar o corpo e fazer com que traduza a realidade da vida. O controle sobre o próprio corpo se dá através da identificação com o espírito e tem como resultado final a conquista da paz interior e, conseqüentemente, uma aproximação maior com D’us.


Fonte: Revista Morashá

PRIMEIRO DE TISHREI: ANIVERSÁRIO DO MUNDO

O mês de Tishrei é o sétimo no calendário judaico. Isso pode parecer estranho, pois Rosh Hashaná, o Novo Ano, é no primeiro e segundo dia de Tishrei. A razão é que a Torá fez o mês de Nissan o primeiro do ano, para enfatizar a importância histórica da libertação do Egito, que aconteceu no décimo quinto dia daquele mês, e que assinalou o nascimento de nossa nação.
Entretanto, de acordo com a tradição, o mundo foi criado em Tishrei, ou mais exatamente, Adam (Adão) e Chava (Eva) foram criados no primeiro dia de Tishrei, que foi o sexto dia da Criação, e é a partir deste mês que o ciclo anual se inicia. Por isso, Rosh Hashaná é celebrado nesta época.
 
Adão e Eva foram criados no primeiro dia de Tishrei, que foi o sexto dia da Criação
 
   

Há doze meses no ano, e há doze Tribos em Israel. Cada mês do ano judaico tem sua Tribo representativa. O mês de Tishrei é o mês da Tribo de Dan. Isto tem um significado simbólico, pois quando Dan nasceu, sua mãe Lea disse: "D'us julgou-me e também atendeu à minha voz." Dan e Din (Yom HaDin, Dia do Julgamento) são ambos derivados da mesma raiz, simbolizando que Tishrei é a época do Julgamento Divino e do perdão.
O primeiro dia de Tishrei, que é o primeiro dia de Rosh Hashaná, jamais pode cair num domingo, quarta ou sexta-feira. Historicamente, entretanto, o primeiro Rosh Hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da Criação. Neste dia, D'us criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. Assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele.
Nossos sábios viram nisso a ordem da Criação, como a consideração do bom anfitrião que, antes de convidar um hóspede de honra, coloca a casa em ordem, prepara as lâmpadas mais brilhantes, uma refeição deliciosa, etc., para que seu convidado encontre tudo preparado. Mas também vêem nisto uma profunda lição: se o homem é merecedor, é tratado como um convidado de honra; se não o merece, dizem-lhe: "Não fique orgulhoso de si mesmo; até um inseto foi criado antes de você!"

Fonte: Beit Chabad

MEDITAÇÃO PARA ENTRADA DE ANO EM ROSH HASHANÁ

É muito curioso notar que o nosso pedido é enfatizado pela prece: "... renove para nós um ano novo...". Porque renove? O que há de novo a cada ano? Todos os anos não são idênticos? O que faz com que este seja mais novo do que o anterior? Será que a simples mudança de número - 5767 –5768 - torna o ano mais novo?

O conceito de novidade e renovação é um tema fundamental na personalidade humana, pois o ser humano, por si só, é uma novidade no mundo. Já foi comprovado cientificamente que cada mulher tem um número específico de óvulos (alguns milhões), e aliás, que nenhum é semelhante ao outro. Não há duas criaturas iguais, nem dois seres humanos que têm as mesmas funções. Assim nos ensinam nossos sábios: "O Eterno criou todo ser humano semelhante a Adam Harishon, contudo, não há um ser humano igual ao outro" (Sanhedrin 37a).

É óbvio que o ser humano não é algo absolutamente novo, pois é a continuidade da espécie humana. Porém, cada indivíduo tem uma particularidade que nenhum outro possui. Cada um é um ser único e especial. Portanto, os seus atos também devem ser especiais, renovados constantemente e não podem ser copiados e imitados. O rei David escreve nos Salmos: "Cantem para o Eterno um cântico novo...". Para nos ensinar que não basta cantar um cântico já conhecido, mas que o cântico deve ser diferente e novo.

Já que o ser humano tem que viver em um espírito inovador, aprecia qualquer novidade. Toda pessoa fica feliz ao comer uma fruta nova, ao vestir uma roupa diferente, encantada ao mudar-se para um novo apartamento, enfim, qualquer novidade é motivo de alegria e entusiasmo. Para expressar este sentimento, os nossos sábios instituíram uma bênção para tudo o que é novo: "...Que nos deste vida, sustentaste-nos e nos fizeste chegar a esta época".

Assim, o homem sempre gosta de visitar lugares novos, estudar assuntos nunca analisados anteriormente, ler livros novos, ouvir notícias e novidades. Sem dúvida, tudo que é novo o deixa fascinado. Hoje em dia, o interesse pelas coisas novas é muita mais enfatizado. São poucas as pessoas que se interessam, por exemplo, em estudar textos e em participar de cursos, nos quais o livro é um instrumento necessário para acompanhar as discussões.

O público, atualmente, possui maior interesse em palestras e conferências, fato que também pode ser explicado da seguinte forma. O sentimento que o interlocutor tem ao estudar em livros é que as coisas não são novas, pois já foram escritas e documentadas. Em contrapartida, as palestras parecem tratar de assuntos totalmente novos, como se tivessem sido inventados e apresentados naquele momento.

Tudo no mundo tem que ser analisado minuciosamente. Esta é uma das capacidades do ser humano: analisar os fatos óbvios e conhecidos como se os estivesse vendo pela primeira vez em sua vida. Desta forma, pode descobrir coisas maravilhosas que, na maioria das vezes, podem explicar muitos mistérios de nossa existência. Conta-se que, certo dia, o famoso Sr Isaac Newton percebeu que todo objeto, quando caía, era atraído para baixo, nunca para cima. Milhões de pessoas visualizaram este fenômeno e ele próprio também o viu repetidas vezes na sua vida. Porém, quando analisou este fenômeno de perto e com mais atenção, acabou descobrindo a Lei da Gravidade. Isto significa renovação!

A natureza baseia-se sobre o conceito de renovação. A terra gira ao redor de si e, a cada 24 horas, renova o seu ciclo. A lua gira em torno da terra e, a cada 30 dias (aproximadamente), temos um novo mês (Chodesh - mês, em hebraico, é originário da palavra Chadash, que significa novo, pois a lua se renova mensalmente). A própria terra completa a sua rotação em torno do sol em 365 dias e, a partir daí, tudo recomeça e é renovado (a palavra Shaná – ano - pode ter dois significados: repetição ou mudança. Pois a cada ano tudo se repete, novamente, com as mesmas datas, porém sob uma forma diferente).

Nossos patriarcas são, sem dúvida, um exemplo para nós. Avraham Avinu era considerado o pilar da bondade; o seu filho Yitshak agia mais de acordo com a severidade e o temor; e Yaacov Avinu representava a virtude da verdade – cada um tinha a sua especialidade. O homem tem que desenvolver as suas próprias virtudes e não apenas imitar os outros, pois é uma nova criatura no mundo, com uma nova e única missão, que cabe somente a ele.

Quando perguntaram a um grande líder judeu por que não seguira o costume do seu pai, respondeu: "Isto não é verdade, estou agindo igualzinho ao meu pai – ele também não imitou o seu pai, esforçando-se em desenvolver as suas próprias virtudes, moldando a sua personalidade de acordo com o seu temperamento".

Há uma diferença fundamental entre coisas novas e renovação. Novidade significa algo totalmente novo, que não tem nenhum elo com o passado, portanto, pode ser muito negativo, sem conteúdo e perigoso. Porém, a renovação está fortemente vinculada e fundamentada às experiências do passado.

É costume dizer que o Todo-Poderoso renova a criação espiritual e materialmente a cada instante. O ar que respiramos é sempre o mesmo, sendo apenas renovado através do fenômeno da fotossíntese. As estações do ano são sempre as mesmas e, após um inverno árduo, com árvores secas e sem flores, surge novamente a primavera, com o seu manto verde, e a natureza parece estar, mais uma vez, renascendo.

Sendo assim, quando dissemos que não é aconselhado imitar os nossos semelhantes, não significa romper com os costumes dos nossos pais. Pelo contrário, devemos continuar no caminho traçado pelos nossos antepassados e seguir a tradição que nos foi transmitida de geração em geração, até os dias de hoje. A nossa intenção ao dizer que não devemos ser imitadores é que devemos ser como a lua ou o ar dentro da natureza, isto é, os mesmos, porém renovados. Devemos seguir pela mesma trilha; como o fizeram nossos patriarcas, porém usando nossos próprios sentimentos e emoções.

Após esta pequena exposição sobre a renovação obrigatória dentro da natureza e em cada ser, vamos tentar entender nosso desejo por um novo ano.

Consta no livro Tanya, de autoria de um dos grandes mestres chassídicos, que a cada ano, em Rosh Hashaná, existe uma nova vitalidade que D’us manda ao mundo, totalmente diferente da vitalidade do ano que já passou. O êxito em recebermos esta energia depende do desempenho do povo de Israel durante as orações nos dias de Rosh Hashaná e de sua maior aproximação ao Todo-Poderoso.

Nenhum ano é igual ao outro, assim como não há dois seres idênticos. Certa vez, um grande sábio disse aos seus discípulos: "Vou mostrar-lhes algo totalmente novo, que nunca esteve no mundo e jamais voltará a existir. Assim, tirando uma maçã da geladeira, disse: Esta maçã nunca esteve no mundo e, após ser consumida, nunca mais voltará a existir".

Se isto é válido para qualquer criatura, pode também ser válido para a noção de tempo. O mês que passou não é o mês que começará, os dias não são iguais, as horas também, e até os minutos e os segundos são diferentes. Cada segundo que, na realidade, faz parte da corrente do tempo, tem sua particularidade e é único na história. Os anos também são diferentes uns dos outros. Assim como existe a cada Rosh Hashaná um julgamento de como será o próximo ano, assim dizem nossos sábios que existe uma retrospecção a cada Rosh Chodesh e a cada dia ao término do dia. Considerando que, dentro do tempo, o ano é o maior dado astronômico, a nossa atenção e preocupação estão dirigidas sempre na mudança de ano.

A uma conclusão vital e essencial a qual chegamos : saber valorizar o tempo e não desprezar nenhuma criatura. O tempo é muito importante e não pode ser desperdiçado. Cada dia, cada coisa, cada ser tem o seu lugar devido no mundo e não pode ser desprezado. E ao desejarmos a cada ano, em Rosh Hashaná, um novo ano, isto significa que devemos saber que as coisas se modificam e se restauram. Nossa tarefa é saber aproveitar estas novas oportunidades. A cada novo ano, temos novas chances para podermos nos regenerar espiritualmente, e novos portões se abrem perante nós, com visões diferentes e diversas novas realizações.


 
 Avraham Cohen

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Oração da esposa pelo seu esposo.



Logo após acender as velas de Shabat e recitar a benção e a oração.
a mulher Israelita em casa costuma fazer uma prece especial pelo seu 
Esposo.

 ORAÇÃO DA ESPOSA PARA SEU ESPOSO.

SEJA TUA VONTADE, ETERNO, NOSSO
 D'US E D'US DE NOSSOS
  PAIS, D'US DE AVRAHAM,
D'US DE ITZCHAK E D'US DE YAACOB, 
QUE SEMPRE GUARDES,
 PRESERVES E PROTEJA MEU
ESPOSO DE QUALQUER DANO, DESGRAÇA
 OU DOENÇA.
CONCEDE-LHE UMA BOA VIDA E LONGA,
 UMA VIDA DE RIQUEZAS
  E DE HONRAS.E CONCEDE-NOS DESCENDÊNCIA
 QUE SOBREVIVA, FILHOS
 IDÔNEOS E JUSTOS.
E IMPLANTA SEMPRE EM NÓS AMOR,
FRATERNIDADE, HARMONIA E
  AMIZADE.
ESTABELECE O AMOR POR  MIM NO CORAÇÃO
 DE MEU ESPOSO
  PARA QUE NÃO
PENSE EM NENHUMA MULHER QUE NÃO SEJA EU.
E IMPLANTE EM NOSSOS  CORAÇÕES O AMOR POR TI PARA QUE
  CUMPRAMOS.
TUA VONTADE E TE SIRVAMOS COM CORAÇÃO INTEGRO-COMO
 JUDEUS CORRETOS,
E PARA QUE FAÇAMOS ATOS DE RETIDÃO E BONDADE COM TEU
  POVO ISRAEL.
E ABENÇOA MEU ESPOSO COM A BÊNÇÃO COMPLETA,COM.
  MUITO VIGOR E PAZ,
TAL COMO SE DECLARA: 

 "QUE O ETERNO TE ABENÇOE E TE GUARDE;
QUE O ETERNO RESPLANDEÇA SEU ROSTO SOBRE TI E TE CONCEDA
 SUA GRAÇA,
QUE O ETERNO VOLTE SEU ROSTO PARA TI E TE CONCEDA PAZ".
E TAMBÉM SE DECLARA: "

 O ETERNO O PROTEGERÁ E O FARÁ VIVER......
                               E TERÁ ÊXITO NA TERRA."
                                               AMEM.


QUE ASSIM SEJA TUA VONTADE.



SÍDUR PARA A MULHER.:

VATITPALEL CHANÁ.

Bolo Shaná Tova..

ingrdientes:
4 ovos separados
1 copo de chá preto ou mate
1 colher(café) de nescafé dissolvido no chá
1 copo de mel (não muito espesso)
1 copo de óleo
1 copo de açucar
2 colheres (sobremesa) de fermento em pó
1 colher (sobremesa) de bicarbonato de sódio
1/2klg de farinha de trigo
raspas de um limão

preparo:

Bater as claras em neve e reservar.
Bater as gemas com o açucar ate formar um creme.
Acrescentar o óleo, o mel e os ingredientes secos peneiradas juntos.
Incorporar as claras de neve fora da batedeira.
Despejar a massa em forma retangular untada e enfarinhada.
Levar ao forno pré aquecido a 180 graus por 25-30 minutos.

Obs: pode ser banhado ou decorado com chocolate meio amargo derretido em banho maria.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Jejum dos primogênitos.


segunda-feira, dia 18/04/2011

Quando D'us matou os primogênitos do Egito,
 poupou o primogênito dos filhos de Israel
. Em gratidão a D'us, todos os primogênitos jejuam
 no dia que antecede Pêssach. Entretanto, para se
 isentarem do jejum, um primogênito de pai ou mãe deve
participar de um siyum (término do estudo de um tratado do Talmud)
 na sinagoga, imediatamente após Shacharit, a Prece da Manhã.
É costume que o pai (mesmo não sendo primogênito)
 esteja presente junto ao filho primogênito menor de treze anos.
 Os primogênitos não podem comer antes do siyum.

O que é chamêts..


Antes de começarmos a falar de Pêssach, é fundamental
 saber o que é um alimento denominado "Chamêts",
 já que durante os oito dias da festa, a lei judaica
 proíbe seu consumo ou possessão.
Chamêts é qualquer comida ou bebida
feita à base de trigo, centeio, cevada,
 aveia ou espelta, ou de seus derivados, mesmo
que em quantidade mínima, que é fermentado.
 A única exceção é a matsá, que é o pão não fermentado,
 pois foram tomadas precauções especiais para assá-la.
Entretanto, mesmo matsot para as quais não foram tomados
 cuidados estritamente minuciosos
 (para evitar o início do processo de fermentação) serão consideradas
chamêts.
Alimentos que durante o ano inteiro foram verificados, e
se enquadram dentro das rigorosas leis da dieta judaica, cashrut,
não são necessariamente também permitidos para Pêssach.
 Requerem preparação especial e só podem ser consumidos
 durante os oito dias da festa se contiverem em sua
embalagem o selo "Casher para Pêssach" emitido por um rabino ortodoxo.

O que não é chamêts...

  • Carne, aves, peixe
  • Todas as frutas
  • Todos os vegetais. (O costume entre os Ashkenazim
  •  é não comer feijões, ervilhas, arroz, milho e sementes
  •  em Pêssach, embora o seja permitido entre os Sefaradim.)
  • Produtos lácteos com apropriada supervisão
  • Casher para Pêssach.
  • Todos os alimentos embalados que
  • tenham supervisão rabínica ortodoxa que seja
  •  válida para Pêssach.

Horario para a queima do chamêts.

A partir das 9h30, não pode mais ser ingerido chamêts .
Este ano, 2011, a queima do chamêts

 deverá ser realizada até às 10h30 de
 segunda-feira, dia 18 de abril.
Não se deve ingerir nenhuma matsá,

vinho ou nada que será usado durante
 o sêder, antes do mesmo ser realizado.
Qualquer chamêts remanescente sem vender

 deve ser queimado. Informar-se com a
 sua sinagoga sobre o horário quando
o chamêts será queimado. Após o chamêts ser
 jogado ao fogo, a seguinte declaração é pronunciada:


"Todo fermento ou qualquer produto fermentado que
 esteja em meu poder, que eu tenha visto ou não, que
 tenha observado ou não, que tenha removido ou não,
seja considerado sem valor e sem dono
, como o pó da terra."

Como preparar a cozinha...


FOGÃO

Se possível, devem ser trocadas as grelhas. Caso contrário, devem ser aquecidas até ficarem incandescentes. A mesa do fogão deve ser limpa e casherizada posteriormente derramando sobre ela água fervente e passando uma pedra ou ferro em brasa para que a água continue fervendo. Após este procedimento, sugere-se cobrir a mesa do fogão com folha de alumínio. Se a mesa for esmaltada, deve ser bem limpa e depois coberta com uma folha de alumínio grossa ou chapa. As bocas devem ser bem limpas e depois o fogo é aceso no máximo para eliminar resíduos de chamêts. Os botões do gás devem ser retirados e limpos (há quem costume cobri-los com contact ou folha de alumínio).

FOGÃO ELÉTRICO

Deve ser aceso no máximo até a chapa avermelhar. Sobre a mesa restante joga-se água fervendo, passando na água uma pedra ou ferro incandescente.

FORNO

As grades devem ser aquecidas até ficarem incandescentes. O forno deve ser bem limpo com um produto especial que remova toda a gordura. Em seguida, deve ser aquecido na temperatura máxima durante duas horas. Se possível, as paredes internas devem ser revestidas, bem como o teto, o chão, a parede interna da porta com folhas de alumínio grossa.

FORNO AUTOLIMPANTE

Há dois tipos de autolimpante: aquele que chega até cerca de 500ºC se casheriza automaticamente, ao ser limpo na temperatura máxima até o final do ciclo. Porém, o forno que não chega a esta temperatura deve seguir a limpeza do forno normal.

FORNO DE MICROONDAS

Deve ser limpo internamente com produto de limpeza e ficar 24 horas sem uso. Em seguida, coloca-se um recipiente não usado nas últimas 24 horas com água limpa, deixando o forno ligado até formar bastante vapor. Se possível, este processo deve ser feito três vezes, enchendo o recipiente sempre com água fria. Depois disso, o interior deve ser limpo. Se possível, deve ser trocado o prato de vidro ou coberto com isopor ou plástico grosso. De preferência, ao usar este forno para cozinhar, é prudente cobrir por completo os alimentos.

PIA

Cubas de porcelana, cerâmica ou esmaltadas não podem ser casherizadas. Neste caso, devem ser limpas e cobertas com chapas especiais para Pêssach por todos os lados (pode ser usada folha de alumínio grossa, em duas camadas).
Cubas de metal, mármore ou granito podem ser casherizadas. Para tanto a pia não deve ser usada com alimentos quentes por 24 horas antes da casherização e deve ser meticulosamente limpa.
É jogado no ralo um produto desentupidor para destruir qualquer vestígio de chamêts.
Em seguida, seca-se a pia. Posteriormente, é despejada água fervente de uma chaleira ou panela nova, ainda borbulhando, atingindo todos os cantos da cuba, balcão, torneiras, ralos, etc.
Enquanto a água é despejada, deve-se passar sobre a pia uma pedra ou ferro incandescente para fazer a água borbulhar. É costume forrar a pia com folha de alumínio após a casherização.

LIQUIDIFICADOR, BATEDEIRA, MULTIPROCESSADOR

A máquina deve ser bem limpa e, de preferência, envolvida em papel alumínio. Um novo copo, novas faquinhas para o multiprocessador e liquidificador, e novas pás e tigelas para a batedeira devem ser compradas.

GELADEIRA E FREEZER

Devem ser descongelados e limpas as paredes internas, prateleiras e gavetas com um pano úmido e produtos de limpeza; na borracha da porta, deve ser usada uma escovinha também para melhor limpeza de resíduos infiltrados. Há o costume de cobrir as prateleiras com borracha, plástico ou alumínio.

ARMÁRIOS

Devem ser bem limpos e forrados.

MESAS E BALCÕES

Se possível, água fervente deve ser jogada à semelhança da pia; caso possa estragar a mesa, deve ser limpa e forrada. Basta limpar bem a mesa da sala, sobre a qual não se coloca nada quente com perigo de estragá-la, e cobri-la com uma toalha. A mesinha do cadeirão das crianças também deve ser casherizada. Pode ser coberta com papel contac.

TOALHAS DE MESA (MENOS AS DE PLÁSTICO) E GUARDANAPOS

De preferência devem ser reservados para uso exclusivo de Pêssach. Se não for possível, as bordas devem ser escovadas para retirar possíveis resíduos de chamêts, e as toalhas lavadas com água quente, sem engomar

Ingredientes do sêder.

 As principais mitsvot do Sêder são: comer matsá; narrar a história do Êxodo ao recitar a Hagadá e explicar o significado de três itens: Pêssach (cordeiro pascal), matsá e maror (ervas amargas); beber quatro taças de vinho; comer maror; e recitar o Halel (cântico de louvores a D'us).




Matsá


                     
Três matsot devem ser colocadas sobre a mesa dentro de um pano com divisões (ou coloca-se uma matsá em cima da outra, com guardanapos intercalados entre elas).
As três matsot simbolizam os três tipos de judeus: Cohen, Levi e Israel. Outro motivo é para que restem duas matsot inteiras mesmo quando a matsá central é quebrada, como em todo Shabat e Yom Tov, quando deve se ter dois pães na mesa 


                                                              
                                                                      Hagadá

                                                                                                                                                                        

É o eixo fundamental do Sêder, "Narrativa". Toda a ordem - Sêder - será feita através dos relatos e orientação da Hagadá. É preferível que todos tenham uma, ou dividam entre si, para que todos possam acompanhar a sua leitura.



Água salgada




Um recipiente com água salgada deve ser preparado de véspera; lembra as lágrimas que os judeus derramaram com o trabalho pesado no Egito.



                                                                          
                                                                                   Zerôa



O pescoço de frango grelhado simboliza o cordeiro pascal trazido ao Templo Sagrado na véspera de Pêssach. A carne do pescoço é removida e o osso queimado. O zerôa não é comido no decorrer do Sêder. Zerôa (literalmente, antebraço) remete ao fato de D'us haver tirado o povo do Egito com "Seu braço estendido".


                                                                                                 Ovo - Betsá

                                                 

   
Um ovo cozido duro é colocado no prato do Sêder para comemorar o sacrifício de Chaguigá, que foi oferecido junto com o sacrifício pascal no Templo.
O ovo é também um símbolo de luto, e expressa nosso sentimento de que, atualmente, estamos incapacitados de oferecer este sacrifício. Sua forma arredondada refere-se também ao ciclo de mudança, dessa maneira expressando nossa esperança de que o Templo será reconstruído em breve.


                                                        
                                                                                           Keará


Por cima das três matsot (cobertas) são colocados os seis itens que compõem a travessa do Sêder, a keará.
Esta travessa contém seis cavidades especiais onde são depositados cada um dos seis símbolos que serão utilizados no decorrer do Sêder de Pêssach.



Ervas amargas - maror




Simbolizam a amarga escravidão do povo judeu no Egito. Para o maror pode-se usar raíz-forte crua descascada e ralada; folhas de endívia; talos ou folhas de alface romana lavados e verificados; ou a combinação de todos.

                                                                                          Vinho ou suco de uva                                                       casher para Pêssach


                                                                        
Deve-se adquirir vinho tinto, pois todos deverão beber quatro copos no decorrer do Sêder. Pode-se beber suco, no lugar do vinho.
Um pouco de vinho ou suco debverá ser derramado ao ser pronunciada cada uma das dez pragas do Egito.


                                                         
                                                                                                  Charôsset



Maçãs, pêras e nozes liquidificadas ou raladas, misturadas com uma pequena quantidade de vinho tinto, lembram, na cor e consistência, a argamassa usada no Egito para fabricar tijolos.

            







                                                  

                                                                                                              Carpas- Cebolas                                                                                      ou batatas

A cebola crua (ou a batata cozida) é mergulhada na água salgada para despertar a curiosidade das crianças.
Os vegetais simbolizam o potencial de crescimento e renascimento e a água salgada, nas quais são mergulhados, recorda as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados no Egito.
A palavra hebraica "carpás", quando lida de trás para frente, simboliza os 600 mil judeus no Egito forçados a realizar trabalhos pesados (cada letra do alfabeto hebraico possui um valor numérico correspondente; a letra hebraica "sámech" é igual a 60, multiplicado por 10 mil; as outras três letras correspondem a pêrech - trabalho pesado). 


                                                        



                                                                                           Chazêret





Mais ervas amargas (das enumeradas para o maror) para serem ingeridas no "sanduíche" (vide item Corêch do Sêder).






Fonte: Beit Chabad.








































A história de Pessach.

A história de Pêssach inicia nos dias do patriarca Avraham (Abraão). Quando D'us prometeu um herdeiro a Avraham, cujas sementes seriam tão numerosas como as estrelas, D'us também informou-o do longo período de escravidão que seus descendentes sofreriam por 400 anos, até que fossem libertados.
O primeiro dos descendentes de Avraham a chegar ao Egito foi seu bisneto Yossef (José), cuja miraculosa ascensão de escravo à quase realeza é uma das mais inspiradoras narrativas da Torá. Na dramática história de Yossef e seus irmãos, podemos ver claramente a mão condutora da Divina Providência que levou Yaacov (Jacó) e sua família ao Egito.
A chegada de Yaacov e sua família no Egito foi uma marcha triunfal. Assim foi também a partida, 210 anos depois, de seus filhos, os filhos de Israel, do Egito. Esta era a diferença: a pequena família de setenta pessoas havia se tornado uma nação grandiosa e unificada de três milhões de almas, das quais, 600.000 homens adultos.
A história de Pêssach, termina no seu ponto alto em Shavuot, (festa da Outorga da Torá no Monte Sinai), é a história do nascimento de um "reino de sacerdotes e nação sagrada": O povo judeu.

A escravidão de Israel

Yossef e seus irmãos faleceram, e os filhos de Israel se multiplicaram na terra do Egito. Logo após o faraó também morreu, e um novo rei ascendeu ao trono. Ele não nutria simpatia alguma pelos judeus, e preferiu esquecer tudo o que Yossef havia feito pelo Egito.
Reuniu o conselho, e decidiu escravizar o povo e a oprimi-lo antes que se tornasse muito poderoso. O faraó lançou uma política que limitava a liberdade pessoal dos hebreus, impondo pesados impostos sobre eles, e recrutando os homens para trabalhos forçados, sob a supervisão de severos capatazes. Um dos atos mais atrozes foi a tortura das crianças judias. O faraó mandava embuti-las vivas entre as paredes das construções e tomava banho com seu sangue. Porém, quanto mais os Egípcios os oprimiam, quanto mais duras as restrições impostas sobre eles, mais os filhos de Israel cresciam e se multiplicavam.
Finalmente, quando o faraó percebeu que apenas escravizar os hebreus de nada adiantaria, decretou que todos seus bebês recém-nascidos do sexo masculino fossem jogados no rio Nilo. Apenas filhas tinham permissão para viver. Desta maneira, ele esperava acabar com o aumento da população judaica, e ao mesmo tempo, eliminar um perigo que, de acordo com as previsões dos astrólogos, ameaçava sua própria vida.

O divino embaixador

Os filhos de Israel não podiam mais suportar o terrível sofrimento e a perseguição nas mãos de seus cruéis opressores. Seu sofrimento e suas preces penetraram os céus. D'us lembrou-Se de Seu acordo com Avraham, Yitschac e Yaacov, e decidiu libertar seus descendentes do cativeiro.
Moshê tinha a idade de oitenta anos, e seu irmão Aharon oitenta e três, quando entraram no palácio do faraó. Este perguntou aos dois irmãos o que desejavam. A mensagem soou como uma ordem: "Assim disse o Senhor D'us de Israel: 'Deixe Meu povo ir, que eles Me oferecerão uma festa no deserto.'"
O faraó recusou desdenhosamente, dizendo que nunca tinha ouvido falar do D'us dos Israelitas, e que Seu nome não estava registrado na sua lista de deuses de todas as nações. Acusou ainda Moshê e Aharon de uma conspiração contra o governo, e de interferirem com o trabalho dos escravos hebreus. A um sinal de Moshê, Aharon então realizou os sinais milagrosos que D'us lhe tinha permitido realizar, mas o faraó não se impressionou muito, pois seus mágicos podiam fazer quase o mesmo.
No mesmo dia o faraó ordenou que seus capatazes aumentassem a opressão sobre os filhos de Israel, e sofreram ainda mais que antes. Em seu desespero, os filhos de Israel reprovaram Moshê amargamente, por piorar ainda mais a sua situação.
Profundamente ferido e desapontado, Moshê rezou a D'us que o consolou e assegurou-lhe que sua missão teria sucesso, mas não antes que o faraó e todos do Egito fossem assolados por terríveis pragas, para que fossem punidos. Todos então veriam e reconheceriam D'us fiel e verdadeiro.

As dez pragas

Quando o faraó continuou recusando-se a libertar os filhos de Israel, Moshê e Aharon avisaram-no de que D'us puniria tanto a ele como ao povo egípcio. Primeiro, as águas do Egito se transformariam em sangue. Moshê caminhou com Aharon até o rio. Lá chegando, Aharon levantou seu cajado, golpeou as águas e transformou-as em torrentes de sangue. Foi impossível para eles beberem da água do Nilo. Infelizmente para os egípcios, não apenas as águas do Nilo mas todas as águas do Egito transformaram-se em sangue. Os peixes morreram nos rios e lagos, e por uma semana inteira homens e animais sofreram horrível sede. Nem assim o faraó cedeu.
Após o devido aviso, a segunda praga chegou. Aharon estendeu a mão sobre as águas do Egito, que ficaram apinhadas de sapos. Cobriram cada pedaço do solo, entrando nas casas e nos quartos! Para onde quer que um egípcio se voltasse, qualquer coisa que tocasse, lá se deparava com escorregadios corpos de sapos, cujo coaxar enchia os ares. Desta vez o Faraó amedrontou-se, e pediu a Moshê e Aharon que rezassem a D'us para que o incômodo fosse removido, prometendo libertar imediatamente o povo judeu. Porém, assim que os sapos desapareceram, quebrou a promessa e recusou-se a deixar os filhos de Israel irem embora.
Então D'us ordenou a Aharon que golpeasse o pó da terra com seu cajado, e assim que ele o fez, piolhos vindos do solo rastejaram até cobrirem todo o chão. Homens e animais tiveram indizível sofrimento com esta praga terrível, mas o faraó endureceu o coração e permaneceu incansável na sua determinação de manter os filhos de Israel no cativeiro.
A quarta praga a atormentar os egípcios consistiu de bandos de animais selvagens perambulando por todo o país, destruindo tudo que havia em seu caminho. Novamente o faraó prometeu deixar os judeus irem para o deserto, com a condição que não fossem muito longe. Moshê rezou a D'us, e os animais selvagens desapareceram. Mas, assim que eles sumiram, o faraó retirou sua promessa e recusou-se a atender ao pedido. Então D'us mandou uma peste fatal que matou a maioria dos animais domésticos dos egípcios. todos os rebanhos dos campos foram golpeados e até os animais que eles adoravam como deuses derrotados pela praga! Tinham, além disso, a humilhação de ver os animais dos israelitas totalmente imunes. Apesar disso, o faraó ainda não se comovera, e não quis deixá-los livres.
Seguiu-se a sexta praga, que foi tão dolorosa e abominável que atingiu o povo do Egito com horror e agonia. D'us ordenou a Moshê que pegasse cinza da fornalha, e a jogasse em direção ao céu: então bolhas estouraram na pele dos homens e animais do Egito.
Moshê anunciou ao rei que uma tempestade de granizo com violência nunca vista assolaria a terra; nenhum ser vivo, nenhuma árvore ou arbusto escaparia incólume à tamanha fúria; o único lugar para se proteger seria dentro das casas; aqueles, portanto, que acreditassem e estivessem temerosos deveriam ficar sob a proteção de seus tetos, e abrigar o gado nos estábulos. Ao estender seu cajado para a frente, o granizo caiu com violência; e choveu fogo sobre o chão destruindo tudo. Então o faraó mandou chamar Moshê e reconheceu que tinha pecado. "O Senhor é justo," disse ele, "Suplique ao Senhor, pois isso já é demais, para que não haja mais granizo; e eu o deixarei sair." Moshê replicou: "Quando eu sair da cidade, elevarei minhas mãos ao Senhor; o trovão cessará, e não haverá mais granizo, e você saberá que D'us é o Senhor da terra." Assim ocorreu, mas logo após, o faraó permaneceu irredutível.
Da próxima vez que Moshê e Aharon foram ao faraó, este pareceu ter abrandado de certa forma, e perguntou-lhes quem iria participar no culto que os israelitas fariam no deserto. Quando lhe disseram que todos sem exceção, jovens e idosos, homens, mulheres e animais iriam, o faraó sugeriu que apenas os homens deveriam ir, e que as mulheres e crianças, bem como seus pertences, deveriam ficar no Egito. Moshê e Aharon não podiam aceitar esta oferta, e o faraó enfureceu-se, ordenando-lhes que deixassem o palácio. Antes de sair, Moshê advertiu-o sobre novos sofrimentos e punições. Porém o faraó permaneceu inflexível.
Tão logo Moshê deixou o palácio, levantou os braços aos céus. Um vento leste trouxe nuvens de gafanhotos ao Egito, cobrindo o sol, e devorando cada folha verde que porventura tivesse escapado ao granizo e às pragas anteriores. Nunca na história da humanidade houvera uma praga de gafanhotos tão devastadora como esta. Trouxe ruína total ao Egito, o qual já tinha sido totalmente destruído pelas catástrofes precedentes. Novamente o faraó mandou chamar Moshê e Aharon, implorando a eles que orassem a D'us para que cessasse esta praga. Moshê assentiu, e D'us mandou um forte vento oeste que levou os gafanhotos para o mar. Quando tudo amainou, a obstinação do faraó voltou, e recusou-se a liberar o povo de Israel.
Então seguiu-se a nona praga. Por seis dias, todos no Egito foram envoltos num véu impenetrável de escuridão e que até extinguia todas as luzes que se acendessem. Os egípcios foram tomados de pavor, permanecendo presos aos lugares em que se achavam sentados ou de pé.
Novamente o faraó tentou barganhar com Moshê e Aharon, permitindo que partissem com todo o povo, deixando para trás apenas os rebanhos como penhor. Moshê e Aharon o informaram, entretanto, que não aceitariam nada menos que liberdade total, para os homens, mulheres, animais e crianças, e que levariam todos os pertences com eles. Novamente o faraó se enfureceu e ordenou a Moshê e Aharon que fossem embora para nunca mais voltar. Avisou-os de que se tentassem novamente aparecer diante dele, morreriam. Moshê replicou que não seria necessário para eles procurar o faraó, pois D'us mandaria ainda uma praga ao Egito, após a qual o faraó daria permissão incondicional para que os filhos de Israel deixassem o Egito.
Exatamente à meia-noite, continuou Moshê, D'us passaria sobre o Egito e golpearia todos os primogênitos, homens e animais. Quanto aos filhos de Israel, no entanto, nenhum seria tocado. Um grito amargo percorreu o Egito, e todos os egípcios foram tomados pelo terror, pois tinham medo de morrer. Então o próprio faraó procurou os líderes dos hebreus, e implorou que abandonassem o Egito sem mais demora!
Com estas palavras, Moshê e Aharon deixaram o faraó.

Pêssach: um mandamento divino

No primeiro dia do mês de Nissan, duas semanas antes do Êxodo do Egito,
D'us disse a Moshê e Aharon: "Este mês será para vocês o começo dos meses; será o primeiro mês do ano para vocês. Vão e falem à toda a congregação de Israel: no décimo dia deste mês, cada homem deverá tomar um cordeiro, conforme a casa de seus pais, um cordeiro para cada família; e deverá mantê-lo até o décimo quarto dia do mesmo mês; e toda a assembléia da congregação de Israel deve abatê-lo ao anoitecer. Deverão pegar o sangue e transportá-lo para as casas onde deverão comê-lo. Comerão a carne naquela noite, tostada ao fogo, com pão ázimo; comê-lo-ão com ervas amargas... E não deixarão sobrar nada até a manhã; mas aquilo que sobrar até a manhã deverá ser queimado com fogo. E assim deverão comê-lo: com a cintura cingida, com sapatos nos pés e o cajado na mão; e devem comê-lo com pressa, - é o Pêssach do Senhor. E quando Eu vir o sangue, passarei sobre vocês, e não haverá praga que os destrua, quando Eu golpear a terra do Egito. E este dia será para vocês um memorial, e deverão celebrá-lo como uma festa do Senhor, através de todas as gerações.
".... vocês deverão comer pão ázimo, e jogar fora todo fermento de suas casas. E seus filhos dirão a vocês: O que isto significa? Vocês dirão: É o sacrifício de Pêssach a D'us, que passou sobre as casas dos filhos de Israel no Egito quando Ele golpeou os egípcios e poupou nossas moradas."
Tudo isso foi dito por Moshê aos filhos de Israel, e eles fizeram como D'us lhes ordenara.
Veio a meia-noite de quatorze para quinze de Nissan, e D'us golpeou todos os primogênitos na terra do Egito, do primeiro filho do faraó ao do prisioneiro nas masmorras; e todos os primogênitos dos animais, como Moshê havia avisado. Houve um lamento pungente e ensurdecedor, pois em cada casa um ente amado caíra golpeado de morte. Então o faraó procurou Moshê e Aharon naquela mesma noite, e lhes disse: "Levantem-se, saiam de perto de meu povo, vocês e os filhos de Israel; vão, sirvam ao Senhor como desejam; tomem seus rebanhos, como disseram, e vão, e me abençoem também." Finalmente o orgulho do Faraó fora quebrado.
Enquanto isso, os hebreus estavam se preparando para sua apressada partida. Com os corações batendo, reuniram-se em grupos para comer o cordeiro pascal. Participaram da refeição da meia-noite, preparada conforme as instruções de Moshê. As mulheres tiraram dos fornos os pães ázimos, que foram comidos com a carne grelhadas dos cordeiros. O sol já havia se erguido no horizonte quando, à palavra de comando, toda a nação dos hebreus avançou. Mas nem mesmo em meio ao perigo, esqueceram o penhor dado por seus ancestrais a Yossef, e carregaram seus restos mortais com eles, para enterrá-los mais tarde na Terra Prometida.
Dessa maneira os filhos de Israel foram libertados do jugo de seus opressores no dia 15 de Nissan, no ano 2448 após a criação do mundo. Havia 600.000 homens acima de 20 anos de idade que, com suas mulheres, crianças e rebanhos, cruzaram a fronteira do Egito para serem uma nação livre. Muitos egípcios e outros não-judeus juntaram-se aos triunfantes filhos de Israel, esperando partilhar de seu glorioso futuro. Os filhos de Israel não deixaram o Egito de mãos vazias. Além de seus próprios bens, os aterrorizados egípcios haviam entregado a eles seus valores em prata e ouro, vestimentas, num esforço de apressar sua partida. Dessa maneira D'us cumpriu em cada detalhe Sua promessa a Avraham de que seus descendentes deixariam o exílio com grandes riquezas em recompensa aos 210 anos de trabalhos forçados.
Liderando o povo judeu na sua jornada durante o dia havia uma coluna de nuvem, e à noite, uma coluna de fogo iluminando o caminho. Estes mensageiros Divinos não apenas guiavam os filhos de Israel, como também preparava o caminho à sua frente, tornando-o fácil e seguro.

A travessia do mar vermelho

A rota mais curta dos filhos de Israel para a terra Prometida teria sido através do país dos filisteus, mas isto teria envolvido o povo numa guerra contra os filisteus e talvez os filhos de Israel, que haviam acabado de se livrar de séculos de escravidão, não estivessem suficientemente fortes para lutarem como homens livres; poderiam resolver pela volta ao Egito, para não enfrentarem uma guerra sangrenta. Por isso, D'us levou-os por um caminho através do deserto em direção ao Mar Vermelho.
Em três dias, o faraó recebeu notícias do progresso dos filhos de Israel. Agora arrependia-se por ter permitido que se fossem. Por esse motivo, mobilizou seu exército e liderou pessoalmente a cavalaria e os carros de guerra mais selecionados, em furiosa perseguição a seus antigos escravos. Alcançou-os perto das margens do mar Vermelho, e pressionou-os contra a água, num esforço para impedir-lhes de escapar.
Alguns grupos do povo judeu estavam prontos a combater os egípcios: outros preferiam afogar-se no mar ou fugir para o deserto, que arriscar-se a uma derrota e a volta à escravidão. Outras começaram a reclamar contra Moshê, temendo que ele os tivesse tirado da segurança do Egito para morrer no deserto. "Porque não havia túmulos no Egito," exclamaram, "você nos tirou de lá às pressas para morrermos no deserto? Por que motivo nos tirou de lá? Por acaso não lhe dissemos no Egito: 'Deixe-nos em paz, que serviremos aos egípcios? Pois é melhor para nós servirmos aos egípcios do que morrermos no deserto'".
Porém Moshê, calmo e firme num dos mais difíceis momentos de sua vida, disse: "Não tenham medo, fiquem firmes e vejam a salvação do Senhor, que Ele mostrará hoje a vocês".
Moshê liderou os israelitas até que chegaram bem às margens do mar Vermelho. A coluna de nuvens então trocou de posição: mudando da frente para trás das hostes hebraicas, flutuou entre os dois exércitos.
Então D'us falou a Moshê: "Levante seu cajado, estenda a mão sobre o mar, e o divida; e os filhos de Israel caminharão sobre o fundo do mar como em terra seca." Moshê fez como D'us lhe ordenara. Levantou o bastão, estendendo a mão sobre o mar; levantou-se um forte vento leste que soprou por toda a noite. Com aquela tempestade, as águas do Mar Vermelho se dividiram, formando doze passagens, uma para cada tribo, juntando-se em paredes de água de cada lado, deixando doze trilhas secas no meio. Os israelitas marcharam ao longo destes caminhos secos que se estendiam de uma praia à outra.
Os egípcios continuaram sua perseguição, sem hesitar, pela mesma trilha. Porém as rodas de suas carruagens ficaram bloqueadas no fundo do mar. Não puderam continuar; sentiram que mais uma vez, estavam lutando em vão contra o Senhor. Voltaram-se para fugir, mas era tarde demais; a um comando de D'us, Moshê estendeu o cajado e as águas retomaram seu curso normal, fechando-se sobre os carros, cavalos e guerreiros, sobre todo o exército do faraó. Dessa maneira D'us salvou os filhos de Israel dos egípcios naquele dia. Israel testemunhou Seus grandes poderes; reconheceram D'us e acreditaram n'Ele e no seu servo Moshê. Então Moshê e toda a congregação cantou a Canção de Louvor a D'us pelo seu resgate maravilhoso.