sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Em cada geração, uma cura é necessária.



Vivemos como nos dias de Abraão, onde havia um adormecimento, porém talvez muito pior do que naquela época, pois hoje ele é gerado pela necessidade do excesso.
Para mim, o necessário é o suficiente e, por meio deste, eu encontrei a cura.
Quando tudo vale a pena? Quando D'us nos recitar um hino de gratidão e então, damos significado a existência.
"O Midrash Shocher Tov interpreta o Salmo 110 como um hino de gratidão que D'us recitou para Abraão. D'us fala a Abraão e o chama "Meu mestre!". O Midrash explica: Rabi Reuven disse que as nações estavam num adormecimento que as impedia de se colocarem sob as asas da Presença de D'us. Quem as despertou para vir? Abraão! O conceito de benevolência também estava adormecido e Abraão o despertou, pois ele abriu uma pousada e convidou os passantes a partilharem sua mesa.
O próprio D'us estava em débito com Abraão, porque até Abraão proclamar D'us como Senhor, o propósito da Criação tinha sido frustrado. D'us criou o universo de modo que o homem pudesse percebê-lo e apreciar Suas obras. Até a época de Abraão, no entanto, o mundo falhou em alcançar este propósito, porque os homens estavam esquecidos de D'us. Ensinando o mundo a reconhecer D'us, Abraão deu significado à existência."
"D'us também chamou Abraão "Meu mestre", porque Abraão tinha presenteado D'us com um presente que Ele, a despeito de Seu poder infinito, não podia moldar para Si mesmo. Porque o homem é uma criatura de livre-arbítrio e D'us não pode garantir que o homem escolherá o bem sobre o mal e a verdade sobre a falsidade."
"A missão de Abraão foi continuada por David e será completada pelo Mashiach."
 Trecho retirado do livro: 'Tehilim Ner Yossef'  - O Livro dos Salmos

PARASHÁ YITRÔ

A porção de Yitrô inicia-se com o sogro de Moshê, Yitrô, chegando ao acampamento do povo judeu no deserto, onde é saudado calorosamente por grande quantidade de pessoas. Yitrô desejou juntar-se a eles quando ouviu falar de todas as maravilhas e milagres que D'us realizara para o povo judeu durante o êxodo do Egito.
Quando vê que Moshê está agindo como único juiz do povo desde o amanhecer até a noite, Yitrô declara que este sistema jamais funcionará. Sugere, portanto, que juízes subordinados sejam designados para julgar os casos menos importantes. Moshê concorda com este plano.
O povo judeu chega ao Monte Sinai e prepara-se para receber a Torá. Moshê escala a montanha e D'us lhe diz para transmitir ao povo de que serão para Ele como um tesouro entre as nações. Após três dias de preparação, finalmente chega o momento da revelação, e em meio a trovões, raios e o som do shofar, D'us desce sobre a montanha e proclama os Dez Mandamentos.
Moshê então sobe à montanha para receber o restante da Torá de D'us, tanto a parte escrita como a oral. A porção é concluída com várias mitsvot referentes à construção do Altar no Templo.
Poucas leituras semanais da Torá recebem o nome de uma pessoa; portanto, sempre que esta associação é feita, ela demanda especial atenção. E se isto for verdade em relação às outras leituras da Torá, certamente se aplica à Parashá Yitró, a história da entrega da Torá. Chamar a porção de Yitró indica uma conexão entre ele e os acontecimentos.
Quem foi Yitró? A Torá o descreve como o kohen de Midian. Nossos Sábios oferecem duas definições para a palavra kohen:
a) “Governante”. Yitró governava a terra de Midian.
b) ”Sacerdote”. Ele liderava os midianitas em sua devoção. De fato, nossos Sábios relatam que Yitró tinha reconhecido todas as falsas divindades no mundo.
A conexão entre a primeira interpretação e a entrega da Torá é óbvia, pois ela reflete a extensão do compromisso de Yitró. Apesar de ele ter vivido com riqueza e conforto, ele estava preparado para viajar para o deserto para ouvir as palavras da Torá4. Mas a segunda interpretação é problemática. Nossos Sábios nos ensinam5 que é proibido dizer a um convertido: “Lembre de teus atos anteriores”.
Identificando as Divindades, Reconhecendo D’us
Para resolver esta questão, é necessário entender a origem da idolatria. O Rambam escreve6:
Durante a época de Enosh, a humanidade cometeu um grande erro... Eles disseram que D’us criou as estrelas e esferas para, com elas, controlar o mundo. Ele as colocou no alto e as tratou com honra... Consequentemente, é adequado [ao homem] louvar e glorificar [estas entidades] e tratá-las com honra.
Assim, a adoração de falsas divindades tem suas raízes em um mal-entendido – a de que D'us influencia este mundo por meio de intermediários.
Nossos Sábios comentam: “Não há nenhuma folha de grama neste plano [material] que não tenha uma força espiritual compelindo-a a crescer”. Adoradores de ídolos, entretanto, atribuem autoridade independente a esses intermediários, achando que eles têm controle sobre a influência que espalham. Na verdade, esses “deuses” são meramente “um machado na mão de um lenhador”, sem nenhuma importância ou vontade própria e, portanto, é errado e proibido adorá-los.
Ao dizer que Yitró tinha reconhecido todas as falsas divindades no mundo, nossos Sábios indicam que ele tinha consciência de todos os diferentes meios pelos quais D’us canaliza a energia para o mundo. Apesar de seu conhecimento desses poderes espirituais, ele rejeitou sua idolatria declarando: “Abençoado seja D'us... Agora eu sei que D’us é maior que todas as divindades”.
O Microcosmo Encorajando o Macrocosmo
O reconhecimento de D’us por Yitró não foi meramente uma questão pessoal. Suas palavras de louvor produziram “a revelação de D'us em Sua Glória nos mundos superiores e inferiores. Depois disso, Ele entregou a Torá, em perfeita [confirmação de] Seu domínio sobre toda a existência”.
O reconhecimento individual de D’us por Yitró expressou o propósito da entrega da Torá. Isto preparou o macrocosmo, o mundo em geral, para uma revelação como esta.
Explicando: O Rambam declara que “a Torá foi dada somente para criar paz dentro do mundo”. Entretanto, a paz não é o objetivo da existência da Torá; a Torá existia antes da criação do mundo. Ela é a sabedoria de D’us, unida com Ele.
Portanto, assim como D’us transcende o conceito de propósito, também assim faz a Torá. O Rambam, entretanto, focaliza não sobre o objetivo da própria Torá, mas sobre a entrega da Torá – porque a Torá foi concedida aos mortais. Ele explica que a Torá foi dada não somente para espalhar a Luz Divina, mas para cultivar a paz.
Quando os Pares se Encontram
A paz se refere à harmonia entre opostos. Em um certo sentido, ela se refere à solução da divisão entre o físico e o espiritual, o movimento adiante que torna possível um mundo no qual a presença de D’us não está visivelmente evidente para reconhecer e ser permeado pela verdade de Sua Existência.
Sobre o versículo “Os céus são os céus de D'us, mas a terra Ele deu aos filhos do homem”, nossos Sábios explicam que, originalmente, havia um decreto Divino separando o físico do espiritual, isto é, a natureza da existência material nos afastava da verdadeira apreciação da realidade espiritual. No momento da entrega da Torá, entretanto, D’us “anulou esse decreto” e permitiu que a união fosse estabelecida entre as duas.
Além disso, a verdadeira paz envolve mais do que a mera negação da oposição. A intenção é que as forças que existiam previamente ao acaso devem reconhecer algo em comum e se unirem em atividades positivas. Da mesma forma, a paz que a Torá estimula não envolve meramente uma revelação da Divindade tão grande que o mundo material seja forçado a reconhecê-la. Em vez disso, a intenção da Torá é produzir uma consciência de D’us dentro do contexto do próprio mundo.
Existe Divindade em todo elemento da existência. A todo o momento, a Criação está sendo renovada; se a energia criativa de D'us faltasse, o mundo voltaria ao nada absoluto. A Torá nos permite apreciar essa Divindade interior e nos capacita a viver em harmonia com ela.
Em um sentido pessoal, o reconhecimento por Yitró da supremacia de D’us cumpriu esse objetivo. De seu envolvimento com “todas as falsas divindades do mundo”, ele chegou a um profundo reconhecimento da soberania de D'us. A transformação de Yitró tornou possível a entrega da Torá que, por sua vez, transforma o mundo.
Da Escuridão à Luz
O Zohar associa a transformação da existência material com o versículo “Eu vi uma vantagem da luz sobre a escuridão”. A palavra Yisaron (compartilhando a mesma raiz que o nome Yitró), traduzida como “vantagem”, também pode ser entendida como “qualidade superior”. Assim, o versículo pode ser interpretado como indicando que a luz que vem da transformação da escuridão possui uma qualidade superior.
Há duas implicações disto. Primeiramente, que a transformação da escuridão resulta em uma maior qualidade da luz do que a que seria revelada e, em segundo, que essa luz superior não se opõe ao mundo material. Ao contrário, a escuridão do mundo é sua fonte.
O Caminho para a Redenção
O Tanya descreve a entrega da Torá como um prelúdio da Era da Redenção. Quando a Torá foi dada, toda a existência ficou em um estado de absoluta unidade com D’us.
No momento da entrega da Torá, entretanto, a revelação dependeu da iniciativa de D’us. Já que o mundo ainda não tinha sido refinado, sua natureza se opôs à manifestação da Divindade e, assim, a revelação milagrosa não permaneceu. Nos séculos que se seguiram, entretanto, a observância da Torá e às suas mitzvot pela humanidade tem lentamente costurado a Divindade no tecido do mundo. Na Era da Redenção, a separação será permanentemente dissolvida e nós perceberemos que nosso mundo é a moradia de D’us.
Bendito seja o Eterno, o D’us de Israel.
Judaísmo faz bem!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Mandamentos.

Todo homem, judeu ou não, tem mandamentos a cumprir; no caso do judeu são 613 mandamentos, dos quais alguns se aplicam somente a sacerdotes (cohanim), reis, e a terra de Israel, porém é adequado que saibamos todos; já o não judeu possui apenas as 7 leis Noeticas (Universais) e suas derivações.
Hoje é comum ouvirmos que as mitsvot outorgadas no Sinai são impossíveis de se cumprir e/ou que o Eterno mudou Sua Lei dando-nos uma "nova". Porém, o que as Escrituras dizem a respeito?
Para esta pergunta obtemos resposta em Devarim (Deuteronômio) 30: 10-16: "Por que este mandamento que te ordeno hoje não te é encoberto nem está longe de ti. Não está nos céus para dizeres 'Quem subirá por nós aos céus, para que o traga a nós e nos faça ouvi-lo para que o observemos?' Nem está no mar, para dizeres 'Quem passará por nós além do mar, para que o traga a nos e nos faça ouvi-lo, para que o observamos?' Pois isso está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para que o observe." Ou seja, é um equívoco, para não dizer uma sandice, dizer que a Lei é impossível de se cumprir. Obviamente tais coisas só podem vir de quem não conhece a Torá e tampouco a ama e, por conseguinte, não ama ao Criador, pois na verdade Ele e Sua Torá estão "interligados". Quero ressaltar "em tua boca" e "em teu coracao": pois pra que a Lei esteja em "nossa boca" temos que conhecê-la à fundo, dominá-la; e amá-la, pra que esteja em "nosso coração".
O cumprimento dos mandamentos, além de expressarem nosso amor e submissão ao nosso Criador, servem para nos refinar e dominar nossos maus instintos. Se outrora não nos fosse dito o certo e o errado, o mundo seria um caos! Justiça, amor e é ética não passariam de "teorias". Pessoas matariam, estupraram e fariam toda sorte de maldade sem o mínimo sentimento de culpa (um caos muito além do que é hoje). Os mandamentos e a ética estão aqui para mostrar-nos o que devemos fazer ("mitsvot assê": mandamentos "faça") ou não ("mitsvot lô ta'assê": mandamentos "não faça"). Mesmo uma pessoa que cresceu em caminhos tortuosos, tendo maldade e egoísmo em seu coração desde a mais tenra idade, pode ter sua alma limpa desde que se dedique arduamente a prática das mitsvot - ainda que sem amor, pois a prática leva à perfeição, e todo homem foi feito à imagem e semelhança de seu Criador: não fisicamente na aparência humana, mas no quesito bondade, justiça, amor, misericórdia,... enfim, todos esses atributos "Divinos" são possíveis ao homem, desde que este queira. Possuímos uma faísca Divina que jamais se apaga e que está sempre ali pra ser reacesa, para que venhamos revelar a nossa imagem semelhante do criador.

Por Hannah Martins

sábado, 2 de janeiro de 2016

Benção de Paz.

Faze recair uma grande paz, bem-estar e benção, vida, graça e misericórdia sobre nós e sobre todo o Teu povo Israel, e abençoa-nos a todos conjuntamente com a Luz da Tua Presença; porque com o fulgor dessa mesma Presença deste-nos, Eterno, D'us nosso, leis para a vida e amor benevolente, justiça e misericórdia, benção e paz; e seja agradável a Teus olhos abençoar-nos e abençoar o Teu povo Israel em todo o tempo e em todos os lugares, as bençãos da Tua paz.

---- Sidur

Um velho samurai.

Conta a lenda, que perto de Tóquio vivia um Grande Samurai, já idoso, que se dedicava a ensinamentos zen aos jovens guerreiros. Apesar de sua idade, havia o mito de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama. O velho não aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade, e o mestre respondeu:

_ Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?

_ A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.

_ O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos, concluiu o Velho Samurai.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir.

“A calma na luta é sempre um sinal de força e confiança, enquanto a violência, pelo contrário, é prova de fraqueza e de falta de confiança em si mesmo”.