quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Fé e esperança.

A seguinte história, é mais um episódio pelo qual passamos e será sempre lembrada como mais um ato de heroísmo do povo judeu, nos momentos mais obscuros da humanidade.

PRIMAVERA DE 1944, o horror do terror Nazista chegou ao norte da Transilvânia, incluindo a província de Marmurese e a cidade de Leordina. Os nazistas enfileiraram todos os judeus matando vários no processo, e deportando os remanescentes para o campo de morte infame de Auschwitz.

Yechezkel Klein, sua esposa, Devorah, e seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, estavam entre aqueles que foram cruelmente tirados de suas casas e vidas.  Os nazistas eram rudes na sua crueldade: a chegada em Auschwitz trazia a morte imediata para a jovem mãe e seus filhos, e um horror trágico para Yechezkel, um jovem de 28 anos de idade. Um chassid e um estudioso do Talmud, que sentava e estudava na Yeshivah de Sigit, suas mãos que estavam acostumadas a virar páginas dos textos clássicos da Torá dia e noite não sabiam nada do que era o trabalho pesado e manual.

Os alemães escolhiam os homens jovens e fortes para quebrá-los de tanto trabalho pesado. Yechezkel Klein teve que trabalhar numa pedreira quebrando pedras. Ele era forçado a trabalhar por horas sem fim com poucos farelos de pão para se alimentar.  Seu coração estava pesado com a perda de sua esposa e filhos.  Yechezkel, como muitos outros, trabalhava pesado, cumprindo ordens sem pensar, existindo apenas pelo instinto de sobrevivência.  E, no entanto, no meio de tantos horrores, ele se esforçou para cumprir as mitsvot, o máximo que podia, sabendo que cada dia poderia ser seu último.

Ele escondeu seus Tefilin bem e se levantava todos os dias cedo para colocá-los, rezando para D’us deixar a ele, e seus amigos, sobreviverem de algum modo a miséria que era constante naquele inferno.

Seus Tefilin, eram grandes e dificeis de esconder. Ele fazia o possivel.

Um dia, enquanto estava vestido com o Tefilin, um dos guardas nazistas irrompeu nos barracões.  Gritando ao ver um judeu envolvido com Tefilin. A besta nazista começou então a bater na cabeça de Yechezkel com o fundo de seu rifle, mais e mais, chutando e pisando no seu corpo estendido no chão.  Ele não parou até que o corpo de Yechezkel estivesse coberto de sangue e inconsciente no chão.  Milagrosamente, ele recuperou consciência algum tempo depois, no dia seguinte, percebendo o quão perto tinha estado de partir desse mundo, e sabendo que tinha que achar um modo melhor de esconder seus Tefilin,

Cada dia trazia mais mortes em Auschwitz, seja pela brutalidade dos nazistas, por doença ou fome, ou pelo sofrimento dos corações e corpos quebrados. Uma dessas mortes deixou um par de Tefilin menores e bem mais fáceis de esconder. Deixando de lado toda a ligação sentimental com seus Tefilin que tinha desde o seu bar-mitsvah Yechezkel os trocou pelos Tefilin daquele mártir de Auschwitz.

JANEIRO DE 1945 trouxe o avanço das tropas russas.  Os comandantes de Auschwitz apressaram a matança de quantos mais pudessem, mandando mais de 58 mil prisioneiros para as marchas da morte. Nos últimos dias de Janeiro os russos liberaram Auschwitz encontrando 600 corpos que os nazistas tinham matado nos seus esforços frenéticos ao evacuar o campo na sua retirada.

Também encontraram 7.650 prisioneiros sobreviventes, doentes e famintos. Desses, os russos pegaram todos os que trabalharam no campo, os consideraram conspiradores com o inimigo e os mandaram para a Siberia como prisioneiros de guerra, junto com oficiais e soldados alemães que ficaram para trás.

Yechezkel Klein estava entre os injustiçados. Fraco, quebrado, ele ficou preso junto com outros 200 judeus, prisioneiros do exército russo.

Na viagem até a Siberia as condições eram as piores possiveis. Num dia, um soldado nazista caiu na neve fervendo de febre. Sedento de água naquele estado, ele implorou para as pessoas ao seu lado que lhe dessem um pouco de água. Todos sabiam que com essa doença, beber água traria uma morte rápida e dolorosa.  Cheio de amargor e sem esperança com sua própria situação, Yechezkel pegou neve e deu para o soldado caído. “Que ele tenha o que quer e morra”, ele pensou.

Logo depois o soldado realmente morreu.

Chegando na Siberia no meio do inverno terrível, Yechezkel continuou colocando os Tefilin mesmo naquele momentos turbulentos.

NUMA MANHÃ, PERTO DO FIM DE 1946, enquanto Yechezkel estava envolvido nos seus Tefilin, com seus olhos fechados, rezando de coração, ele de repente ouviu o estrondo de botas pesadas no chão ecoando pelos corredores vazios daquele prédio deserto.  Não tinha onde se esconder ou para onde fugir. O som aumentava até que Yechezkel resolveu fechar os olhos e rezar com todo o seu coração, lágrimas escorreram de seus olhos, as palavras do Shemá Yisrael sairam de seus lábios antecipando o momento final tão certo.

O tempo parou, o silêncio era absoluto, Yechezkel mantinha seus olhos apertados e fechados, esperando pelo tiro.

O que ele sentiu foi um tapinha na sua bochecha.  ”Shhhh… não vou te machucar.  Você ficará bem.”

Ele ouviu as palavras suaves em russo, e pensou que deveria estar sonhando. Ele abriu seus olhos e se viu face-a-face com um oficial russo.

O oficial lhe olhava com um sorriso nos lábios e lágrimas nos seus olhos.  Percebendo que o oficial deveria ser também judeu, Yechezkel começou a chorar agora incontrolavelmente.  O oficial também chorou, dizendo que se recordava de seu avô de pé colocando seus Tefilin e rezando.

“Diga-me, o que posso fazer para te ajudar meu irmão,” o oficial implorou.

“Você pode nos ajudar a nos libertar? Nós somos 18 judeus no total, que ainda sobrevivemos dos 200 que foram tirados de Auschwitz há quase um ano.  Só queremos voltar para nossas casas e viver algum tipo de vida.

Você pode nos ajudar?” Perguntou com esperanças, Yechezkel.

Ele prometeu fazer o possivel e duas semanas depois Yechezkel Kein e outros 18 judeus que sobreviveram foram libertados da Sibéria temível.  Fracos mas vivos chegaram até suas casas para reconstruir suas vidas das cinzas da tragédia.

Yechezkel Kelin foi para Leordina onde casou com sua segunda esposa, Leah.  Juntos foram para Israel. Sua filha Chaya Beila nasceu em Chipre no caminho de Israel. Seu filho Moshe já na terra prometida, onde Yechezkel passou todo momento que tinha imerso nos livros sagrados da Torá.

Yechezkel teve o mérito e prazer de ver seus filhos crescerem e se casarem, embora sua saúde nunca tenha se recuperado. Infelizmente ele não viu todos os seus 18 netos nascerem. Ele faleceu no dia 2 de Tevet 5745 (1984).

Hoje, graças a D’us, vários dos seus netos e bisnetos carregam orgulhosamente o seu nome, de um judeu simples, mas sagrado.  Com a bençao de HaShem que possam ser muitos mais,

18 netos, 18 que foram salvos… façam a matemática

Fonte: TorahMail

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ruach Hakodesh.

22, de Junho de 2017.

Ruach Hakodesh, Espírito de D'us na Tradição Judaica.
"...e o meu espírito permanecerá entre vós...." Tomarei os termos usados que fazem referência ao Espírito de D'us e o modo como que a literatura judaica os interpreta. Meu "estudo-analise" é  uma exposição de alguns dos aspectos da visão judaica sobre o "Espírito", evitando estabelecer uma relação ou usar critérios que são próprios do cristianismo, sobre o Ruach Hakodesh (Espírito Santo). Para isso, terei por base citações da Torá (Pentateuco) e dos comentários rabínicos da Escritura, anterior à destruição do Templo (ano 70) e posterior, até a Idade Média. 
O termo "espírito" assume na fé e literatura  judaica diversos sentidos, variando com o texto e com o sentido  de seus autores. Mesmo que a tradição judaica interprete a Torá como uma obra unitária, sem emendas, as interpretações feitas pelos mestres permitem-nos compreender o desenvolvimento do termo "espírito" no decorrer da história do povo judeu até os dias atuais. Tais interpretações e sentidos, mesmo feitos há mais de dez séculos, revelam a sua atualidade e permanência da Palavra judaica. No Tanah (Antigo Testamento) e nos escritos rabínicos, o termo Ruach haKodesh, Espírito Santo (ou Espírito de D'us), foi pouco usado. Usou-se mais o termo ruach, vento, sopro, hálito, fazendo referência ao dom da vida, como um indicativo da origem divina da vida. Outro termo usado é Bat Kol, Filha da Voz, ou apenas Kol, a Voz, isto é, a Voz de D'us. E também Shechiná, Divina Presença. Este termo foi usado, possivelmente, pela primeira vez, no Targum (tradução) de Onkelos. Na literatura rabínica substituiu as formas antropomórficas da Escritura que expressavam a presença ou a "interferência" de D'us. Logo no princípio da Torá, aparece o termo ruach no sentido de "vento"e "espírito". O conceito religioso judaico de ruach está relacionado com o "hálito", hálito de D'us. D'us enche o universo com o seu hálito de vida, assim, todas as criaturas ganharam vida a partir da vontade do Criador. Ele é fonte de toda a vida. Entre as criaturas e Criador há uma relação de dependência e profunda intimidade: Então Hashem, D'us modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente Bereshit ( Gn )2:7. 
Desta narrativa muitos são os ensinamentos rabínicos. Tomemos aqui três deles:  D'us criou o primeiro homem, o homem original (Adam Kadmon) do pó da terra. Para isso Ele pegou pó dos quatro cantos da terra, estabelecendo assim, a universalidade do ser humano.
Num outro comentário, D'us, ao moldar o homem, usou terra tirada do local onde seria mais tarde construído o altar do Templo. Com isto pode-se deduzir o caráter de santidade atribuído ao homem, conceito que se reforçou com a destruição do Templo, daí podem os rabinos afirmar que a destruição do ser humano é comparável à destruição do Templo, tal o grau de santidade atribuído a ele. Com a inexistência do altar, os sacrifícios passaram à própria vida individual e comunitária do povo judeu. 
D'us modelou do pó da terra e insuflou em suas narinas, ora, para insuflar precisou o Criador curvar-se e soprar nas narinas o hálito da vida, isto acusa uma intimidade única com o homem, aquele que recebeu, de um modo especial, o precioso dom da vida, relação: Foi o espírito de D'us que me fez, e o sopro de El Shaddai que me animou. Iov (Jo) 33:4. O "pó da terra" e o "hálito" , estes dois elementos em equilíbrio são constitutivos da natureza humana: matéria e espírito. Assim, o homem não está limitado às coisas inferiores e efêmeras (terrenas), mas também está destinado à coisas superiores, à eternidade. As interpretações judaicas que indicam a universalidade, a santidade e a imortalidade do ser humano, apontam também para a superação das barreiras formais da religião, raça, cultura; aludem para um tempo além, a era messiânica. O espírito santificador, unificador, e que estará presente na redenção. O vento  D-us, soprou do Leste, no deserto, permitindo a fuga dos o hebreus do Egito: ... E Hashem, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez o mar se retirar. Shemot (Ex) 14;21. Este vento foi capaz de operar milagres, de alterar a ordem natural das coisas, o vento fez da providência divina algo audível e visível. É o mesmo ruach que pairou sobre as águas, que soprou na história do dilúvio: ...D'us fez passar um vento sobre a terra e as águas baixaram. Bereshit (Gn) 8:1. No comentário de Rashi, este vento é o "espírito de consolação" que afasta o sofrimento, liberta os cativos, e restitui a natureza. É possível então, interpretar a libertação do Egito como uma "nova criação", agora não mais uma criação individual, mas coletiva, é a criação de um povo. Aos hebreus cativos foi lhes restituída a vida. O homem anulado pela escravidão está em estado semelhante ao pó da terra, "inanimado", semelhante ao morto; mas o ruach, hálito vivificador, dá ânimo, vida. Essa vida nova, "soprada" na libertação do Egito encontra sentido na intimidade e no compromisso da Aliança.
No relato bíblico da Revelação no Sinai, a Palavra entra em cena num cenário de força e mistério. A narrativa conduz todos os olhares para o Monte Sagrado. Afinal, é o momento da Revelação, único na história de Israel. A Palavra é a presença de D'us, a voz divina a falar ao povo que estava ao pé do Sinai. Com a Palavra tem início uma relação eterna entre D'us e Israel. Surge, então, um verbo que é fundamental na vida judaica: Shemá, ouve. Um imperativo divino que antecede toda Palavra que sai da boca de D'us. Mesmo que o verbo não esteja escrito, é necessário que cada judeu "ouça". Disso depende a vida de Israel, uma vida que foi moldada pela Palavra Criadora, e que todo judeu reconhece. Daí a autoridade da Torá (Pentateuco), dos Profetas, dos Mestres; todos pronunciaram, viveram e ensinaram a Palavra. As interpretações rabínicas do acontecimento no Sinai apontam tanto para o privilégio da escolha de Israel como para o caráter universal da Revelação. As palavras no Sinai foram pronunciadas a toda humanidade, como disse Rabi Yohanan: "A voz partia e dividia-se em setenta vozes, em setenta línguas, para que todos os povos ouvissem-na". Mas a voz era ambivalente, dava vida a uns e matava a outros. Um paradoxo? A voz, espírito divino, é capaz de dar a vida e também matar? Esse trato é dado ao espírito no Antigo Testamento. Assim como D'us é fonte de vida, conseqüentemente, aquele que dele se afasta, que vai para longe de seu "sopro vital" acaba morrendo. Este morre sufocado pelo distanciamento de D'us e pela fatal opção por outros deuses. Não é possível haver vida longe de D'us, uma idéia que tão é judaica quanto cristã. O Espírito/Palavra de D'us é verdade e vida, longe: onde não há verdade, também não há possibilidade de existência. "... o meu espírito está sobre ti e as minhas palavras que pus na tua boca não se afastarão dela, nem da dos teus filhos...".(Yeshayahu Is.59:21).
Os profetas "abriam a boca e falavam" a Palavra de D'us, da Torá. Diferentemente de Moisés, aprendiam a Palavra através dos anjos, de sonhos, mas nunca a captavam diretamente de D'us. Isto só coube a Moisés. Eles não falavam quando tinham vontade, mas somente quando, em estado de concentração, vibrantes ou em profunda solidão, eram capazes de profetizar. Conforme os ensinamentos judaicos Moisés foi o único a falar com D'us face face, boca a boca. Só a ele D'us falou sem enigmas. Isto não diminui o poder da Palavra, ao contrário, reforça a sua autenticidade e originalidade que, quando dita pelos profetas, dá a possibilidade do mesmo Espírito falar nas diversas condições da existência humana, de se fazer presente na história de Israel através dos ensinamento de seus mestres. 
Os autores das escrituras  ao se referirem ao Espírito, à Divina Presença à atuação de D'us... expressaram-se muitas das vezes, com termos antropomórficos. Esses termos foram substituídos pelos rabinos a partir do período do segundo Templo, que em seus ensinamentos, passaram a usar Shechiná que, longe do antropomorfismo, determinava a presença de D'us no meio do povo de Israel. O termo Espírito Santo é uma expressão adotada pelos cristãos que aparece nos escritos anteriores à ruptura entre o cristianismo e o judaísmo. Shechiná, então, substituindo Espírito Santo cristão, passou a significar a Presença Divina no meio do povo judeu. A existência de dois termos, um cristão e outro judaico, indicam uma interpretação exclusivista, que deu origem a uma "apropriação" por uma parte, e conseqüente "desapropriação" da outra, isto é, numa interpretação cristã, o Espírito, por castigo, estava afastado dos judeus e somente presente entre aqueles que aceitaram a "nova" Aliança. Da parte judaica, a Shechiná, passava, com ela, uma expressão da perenidade da Aliança com Israel. Tal exclusivismo foi alimento para uma história trágica entre os dois credos. A palavra Shechiná significa literalmente "habitar", deriva do verbo shachan, habitar. O uso do termo significa que "D'us habita no meio do povo". A Shechiná habitava o Templo de Jerusalém, centro da vida nacional, da identidade religiosa do povo judeu; era o coração que pulsava e aninava a todo Israel. Como o hálito divino  em Adão, ânima, assim era o Espírito no corpo da comunidade. No texto bíblico, D'us manifesta o desejo de "habitar", de permanecer entre os filhos de Israel: Faze-me um santuário, para que eu possa habitar no meio deles (Ex 25:8).
Portanto, Shechiná não é um termo indicativo de uma simples presença, mais do que isso, a sua presença está condicionada a uma intimidade mútua que reflete o caráter da Aliança, "um matrimônio", entre D'us, que deseja estar no meio dos filhos de Israel, e Israel que deseja a Sua presença. Os tanaítas apresentaram o termo Shechiná em referência à manifestação do Senhor e à sua proximidade ao homem: Pois Hashem teu D'us anda pelo acampamento para te proteger e para entregar-te os inimigos Devarim (Dt 23:15); Porei no vosso íntimo o meu espírito e fareis com que andeis nos meus estatutos e guardeis as minhas normas e as pratiqueis (Ez 36:27); Habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o seu D'us
 (Ex 29:45); A Shechiná refere-se especialmente a "habitação", uma presença ativa de D'us entre israel, na Terra de Israel e no Templo de Jerusalém. Sobre Shwmot
 (Ex 29:42), Rashi faz o seguinte comentário: DE CONTINUIDADE (CONTÍNUO). De dia em dia, não haverá uma interrupção de um dia entre eles. ME ENCONTRAREI CONVOSCO. Quando eu fixar um prazo para falar a ti. Ali fixarei para vir (Shechiná)...o Divino, abençoado seja Ele falava com Moisés desde que foi erguido do Tabernáculo.... O Tabernáculo, futuro Templo em Jerusalém, é comparado ao salão real onde o rei dirige sua palavra aos súditos. E ME ENCONTRAREI LÁ (Ex 29:43) Me encontrarei com eles com fala, como um rei que fixa um lugar de encontro para falar com os seus servos lá. No deserto D'us falava com Moisés, mais tarde, em Jerusalém a voz divina vem através da Torá ensinada pelos Profetas e Mestres, conforme está escrito:... de Sion há de sair a Lei, e de Jerusalém, a Palavra de Hashem yeshayahu
(Isaias 2:3) O Targum Jonathan, sobre o (Ex 29:43), faz um paralelo com (Lev 10:3), trata a Divina Presença como aquela que santifica aquele que dela se aproxima12. Mas, nem todos os estudiosos e comentaristas judeus concordaram com a afirmação de que a Shechiná significa a presença de D'us. Para Iehuda Halevi e Maiomônides ela é uma criação divina que não pode ser identificada com D-us. Já para Nachmanides a Shechiná é um substituto do nome divino usado em contexto especial para determinar a sua proximidade com o homem. Gershon Scholem sustenta que, após um exame de todas as passagens da Escritura referentes a Shechiná, ela não é um atributo divino como poderia sugerir algumas interpretações, também não é hipostasia e não tem existência separada da Divindade. 
O judaísmo não admite qualquer sugestão que possa gerar interpretações dualistas. Shechiná é o termo para designar a presença de daquele que é um. A destruição do Templo no ano 70 da era cristã, marca o exílio da Shechiná ( Shechiná b'Galuta) ou, D'us apartado de Israel. Os Profetas trataram desse afastamento: sempre que há pecado, há sofrimento, há o afastamento da Shechiná, ausência de D'us. A "ausência de D'us" é uma noção criada no momento em que o judaísmo deveria passar por uma transformação radical, longe da Terra de Israel e de Jerusalém, sofreria um areestruturação tanto em sua organização formal quanto na sua teologia. Há escritos em que se atribui a destruição do Templo, e conseqüente afastamento da Shechiná, aos pecados cometidos pelos filhos de Israel. Esta "ausência" explicou também os outros trágicos momento da vida do povo judeu, como à insuportável vida na Idade Média, nos Progons e na Shoá (Holocausto). R. Isaac b. Samuel disse em nome de Rab: A noite tenha três vigílias, e em cada vigília o Santo Único, bendito seja Ele, senta-se e ruge como um leão dizendo: Ai dos filhos, por causa de seus pecados Eu destruí minha casa e queimei meu Templo e os exilei entre as nações do mundo.Neste pequeno texto do Talmud há um detalhe importante: Ai dos filhos, ora, esse "ai" é um lamento, uma dor que também pertence a D'us. Assim como os filhos sofrem a ausência do pai, também o pai sofre por estar ausente. Conforme lemos anteriormente, D'us quer, e faz questão de ser presença em Israel. Então, a Shechiná não se manifesta após a destruição do Templo? Rabi Akiva, século II d.C., oferece uma resposta para esta questão. Ele disse que D'us não se afastou de Israel no exílio após a destruição do Templo. D'us estava igualmente exilado e dividindo com Israel o seu sofrimento. Outros escritores que confirmam esta mesma idéia: Zavdi ben Levi abriu: D'us instala o solitário numa casa Tehilim (Sl 68:7). Tu verificas que Israel, até ser libertado do Egito, morava de um lado e Shechiná, do outro. Quando Israel foi libertado, tornaram-se um só. E, desde que condenada ao exílio, a Shechiná ficou de novo de seu lado e Israel do seu, como foi escrito: Os rebeldes permanecem no solo árido (Tehilim Sl 68:7). Por isso está esxcrito: Como está sentada solitária? Então, mesmo na "ausência", há a presença da Shechiná em Israel. A solidão e o sofrimento são sentimentos mútuos. Rabbi Abbahu interpretando o salmo 13:6; "Meu coração exulte com a tua salvação"disse: "...Nós seremos redimidos juntos". O sofrimento mútuo abrirá as portas da redenção para D'us e Israel. A noção de "prêmio e castigo" que foi sugerida como explicação do conseqüente sofrimento de Israel não é condizente com a experiência religiosa judaica de um D'us amoroso, cheio de misericórdia e compaixão, não se enquadra dentro daquilo que a Escritura hebraica testemunba. D'us não abandona a Aliança feita com os Patriarcas, reiterada no Sinai. Ele, através de Sua Divina Presença, a Shechiná, permanece sempre a té a realização definitiva do projeto de salvação. E, no exílio, onde poderia estar Shechiná? Não há um lugar. Após a destruição do Templo o "lugar", a noção de lugar determinado não existe. Há um "lugar", uma atividade especial, segundo a Mishná, que é o estudo, a oração. Estes são os "locais" da presença divina. Onde estiverem pessoas reunidas, ocupando-se com as palavras da Torá, lá estará a Shechiná. A Torá é compreendida como agente pelo qual se torna possível a imanência de D'us. Através dela D'us está próximo, seu amor é realizável e a comunhão com Ele é possível. Enquanto Israel mantiver sua unidade, um só povo, unido pela consciência de ser povo eleito do D'us, que, por sua vez escolheu livremente ao D'us Único, que se mantém em torno de valores da tradição fundamental na Torá e no Talmud, sempre terá em seu meio a presença unificadora da Shechiná. A permanência histórica da comunidade judaica é, com certeza, a prova de que o espírito consolador, referido por Rashi, é também o espírito da permanência, da unidade, do sustento. Toda tragédia e infâmia experimentada pelo povo judeu não foi o suficiente para derrotar a confiança inabalável de Israel na fiel Presença. O Ruach, hálito divino e fonte da vida, a Torá, Palavra revelada, ouvida, guardada, meditada, transmitida, foi e é o novo "lugar" da presença íntima, solidária do D'us que não se cansa, nem se arrepende de caminhar com os filhos de Israel.

Fonte: Luiz Gomes Hohenzoller.
Palestra dada no auditório menor da ARI,
 Rio de Janeiro 22/06/2017.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Shavuot

Shavuot é o segundo dos três maiores Dias Festivos (Pêssach é o primeiro e Sucot o terceiro), e vem exatamente cinqüenta dias após Pêssach. A Torá foi outorgada por D'us ao povo judeu no Monte Sinai há mais de três mil e trezentos anos. Todos os anos, neste dia, renovamos nossa aceitação do presente de D'us.

A palavra Shavuot significa "semanas": assinala a compleição das sete semanas entre Pêssach e Shavuot (o período do ômer), durante o qual o povo judeu preparou-se para a Outorga da Torá. Durante este tempo, purificou-se das cicatrizes da escravidão e tornou-se uma nação sagrada, pronta a entrar em uma aliança eterna com D'us, com a Outorga da Torá.

Shavuot também significa "juramentos". Com a Outorga da Torá, o povo judeu e D'us trocaram juramentos, formando um pacto duradouro de não abandonar um ao outro.

Os Dez Mandamentos
עשרת הדיברות
Quando se menciona Assêret Hadibrot, mais comumente conhecida como os Dez Mandamentos, algumas pessoas possuem uma falsa impressão de que existem Dez Mandamentos que foram separados como sendo os mais importantes da Torá. Mas na verdade a tradução correta de Assêret Hadibrot é "Dez Falas" ou "Dez Ditos", sendo que estes são dez princípios que incluem toda a Torá e seus 613 preceitos, inclusive estes dez.

 As próprias letras de Assêret Hadibrot demonstram este fato. Os Dez Mandamentos são escritos com 620 letras significando que D-us deu no Sinai os Dez Mandamentos que abrangem os 613 preceitos e as sete Leis de Nôach; 613 com 7 somam 620.

 É interessante notar que a soma dos números 6, 1 e 3, de 613 totaliza dez (Mandamentos), mostrando também que as 613 mitsvot incluem os Dez Mandamentos.

 1. Eu sou o Senhor, teu D-us, que te libertou da terra do Egito, da casa da servidão.

 2. Não terás outros deuses diante de minha presença. Não farás para ti imagem esculpida, nem nada semelhante ao que há nos céus acima, ou na terra embaixo, ou na água debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem os servirás; pois Eu Sou o Senhor, teu D-us – um D-us zeloso, que visita as iniqüidades dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que aborrecem. Mas mostrarei bondade para centrenas de gerações àqueles que Me amarem e cumprirem Meus mandamentos.

 3. Não jurarás pelo nome do Senhor teu D-us em juramento vão; pois D-us não absolverá ninguém que use Seu nome em vão.

4. Lembra-te do dia de Shabat, para o santificá-lo. Por seis dias deverás trabalhar e cumprir todas tuas tarefas, mas o sétimo dia é Shabat de teu D-us; não deves fazer nenhum trabalho – tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal, e o peregrino que estiver dentro de teus portões – pois em seis dias D-us fez os céus, a terra, o mar e tudo que neles está, e Ele descansou no sétimo dia. Por isso abençoou o dia de Shabat, e o santificou.

5. Honrarás teu pai e tua mãe, para se prolonguem teus dias sobre a terra.

6. Não matarás.

 7. Não adulterarás.

 8. Não furtarás.

 9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, e seu servo, e sua serva, e seu boi, e seu asno, e tudo que seja teu próximo.

Fonte: pt.chabad.org

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tefilat HaShelá

Fonte: Compartilhei do senhor Átila Drelich.

Reza dos pais para véspera de Rosh Chodesh Sivan
Hoje, (25/05) – véspera de Rosh Chodesh Sivan* – costuma-se pronunciar esta oração composta pelo Grande Mestre Rabí Yeshaiau HaLevi Horovitz – o Shelá HaKadosh – que deve ser pronunciado pelos pais em favor e mérito de seus filhos.
  Os comentaristas explicam que esta é uma data propícia, pois coincide com o yortsait – data de falecimento de Chaná z”l – de quem aprendemos os principais princípios da oração quando ela foi rezar por um filho e foi atendida por D‑us dando à luz ao profeta Samuel.

* Esta oração pode ser feita a qualquer hora.


Reza dos pais para véspera de Rosh Chodesh Sivan

     Nós temos a obrigação de rezar e de pedir a D'us todas as nossas necessidades porque tudo provém Dele. Por isso, é bom que a pessoa, para qualquer coisa que necessite, em qualquer momento e a qualquer hora, acostume-se a recitar uma reza pequena para depositar a sua carga em D'us e, antes de fazer o que necessite, recite: "Pela Unicidade do Santo, bendito seja Ele, e Sua Divindade. Senhor do Universo! Faz com que o meu caminho tenha êxito, pois tudo provém de Ti". E sobre tudo, a pessoa deve ser diligente na sua reza para ter uma descendência sempre reta e também para que D'us provenha a essa descendência de todas as suas necessidades e de um parceiro. E o meu coração me diz que um momento de graça para recitar esta prece e na véspera de Rosh Chodesh Sivan porque é o mês no qual a Torá foi entregue e, neste momento, fomos chamados de "os filhos do Eterno, o nosso D'us': É apropriado que o marido e a sua esposa jejuem neste dia, despertem o arrependimento e verifiquem que temas da casa, no aspecto religioso, devem ser reparados. Também devem dar caridade a pobres honestos e, se for possível, o marido deve jejuar cumprindo todas as leis de jejum público.

    TU ÉS O ETERNO, o nosso D'us, desde antes de teres criado o Mundo. Tu és o nosso D'us desde que criaste o mundo e Tu serás o nosso D'us sempre. Tu criaste o Teu mundo para que seja conhecida a Tua Divindade através da Tua sagrada Torá, como expressaram os nossos Sábios, de bendita memória, que Tu criaste o mundo pela Tua Torá e pelo povo de Israel, pois eles são o Teu povo e a herança que escolheste dentre todas as nações. Tu lhes entregaste a Tua sagrada Torá e aproximaste-nos do Teu Grande Nome. E para que o mundo exista e a Torá seja observada, recebemos de Ti., Eterno, nosso D'us, dois mandamentos. Escreveste na Tua Torá: "Frutificai-vos e multiplicai-vos" e também "e as ensinarão a seus filhos." E o propósito de ambas é o mesmo, pois Tu não criaste o mundo para que ele estivesse vazio. Ao contrário, para que ele seja habitado e pela Tua honra Tu o criaste, o moldaste e o aperfeiçoaste - para que nós, os nossos descendentes e todos os descendentes do povo de Israel sejamos conhecedores do Teu nome e estudiosos da Tua Torá.

    Portanto, dirijo-me a Ti, ó Eterno, Rei dos reis e derramo a minha súplica diante de Ti. Os meus olhos estarão postos em Ti até que me agracies e escutes a minha prece e me concedas filhos e filhas. E que se frutifiquem e se multipliquem eles e os seus filhos e os filhos dos seus filhos até o final de todas as gerações, com a finalidade de que eles e todos nós nos dediquemos à Tua Torá sagrada para aprender e para ensinar, para observar, para realizar e para cumprir todas as palavras dos ensinamentos da Tua Torá com amor, ilumina os nossos olhos com a Tua Torá e faz com que o nosso coração se apegue às Tuas mitzvot para amar e reverenciar o Teu Nome.
    Nosso Pai, Pai Misericordioso! Concede a todos nós uma vida longa e abençoada. Quem é como Tu, Pai Misericordioso, Que Se lembra das suas criaturas para a vida com misericórdia! Recorda-nos para a vida eterna, como rezou o nosso patriarca Avraham: "Se eu vivesse somente diante de Ti..." e os nossos Sábios interpretaram como "com reverência por Ti".
   Portanto, venho pedir e suplicar diante de Ti que a minha descendência e a descendência da minha descendência seja para sempre reta, e que nunca encontres em mim, na minha descendência ou na descendência da minha descendência nenhum defeito ou imperfeição, mas sim paz e verdade, bondade e retidão nos olhos de D'us e nos olhos do homem. Que os meus filhos sejam letrados em Torá, letrados em Escrituras, letrados em Mishná, letrados em Talmud, letrados em Kabalá, abundantes em mitzvot, abundantes em benevolência, abundantes em boas qualidades, e que Te sirvam com amor e com temor interno - e não com temor superficial. Provê com dignidade a cada um deles as suas necessidades e brinda-os com saúde, honra e força. Concede-lhes boa presença, beleza, graça e favor. E que haja amor, fraternidade e paz entre eles. Faz com que eles encontrem parceiros dignos, provenientes de famílias de estudantes de Torá, de famílias de justos; e que os seus pares sejam como eles, como tudo o que eu solicitei a respeito dos meus filhos, pois uma só petição basta para uns e outros.
    Tu, Eterno, conheces tudo o que está oculto, e diante de Ti são revelados os segredos do meu coração. Pois a minha intenção em tudo isto é para o Teu grande e sagrado Nome e para a Tua sagrada Torá. Por esta razão, responde-me, ó Eterno, responde-me, pelos sagrados patriarcas Avraham, Itzchak e Iaacov. Por causa deles, salva aos filhos, para que os ramos se pareçam com as suas raízes. Por David, Teu servo, que é a quarta roda da Tua Carroça, e que canta com inspiração Divina:

    Shir Lamaalot. Feliz é aquele que teme ao Eterno, aquele que anda pelos Seus caminhos. Se comeres do esforço das tuas mãos, serás feliz e será bom para ti. A tua esposa será como um vinhedo frutífero nos recantos do teu lar. Os teus filhos serão como brotos de oliva ao redor da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme o Eterno. Que o Eterno te bendiga de Tzion, e que vejas o bem de Jerusalém todos os dias da tua vida. E que vejas os filhos dos teus filhos, paz sobre o povo de Israel.

     Por favor, Eterno, Que escuta as preces! Que em mim se cumpra o versículo: "E Eu, este é o Meu pacto com eles', disse o Eterno: 'O Meu espírito que se está sobre ti e as Minhas palavras que pus na tua boca, não serão retiradas da tua boca, nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência - disse o Eterno - desde agora e para sempre:" Que sejam recebidas as palavras da minha boca e os pensamentos do meu coração diante de Ti, Eterno, meu Feitor e meu Redentor.

Traduzido por Rab. Motl Malowany
Compartilhado de meu amigo Daniel Enkin
יד

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Aparentemente feliz.

Muitas pessoas erroneamente pensam que ser famoso as  fará automaticamente feliz.

A felicidade depende do que se passa em sua mente e não o que acontece "lá fora". Portanto, se você está pensando pensamentos negativos, procurando defeitos em outros, reclamando e coisas parecidas, você vai ficar triste, mesmo se todo mundo está falando sobre o quão grande você é. Por outro lado, se você pensar pensamentos positivos, você vai se sentir bem, mesmo que ninguém lhe dá honra.

A felicidade depende de seus pensamentos e não do que as outras pessoas dizem sobre você, a menos que você diga a si mesmo que não pode ser feliz sem a aprovação e honra dos outros. Mas quando tal é o caso, o principal problema não é que outros não lhe dão honra, mas que você diga a si mesmo que é horrível que outras pessoas não lhe dão a honra que você exige arbitrariamente.

Baseado nos livros de Rabino Zelig Pliskin.

Rabino Reuven Segal

Compaixão

Este me fez chorar.

Certa vez, um carneiro que era levado para o matadouro escapou e se escondeu debaixo das vestes de Rabbi Yehuda, que exclamou: Vá, pois foste criado para isso.
Então, uma voz vinda dos céus sentenciou: "Já que não tem compaixão por minhas criaturas, também não haverá para ti." Desde aquele dia, seu corpo se cobriu de chagas.
Certo dia, sua empregada estava limpando a casa e em um canto encontrou a cria de uma doninha. A mulher já estava disposta a varrer o filhote, quando escutou a voz de Rabbi Yehuda dizer: Pobrezinho, deixe-o ficar.
Então, escutou-se uma voz vinda dos céus: Tú tens compaixão por minhas criaturas e, por isso, mereces a mesma compaixão. Desde aquele dia se curou por completo.
(Tratado Bava Metzía)
Atila Drelich.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Na Última Fila.

Em uma reunião de vizinhos, os Rabinos se sentaram na primeira fila. Rabbi Nachum ben Itzchak, chegou uns minutos mais tarde e se sentou na última fila. Um dos Rabinos ao vê-lo, chamou-lhe para que se sentasse ao lado deles, uma vez que uma pessoa como ele não deveria se sentar ali.
Rabbi Nachum respondeu:
Agradeço o convite, seria uma grande honra sentar-me com vocês, porém, estou contente com este lugar. Depois de tudo, ainda não aprendeste que não é o lugar que proporciona honra a pessoa, mas que é a pessoa que confere honra ao lugar?
Desta maneira, Rabbi Nachum ratificava o que requeria: A humildade é o que afirma a grandeza.
(Tratado Taanit 7a)
Atila Drelich

terça-feira, 18 de abril de 2017

O orgulho


"David foi ao barbeiro para cortar o cabelo, como sempre fazia todo mês. Ele começou a conversar com o barbeiro sobre vários assuntos. A conversa então tomou um rumo mais espiritual e eles começaram a falar sobre D'us. Enquanto David era uma pessoa de imensa Emuná (fé) em D'us, o barbeiro era um ateu convicto. O barbeiro disse:

- Eu não preciso deste seu D'us para nada. Através do meu esforço eu consigo garantir meu sustento e manter minha família e minha saúde. Além disso, eu não acredito que seu D'us realmente exista. Você só precisa sair na rua para ver que D'us não existe. Se D'us existisse, você acha que haveria tantas pessoas doentes? Haveria crianças abandonadas? Haveria dor e sofrimento? Eu não consigo imaginar um D'us que permite todas essas coisas.

David não quis dar imediatamente uma resposta, para evitar uma discussão mais acalorada. Quando o barbeiro terminou o corte e David se preparava para sair, passou na rua um homem com barba e cabelos longos. Ele tinha uma aparência péssima, parecia que não cortava o cabelo ou fazia a barba há um bom tempo. Então David disse ao barbeiro:

- Sabe de uma coisa, acho que são os barbeiros que não existem.

- Como assim os barbeiros não existem? - perguntou o barbeiro - Eu estou aqui e sou um barbeiro!!!

- Não! - afirmou David - Os barbeiros não existem, porque se existissem, não haveria pessoas com barba e cabelos tão longos como aquele homem que está andando ali na rua. Veja, que homem de aparência horrível! Se os barbeiros existissem, eles permitiriam uma pessoa andar pela rua desta maneira?

- Que argumento mais tolo - disse o barbeiro para David - é óbvio que barbeiros existem, mas há pessoas não procuram os barbeiros. Isto é uma opção delas. Se a pessoa quer ficar com a aparência desleixada como este jovem que passou na rua, isto é uma escolha dela, não tem nada a ver com a existência dos barbeiros.

- Que seus ouvidos escutem o que diz a sua boca! - respondeu David - Suas palavras são a resposta ao seu questionamento. D'us existe, mas há muitas pessoas não O procuram, por opção delas. Pessoas como você, que acham que tem tudo na vida por seu próprio esforço e mérito. E é justamente por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo.
 Fonte: Blog do Rav Efraim Birbojm

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O pequeno colibri.

Você conhece a história do Colibri?

Eis a história: Um dia, um grande incêndio ameaçou destruir a floresta. Todos os animais, exceto o pequeno colibri, ficaram apavorados, desesperados com o desastre. Porém, o pequeno Colibri não se rendeu e corajosamente ele pegava algumas gotas com seu biquinho e jogava uma por uma sobre o fogo.

Depois de algum tempo, sem ver nenhuma mudança e irritado com essa agitação insignificante, o Tatu disse a ele:  “Você está louco, pequeno Colibri? Você sabe que jamais poderá apagar o fogo com algumas gotas de água!”.


E o pequeno Colibri disse: “Eu sei. Mas estou fazendo a minha parte!”.

Pois se as gotas de água fazem os oceanos, as mesmas gotas poderiam enfrentar o incêndio! Quem acredita e honra a vida, jamais deve ficar de braços cruzados assistindo impotente o desastre, venha de onde vier. Mas deve, ao contrário, fazer sua parte, por mais modesta que seja, combater os incêndios da mente e escapar das manobras daqueles que desejam prejudicar a Terra!

Essa lenda revisitada por muitos contadores de histórias do mundo todo é um estímulo para todos que acreditam no poder da vida. Porque nada jamais está perdido e enquanto há vida há esperança.

domingo, 16 de abril de 2017

Me vendo por dentro.

Aprendi a me olhar todos os dias e a buscar dentro de mim o que ninguém por mais que tenha tentado nunca encontrou,
meu próprio valor. D'us me fez perfeita
aos olhos dele, com uma capacidade incrível
de sonhar e uma sensibilidade linda de amar.
Embora eu seja tão falha, tão inconsequente
as vezes , sinto ele do meu lado, me cuidando, me guardando, me protegendo, me exortando,
me ensinando e acima de tudo me amando.
Confesso que as vezes tropeço, mas não me justifico de maneira alguma, porque sei que na
maioria das vezes sou culpada. Mas procuro a cada dia ser como ele quer , andar nos caminhos que
ele desenhou para mim e se algum dia eu me desviar dele, que ele me quebre como um vaso totalmente
seu e me faça de novo, e de novo e quantas vezes
for necessário até que em mim não haja trincas. Por que sou falha.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Enquanto Arde a vela.

Rabbi Israel Salant, levou seus sapatos ao sapateiro para que os concertasse. Estava escurecendo e o homem trabalhava a luz de uma tênue vela.  Incomodado por ver o sapateiro trabalhando naquelas condições, o Rabbi tentou sacar os sapatos e voltar no dia seguinte. Porém, o sapateiro disse: Sente-se, pois enquanto a vela arde, se pode consertar.
Rabbi Israel escutou o homem e uma vez terminado o trabalho, saiu correndo a Yeshivá e disse a seus discípulos:
Hoje aprendi uma grande lição: Enquanto a vela arde, podemos corrigir.
Fonte: Atila Drelich.

Pêssach, ano 5777. (10/04/2017).

Nova Aliança SP.
momento de recordar as tradições judaicas de Pessach e o que elas representam. Vamos relembrar nossa história em família!

O que é Afikoman? (אפיקומן)

Afikoman é o nome de uma porção de Matsá que é comido no final do jantar de Pêssach (Páscoa judaica).  É um costume que o pai leva esconda o Aficoman  e a criança que o encontrar recebe um presente!
Quem quer encontrar o Afikoman?

Pêssach

Os nossos sábios estabeleceram que se deve iniciar o estudo das leis de Pêssach trinta dias antes da festa, para que a pessoa chegue preparada para o chag (festa), ou seja, bem informada sobre as inúmeras regras vigentes nesses dias.

A proibição de chamêtz (fermentados das cinco espécies – trigo, cevada, aveia, centeio e espelta) em Pêssach aparece quatro vezes na Torá, resultando em quatro modalidades: • Não comer ou ter proveito do chamêtz em Pêssach.

• Que não haja chamêtz na propriedade de um judeu em Pêssach.
• Que um judeu não veja chamêtz em sua propriedade em Pêssach.
• Anular todo chamêtz e levedura da propriedade do judeu antes de Pêssach.

Mulher.

Um aroma suave
exalou das mãos do Criador,
quando seus olhos contemplaram
a solidão do homem no Jardim!
Foi assim:
o Senhor desenhou
o ser gracioso, meigo e forte,
que Sua imaginação perfeita produziu.
Um novo milagre:
fez-se carne,
fez-se bela,
fez-se amor,
fez-se na verdade como Ele quer!
O homem colheu a flor,
beijou-a, com ternura,
chamando-a, simplesmente,
Mulher!

Ivone Boechat

domingo, 2 de abril de 2017

Bondade e egoísmo.

"Jonas era uma pessoa muito esforçada e trabalhadora, mas não tinha muito sucesso na vida. Não passava necessidades, mas o dinheiro estava sempre contado. Pelo menos ele se alegrava por ter um maravilhoso casamento, no qual havia muito respeito mútuo. Mesmo nas épocas de maiores dificuldades era muito raro o casal discutir.

Certa vez, quando Jonas estava viajando, voltando de uma tentativa frustrada de negócios, ele resolveu fazer uma visita a um famoso rabino, cuja santidade e força de suas Brachót (Bençãos) eram muito conhecidas. Esperançoso, Jonas entrou na sala do rabino e pediu para ele uma Brachá. O rabino segurou a mão de Jonas e, com muita concentração, falou:

- Que seja a vontade de D'us que a primeira coisa que você fizer em casa prospere e dure para sempre.

Jonas ficou muito contente com a Brachá do rabino. Conhecendo a sua santidade, Jonas sabia que aquelas palavras certamente se cumpririam. Então ele começou a refletir sobre qual deveria ser seu primeiro ato quando chegasse em casa. Decidiu que contaria várias vezes todo o dinheiro que tivesse em casa, pois assim a Brachá do rabino recairia sobre o seu dinheiro e ele ficaria rico.

Já sonhando com os milhões que ganharia, Jonas entrou em casa e mal cumprimentou sua esposa. Ele então pediu, em tom de urgência, que ela imediatamente trouxesse todo dinheiro que havia em casa. Um pouco assustada com o estranho pedido repentino do marido e se sentindo muito pressionada, a esposa não conseguia lembrar-se onde estavam guardadas as economias que eles haviam juntado. Após a insistência e o mau-humor de Jonas, a esposa começou a desconfiar que havia algo de errado e se recusou a entregar a ele qualquer dinheiro.

Revoltado com a atitude da esposa, Jonas perdeu a cabeça e esqueceu-se completamente das palavras do rabino. O que estava destinado a ser uma Brachá transformou-se então em uma maldição. Jonas já nem se lembrava que havia voltado para casa para procurar seu dinheiro e  começou a gritar com a esposa, iniciando uma troca de acusações e ofensas. As palavras do rabino se cumpriram e, a partir daquele dia, naquela casa o que prosperou e durou para sempre foram as brigas e discussões. Jonas continuou tão pobre quanto era antes, e agora não tinha nem mesmo uma casa com paz e tranquilidade"

Explica o Maguid MiDuvno que às vezes esquecemos nossas prioridades. Quando focamos apenas nas nossas próprias necessidades, de maneira egoísta, podemos perder as coisas mais importantes da vida.
Fonte: Atila Drelich.

quarta-feira, 29 de março de 2017

“Havia um bando de ladrões".

“Havia um bando de ladrões que
aterrorizava os habitantes de um distante reinado. Mas após uma longa caçada, o rei finalmente conseguiu prender o bando e todos os ladrões foram jogados na prisão.
Alguns ladrões continuaram sonhando com a liberdade e, apesar da prisão ser considerada impossível de escapar, eles continuavam motivados e ficavam o tempo inteiro tramando planos de fuga e esperando a oportunidade certa. Mas os outros ladrões com o tempo se acomodaram, se acostumaram com a ideia de que estavam presos e que sua liberdade havia acabado para sempre.
Certo dia, os portões da prisão amanheceram abertos. Tudo o que faltava para a sonhada liberdade era apenas se levantar e sair da prisão. Aqueles que ansiavam pela liberdade assim fizeram, e facilmente escaparam. Mas os outros, apesar das portas abertas, permaneceram na prisão, e pelos mais variados motivos. Alguns não acreditaram que as portas da prisão estavam realmente abertas. Outros tiveram medo de sair por causa do desconhecido, não sabiam o que os esperaria do lado de fora. E um terceiro grupo permaneceu na prisão apenas pela força do hábito. Já estavam tão acostumados com a ideia de estarem confinados dentro daquela estreita cela que já não podiam mais se imaginar completamente livres”
Assim acontece conosco. Vivemos em uma prisão, mas que está trancada apenas em nossas mentes. Uma prisão que nos limita, que não nos deixa crescer, que não nos deixa perceber nosso verdadeiro potencial. Se quisermos a liberdade verdadeira, o primeiro passo é querer sair. Pois uma das piores desgraças para o ser humano é quando abrimos mão da nossa liberdade e aceitamos viver uma vida de prisioneiros, mesmo quando as portas para escapar estão completamente abertas...

(Do mural do Sami R. Por Rav Efraim)

terça-feira, 14 de março de 2017

Honestidade.

 "O príncipe de certo reinado estava às vésperas de ser coroado rei, mas de acordo com as leis locais ele deveria ser casado para poder assumir o trono. Então ele convocou todas as moças jovens do reinado para que disputassem o cargo de futura rainha. Entre as moças que se apresentaram no palácio real estava Chana, uma jovem muito bonita mas muito pobre, que mesmo sabendo que tinha poucas chances de ser escolhida, resolveu participar da disputa. Quando Chana chegou ao palácio, lá estavam todas as mais belas moças, com as mais lindas roupas e finas joias. O príncipe então anunciou o desafio:

- Será entregue um vaso com uma semente para cada uma de vocês. Aquela que dentro de seis meses me trouxer a mais bela flor cultivada será escolhida como minha esposa e futura rainha.

Chana cuidava da sua semente com muita paciência e carinho. Mas passaram-se três meses e nada brotou. Ela tentou de tudo, usou todos os métodos que conhecia, mas nada adiantava. Ela saía na rua e via as flores das outras mulheres, crescendo e se tornando cada dia mais bonitas, e desanimava. Pensou em fazer algo desonesto e plantar outra semente, já que a sua não brotava. Porém, seus pais eram pessoas muito corretas e, ao escutarem seu plano, convenceram-na de que não valia a pena mentir, mesmo que o preço fosse perder a chance de se casar com o príncipe. Os seis meses se passaram e Chana não havia conseguido cultivar nada. Consciente do seu esforço e dedicação, mesmo sem nada para mostrar ao príncipe, ela decidiu retornar ao palácio na data e hora combinadas, levando seu pequeno vaso vazio.

Todas as pretendentes estavam lá, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. O príncipe observava tudo com muito cuidado e atenção, e as pretendentes abriam um enorme sorriso ao mostrar, orgulhosas, suas belas flores cultivadas. Quando o príncipe viu o vaso vazio de Chana, não pôde deixar de notar a expressão de vergonha e tristeza no rosto dela. Após verificar os vasos de todas as jovens que haviam comparecido, o príncipe anunciou o resultado: Chana seria sua futura esposa. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela moça que nada havia cultivado! Então ele calmamente esclareceu:

- Em um lugar onde a mentira e a enganação estão presentes com tanta força, esta moça foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma rainha: a flor da verdade. As sementes que eu entreguei para todas as mulheres eram estéreis, e não poderiam ter brotado nada..."

Estamos constantemente expostos a maus exemplos. A enganação, o roubo, a desonestidade e a traição estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Temos que transformar nossas casas em verdadeiros santuários, nos quais apenas os bons valores podem entrar, para tentar nos proteger de toda esta má influência.

 Fonte: Blog do Rav Efraim Birbojm.



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quinta-feira, 9 de março de 2017

Como se remotiva pessoas desanimadas?

 Por Rabino Jonathan Sacks:

Como se remotiva pessoas desanimadas? Como se juntam novamente as peças de uma nação alquebrada? Esse foi o desafio de Moshê na Parashá desta semana.

A palavra chave aqui é vayakhel, “[Moshê] reuniu.” Kehilá significa comunidade. Uma Kehilá ou kahal é um grupo de pessoas reunidas para um determinado objetivo. Aquele propósito pode ser positivo ou negativo, construtivo ou destrutivo. A mesma palavra que aparece no início da Parashá desta semana como o início da solução, apareceu na Parashá da semana passada como o início do problema: “Quando o povo viu que Moshê estava demorando tanto para descer da montanha, se reuniu ao redor de Aaron e disse: ‘Faça para nós um deus para nos liderar. Quanto a esse homem, Moshê, que nos tirou do Egito, não sabemos o que aconteceu com ele.’”

A diferença entre os dois tipos de comunidades é que uma resulta em ordem, a outra em caos. Ao descer a montanha para ver o bezerro de ouro, lemos que “Moshê viu que as pessoas estavam ficando loucas, e que Aaron as tinha deixado perder o controle e assim se tornarem motivo de riso para seus inimigos.” O verbo significa “perder, descontrolar, irrestrito.”

Há uma assembleia que é disciplinada, orientada e com sentido. E há uma assembleia que é uma multidão. Tem vontade própria. Pessoas em meio a multidões perdem seu senso de autocontrole. São levadas por uma onda de emoção. Os processos normais de pensamento deliberativo são ultrapassados pelas sensações mais primitivas ou pelo grupo. Ou seja, os neurocientistas chamaram de “sequestro da amídala”. As paixões saem do controle.

Há famosos estudos sobre isso: Extraordinários Delírios Populares e a Loucura das Multidões (1841, de Charles Mackay: A Multidão: Um Estudo da Mente Popular, (1895) de Gustave Le Bon; e Instintos do Rebanho na Paz e Na Guerra (1914) de Wilfred Trotter. Uma das obras mais assombrosas sobre o tema é do vencedor do Prêmio Nobel Judaico Elias Canetti, Multidões e Poder (1960, traduzido para o inglês em 1962).

Vayakhel é a reação1 de Moshê ao selvagem abandono da multidão que se reuniu ao redor de Aaron e fez o bezerro de ouro. Ele faz algo fascinante. Não se opõe ao povo, como fez inicialmente quando viu o bezerro de ouro. Em vez disso, usa a mesma motivação que os moveu. Eles queriam criar algo que fosse um sinal de que D'us estava entre eles, não nas alturas de uma montanha mas no meio de um acampamento. Ele apela ao mesmo senso de generosidade que os fez oferecer seus ornamentos de ouro. A diferença é que agora eles estão agindo segundo a ordem de D'us, não pelos seus sentimentos espontâneos.

Ele pede aos israelitas para fazerem contribuições voluntárias para a construção do Tabernáculo, o Santuário, o Mishcan. Eles o fazem com tanta generosidade que Moshê tem de ordenar que parem. Se você quiser inclinar seres humanos para que ajam pelo bem comum, faça com que construam algo juntos. Faça com que assumam uma tarefa que possam fazer somente em conjunto, que ninguém possa fazer sozinho.

O poder desse princípio foi demonstrado num famoso exercício de pesquisa sócio-científica feito em 1954 por Muzafer Sherif e outros da Universidade de Oklahoma, conhecido como o experimento “Ladrões da caverna”. Sherif queria entender a dinâmica de grupo de conflito e preconceito. Para isso, ele e outros pesquisadores selecionaram um grupo de 22 meninos brancos de 11 anos, que não conheciam uns aos outros. Foram levados a um longínquo acampamento de verão em Robbers Cave State Park, Oklahoma. Foram separados aleatoriamente em dois grupos.

Inicialmente, nenhum grupo sabia da existência do outro. Ficaram em cabines distantes. A primeira semana foi dedicada a construir a equipe. Os meninos andavam e nadavam juntos. Cada grupo escolheu um nome - tornaram-se As Águias e as Cascavéis. Pintaram os nomes nas camisas e bandeiras.

Durante quatro dias foram apresentados uns aos outros por meio de uma série de competições. Houve troféus, medalhas e prêmios para os vencedores, e nada para os perdedores. Quase de imediato houve tensão entre eles: xingamentos, provocação e canções depreciativas. Então ficou pior. Um grupo queimava a bandeira do outro e desmantelavam suas barracas. Não queriam comer junto com os outros no mesmo recinto.

O Estágio 3 foi chamado de “fase de integração”. Foram arranjadas reuniões. Os dois grupos assistiram a filmes juntos. A esperança era que esses encontros face a face diminuíssem a tensão e levassem à reconciliação. Não deu certo. Vários deles brigaram, atirando comida uns nos outros.

No Estágio 4, os pesquisadores forjaram situações nas quais surgia um problema que ameaçava ambos os grupos simultaneamente. A primeira era um corte no fornecimento de água no acampamento. Os dois grupos identificaram o problema separadamente e se reuniram no ponto onde o corte tinha ocorrido. Trabalharam juntos para removê-lo e celebraram juntos quando conseguiram.

Em outro, os dois grupos votaram para assistir alguns filmes. Os pesquisadores explicaram que os filmes custariam dinheiro para alugar, e que não havia fundos suficientes para isso. Os dois grupos concordaram em contribuir com uma parcela igual.

Num terceiro, o ônibus no qual viajavam parou, e os meninos tiveram de trabalhar juntos para empurrá-lo. Quando os testes terminaram, os meninos tinham parado de ter imagens negativas do outro grupo. No ônibus de volta para casa, os membros de uma equipe usaram o dinheiro do prêmio para comprar bebidas para todos.

Resultados semelhantes surgiram de outros estudos. A conclusão é revolucionária. Você pode transformar até facções hostis num único grupo coeso desde que eles enfrentem um desafio partilhado que todos possam conseguir juntos, mas nenhum sozinho.

Rabi Norman Lamm, ex-presidente da Yeshiva University, disse certa vez que conhecia uma piada na Mishná: a declaração de que “eruditos aumentam a paz no mundo.”2 Os rabinos são conhecidos por discordarem. Como, então, pode-se dizer que eles aumentam a paz no mundo?

A passagem não é uma piada mas sim uma verdade calibrada. Para entendê-la, devemos ler a continuação: “Eruditos aumentam a paz no mundo, como está escrito: ‘Todos os seus filhos serão instruídos sobre o Eterno, e grande será a paz de seus filhos.’3 Não leia “seus filhos” [banayich], mas “seus construtores” [bonayich].” Quando os eruditos se tornam construtores, criam a paz. Se você procurar criar uma comunidade com pessoas fortemente individualistas, terá de transformá-las em construtores. Foi isso que Moshê fez em Vayakhel.

Construção de equipe, mesmo após o desastre do bezerro de ouro, não é um mistério nem um milagre. É feito dando-se uma tarefa ao grupo, que fale às suas paixões e que nenhuma parte possa fazer sozinha, Deve ser construtiva. Cada membro do grupo deve ser capaz de fazer uma contribuição única, e então sentir que foi valorizado. Cada qual deve ser capaz de dizer, com orgulho: Ajudei a fazer isso.

Foi isso que Moshê entendeu e fez. Ele sabia que se você quer construir uma equipe, crie uma equipe que construa.

Notas

1. Eu quis dizer isso apenas no sentido figurado. A construção do Tabernáculo foi, é claro, ordem de D'us, não de Moshê. O fato de que é mostrado como um divino comando na Parashá Terumá, antes da história do bezerro de ouro, é para ilustrar o princípio de que “D'us cria a cura antes da doença” (Talmud, Meguilá 13b).

2. Talmud, Berachot 64a

3. Isaias 54:13

Rainha Esther.

Como rainha, ela entendia a regra de que governar não é controlar os outros, mas representá-los. Reservada. Modesta. Quieta. Humilde. Autocontrolada. Oculta. Estes adjetivos provavelmente não evocam imagens de uma heroína. Eles não parecem descrever o tipo de pessoa que colocaria sua vida em risco por outras, uma figura pública, uma entidade política, e uma pessoa de controle e poder. Mas são. Estas são as palavras que melhor descrevem a Rainha Esther, uma mulher cujo corpo, mente, alma e ações afetaram a realidade e mudaram o mundo.

Embora Esther tivesse ajuda e apoio de Mordechai para lutar contra o decreto que visava a destruir os judeus, foi Esther quem conseguiu implementar o plano e quem teve a visão e percepção de saber como aquilo tinha de ser feito. E foi ela quem insistiu para que a história de Purim fosse escrita e lida, ano após ano, pois ela sabia que sua relevância ao povo judeu seria sempre pertinente. É por isso que a Meguilá, o "Rolo de Esther", que tornou-se parte da Torá e que lemos durante o feriado de Purim, recebeu o seu nome.

Esther foi feita rainha contra sua vontade. Ela foi escolhida por sua excepcional beleza e mesmo assim, foi aquilo que o rei não viu que o atraiu a ela. A ex-rainha, Vashti, foi uma mulher que chamava a atenção para si exibindo seu corpo despido nas festas reais. Embora seu corpo fosse atraente, esta era sua única qualidade positiva. Quando ela foi incapaz de exibir sua beleza devido a um horrível eczema e bolhas na pele, ela nada teve a mostrar por si mesma, e em sua recusa a pavonear-se, não apenas perdeu sua posição como rainha, mas também sua vida.

Embora Esther supostamente tenha sido escolhida como rainha por causa da sua beleza exterior, os comentaristas escrevem que foi milagroso ela ser considerada atraente, pois sua aparência física na verdade era bem pouco lisonjeira. O Talmud nos diz que Esther possuía uma pele esverdeada, mas tinha um "quê gracioso" em si (Talmud, Meguilá, 13a). Aprendemos que quando alguém é elevado e belo interiormente, isso transparece ao seu exterior, e pode ser visto como beleza. Este é um dos principais temas em todo o texto de Eshet Chayil, "Uma Mulher de Valor" de Provérbios (Mishlê), que nos ensina: " O encanto é enganoso e a beleza é vã; mas uma mulher que teme a D'us – ela deve ser louvada."

"A verdadeira honra da princesa está no seu íntimo." A palavra para "íntimo", penimá, é a mesma para penimiut, o interior, a maquiagem espiritual da pessoa. Sua beleza era oculta sendo revelada no momento apropriado que salvaria todo o povo judeu. Vemos até que Esther chegou a extremos para ocultar-se fisicamente, pois não queria que o rei ficasse atraído por ela. E se não tivesse tido um motivo sagrado e necessidade de estar no palácio, então mais provavelmente ela teria sido vista apenas exteriormente, e neste caso ela jamais teria sido escolhida. Porém como ela definitivamente tinha um trabalho a fazer, para o qual D'us a escolhera como o conduíte para cumprir esta missão, seu interior foi visto; e neste caso, nenhuma outra mulher poderia ter competido com ela.

Assim, desde o início do envolvimento de Esther com o rei, fica claro que ele foi atraído à profundidade que havia nela, e foi através disso que ela conseguiu manobrar e fazer o que tinha de ser feito para salvar seu povo. Enquanto Esther está no reino, porém, ela não tem permissão de revelar a ninguém que é judia. Sob a Lei Judaica, se uma vida está em perigo, há brechas que permitem quebrar a Lei. Porém Esther assegurou-se de manter não apenas o espírito da lei naquelas circunstâncias, como também a letra da lei. Ela conseguiu criar um cronograma para ter sempre criadas diferentes no Shabat, para que nenhuma soubesse que durante este período ela estava fazendo algo diferente. Através do seu desejo de manter seu Judaísmo, ela descobriu uma maneira de fazer o que precisava. Nisso ela cumpre lindamente o princípio da Torá, de que "nada pode se colocar no caminho da vontade." (Zohar II, 162b).

Foi assim também que Esther pôde abordar o rei diretamente, embora ele não a tivesse chamado. Ela sabia que estava assumindo um risco, sabia que ele poderia mandar matá-la pela desobediência, mas ela sabia que era necessário, e que D'us a protegeria. Porém, embora Esther precisasse agir por si mesma, ela nunca sentiu que era a estrela do espetáculo. Sabia que tinha recebido uma missão e fora escolhida como um receptáculo, mas que era algo no qual não podia prescindir da ajuda de outras pessoas. Não somente ela procurou Mordechai para pedir conselhos e orientação, mas antes de abordar o rei, ela pediu a todo o povo judeu que jejuasse e rezasse pelo seu sucesso.

Como rainha, ela entendia a regra de que governar não é controlar os outros, mas representá-los. Ela somente poderia aceitar um risco de morte se estivesse agindo pela vontade e desejo de todo o povo judeu. Se ela fosse meramente agir sozinha, por seus próprios motivos e desejos, pensando que não precisava da ajuda de outros, é duvidoso se teria sido bem-sucedida.

E assim, quando ela entrou nos aposentos do rei, foi recebida, e não somente recebida, mas conseguiu pedir tudo que desejava, até a metade do reino dele.

O nome Esther em si é uma indicação de como ela levou sua vida e desempenhou seu papel. O radical de Esther em hebraico é hester, que significa "oculto". Muitas vezes pensamos que quando alguém está escondendo alguma coisa, é por constrangimento ou desconforto. O conceito atual é "se você tem algo, exiba-o".

Mostre ao mundo aquilo que tem para oferecer, esteja lá, torne-se público, quanto mais melhor. Não é tão excitante ser a heroína por trás das cenas. Porém os motivos da pessoa devem ser cuidadosamente examinados.

Se o desejo é mostrar a todos aquilo que você tem para oferecer, o que é capaz de fazer, então sim, é melhor que seja em público. Porém se o desejo da pessoa é utilizar a própria capacidade para um propósito mais elevado, para atingir um bem maior, não somente pelo próprio ego, então a melhor maneira de fazer isso é começar em particular, de maneira oculta, para que o objetivo possa ser atingido.

Ironicamente, Vashti representa de muitas maneiras o nosso modo de ver a mulher moderna. Ela é confiante, atraente, expansiva, corajosa e ousada. Não vê problemas em mostrar seu corpo despido numa sala repleta de pessoas, provocá-las e diverti-las. No entanto, sua meta é puramente auto-orientada. Ela se importa apenas com o próprio ego. É por isso que assim que o seu corpo não tem mais boa aparência, não é mais atraente para ser exposto em público, somente então ela o oculta.

Esther permanece escondida o tempo todo, mas com o propósito de poder ser vista. E quando ela é capaz de ser revelada, não é vista como um mero corpo para que outros usem e abusem, mas como heroína, alguém que representa o que é sagrado e como alguém que pensa não somente em si mesma, mas em seu povo. Como o Talmud nos ensina: "Uma bênção paira apenas sobre algo que está oculto ao olho" (Taanit 5b).

Embora possa ser empolgante estar nos jornais e revistas exibindo aquilo que você conseguiu, as maiores realizações são mantidas em segredo. As inovações e criações, sejam na Medicina, tecnologia, Ciência ou as militares, são "Altamente Secretas", "Estritamente Confidenciais" e mantidas sob o mais rigoroso sigilo.

Embora Vashti possa ter estado na capa de todas as revistas, foi Esther que estava por trás dos bastidores sendo a mulher que estava realmente mudando o mundo. Esther exemplificou a declaração: “Kol k'vudá bat melech penimá, "A verdadeira honra da princesa está no seu íntimo." A palavra para "íntimo", penimá, é a mesma para penimiut, o interior, a maquiagem espiritual da pessoa. Esta é Esther. Através do entendimento do verdadeiro significado de estar escondida, ela revelou uma mensagem ao povo judeu que permanecerá para sempre.

POR SARA ESTHER CRISPE

Povo judeu e a nação de Amelec.

Examinando o primeiro confronto entre o povo judeu e a nação de Amalec (Shemot 17:8-16) sobre o qual lemos em Shabat Zachor nesta semana que antecede Purim, duas perguntas básicas nos vêm à mente. Primeira, por que Amalec atacou os Filhos de Israel sem provocação? O versículo simplesmente relata que Amalec atacou os Filhos de Israel num local chamado Refidim, mas o que motivou este ataque? Segundo, por que eles mereceram esta súbita punição?

A primeira pergunta é respondida pelo Midrash, que compara o povo judeu a uma banheira de água fervente. Assim como ninguém ousa pular num recipiente de água fervente por medo de ser escaldado até a morte, assim também os judeus eram aparentemente invencíveis após seu milagroso êxodo, quando então as nações do mundo reagiam a eles com temor e respeito.

Ninguém ousava atacar o povo que tinha D’us a seu lado – exceto Amalec. Certa vez ele atacou, e embora tenha perdido, deram um jeito de esfriar a água para que outras nações também pulassem dentro sem medo de ser queimadas.

O que deu a Amalec a força para nos atacar? Rabi Yitschac Hutner desenvolve a resposta à primeira questão de outro Midrash, que compara Amalec a uma pessoa que zomba e ridiculariza tudo na vida. Uma personalidade assim procura toda oportunidade de minar e diminuir o que é importante e valioso na sociedade.

As Dez Pragas, a Abertura do Mar Vermelho, a destruição do Egito, o maná caindo do céu – todos estes eventos que haviam criado um senso de reverência e trepidação nas outras nações em relação aos judeus, fazendo a água da banheira mais e mais quente, apenas aumentou o desejo de Amalec de ser o primeiro povo a pular dentro. Para Amalec esta banheira fervente de grandeza, espiritualidade e nobreza tinha de ser esfriada, independentemente das conseqüências.

Voltemos agora a nossa segunda questão. Por que os judeus mereceram ser atacados por Amalec?

A chave para entender esta falha específica é o nome da localidade onde Amalec atacou-nos – Refidim. Embora num nível simples este nome seja meramente uma localização geográfica, o Midrash nos diz que é um acrônimo para "rafu y'dayhem min haTorah – as mãos do povo judeu foram fracas no seu apoio à Torá."

O que significa esta expressão? O termo costumeiro para a falta de estudo de Torá é bitul Torah, negligenciar o estudo de Torá. Qual é então a idéia por trás de dizer que suas mãos eram fracas no seu apoio à Torá?

Rabi Yitschac Hutner explica que esta expressão refere-se a uma fraqueza em reconhecer e apreciar a importância e relevância da Torá em nossa vida. Quando deixamos de perceber como a Torá é vital para nossa própria existência e para a existência do mundo inteiro, estamos convidando Amalec a entrar em nosso meio.

Não apenas devemos estar preocupados com o quanto de Torá aprendemos, mas também com quanto valor e importância atribuímos à Torá que estudamos.

Percebemos que a Torá é sabedoria Divina? Percebemos que a Torá sustenta o mundo inteiro? Percebemos que a suprema perfeição do mundo apenas pode chegar através da Torá?

Que D’us nos ajude a aumentar nosso tempo de estudo de Torá e a avaliar sua verdadeira e ilimitada grandeza.
Tzom Kal.

terça-feira, 7 de março de 2017

Purim

Quando Mashiach - (Messias) chegar todas as festas judaicas serão  canceladas. A única festa que nunca vai cessar de existir é Purim. Purim não é "carnaval judaico". É um dia muito sagrado e importante. Poder da reza neste dia é comparado com o de Yom Kipur. Nossa obrigação neste dia é de sermos alegres e bem-humorados, mandarmos presentes um ao outro, fazermos uma refeição festiva e escutarmos Meguilat Ester.
Um dos costumes muito antigos neste dia é de comer "oznei haman" ou "homentashn" em Iídiche. Qual é significado deste costume?
Uma teoria plausível para a etimologia do hamentaschen, é que eles sempre foram classicamente preenchidos com sementes de papoula ao mel, mohn em iídiche. E uma vez que tasch é um bolso em iídiche, os homentaschen podem ter sido originalmente conhecidos como mohntaschen. (Sefer Matamim, Purim 2).
Por que esses "bolsos de papoula" costumavam ser consumidos em Purim? Foi em cumprimento de um costume comer sementes em Purim. Como o Livro de Daniel (Cl 1) registra, quando Daniel, Hanânia, Misael e Azaria foram forçados a servir na corte de Nabucodonozor, Daniel pediu que lhes fossem dadas sementes e água, para que não tivessem de se contaminar com comida não-kosher. Seu pedido foi relutantemente concedido, e eles prosperaram em sua dieta limitada (mas bastante saudável). O Talmud também registra que Ester comia sementes, a fim de manter kosher no palácio de Achashverosh. (Megillah 13a). Em comemoração disso, nasceu o costume de comer sementes em Purim (Rema O.C. 695: 2)
(Com base nisso, hamentaschen devem realmente serem preenchidos com sementes - como sempre eram tradicionalmente feitos. As receitas muito mais populares e exóticas de hoje - são recheios de geléias, chocolate, manteiga de amendoim, halva, caramelo, etc - foram inovações mais tardias.
Como costumes judaicos são sempre tão repletos de significado (bem como de geléia), outras alusões fascinantes foram escondidos em hamentaschen. Homentaschen nos trazem uma dica sobre a mão da providencia Divina que estava presente ocultamente dentro dos eventos. Em vez de realizar milagres abertos, Deus guiou silenciosamente o curso dos eventos para trazer nossa salvação.
Uma sugestão igualmente fascinante é que Mordechai tentou despertar os judeus do império de Ahasuerus , para o arrependimento, enviando cartas avisando-os sobre os terríveis acontecimentos. Mas ao invés de enviar as cartas abertamente e chamar muita atenção para seus esforços, ele enviou-os secretamente, escondidos dentro de doces! (Ambas as explicações aparecem no trabalho Menucha u'Kedusha (2:20).)
Uma visão adicional é oferecida com base no fato de que Purim é um feriado menor. Ao contrário dos feriados principais - Pessach, Sucot, Shavuot, Rosh Hashana, Yom Kipur, nós não somos restritos de executar o trabalho em Purim. Nós comemos assim uma pastelaria com um recheio escondido dentro dele, significando que embora no Purim exterior seja um dia regular, contem os "tesouros" - da santidade e das festas dentro. Este é semelhante ao costume de comer kreplach (bolinhos de massa recheada de carne) em dois outros feriados menores - a véspera de Yom Kippur e Hoshana Rabba (e alguns comem os em Purim também). (Baseado em Ta'amei HaMinhagim 895.)
Finalmente, os três cantos do hamentaschen podem aludir à luta de três vias entre Assuero, Hamã e Ester ou os três Patriarcas em cujo mérito fomos salvos (Otzar Dinnim u'Minhagim, baseado em Midrash, Sefer Matamim Purim 2).

PURIM SAMEACH!!

Texto de Rabino  Reuven Segal

Oznei Haman.

Para a massa

1 pote de iogurte natural
1 e 1/2 colher de essencia de baunilha
3 xícaras de farinha
200 g de manteiga gelada em cubos
1 gema de ovo
4 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
2 colheres de chá de fermento em pó

Recheio de Papoula

1 copo de leite
1/2 xícara de açúcar
cascas de 1/2 laranja
1 copo de semente de papoula
1/3 copo de nozes torradas e picadas grosseiramente
1/2 colher de chá de cointreau (opcional)
1 colher de chá de manteiga
1/2 colher de chá de essência de baunilha
½ colher de chá de canela

Acabamento
1 ovo batido

No mixer ou a mão coloque todos os ingredientes e misture até formar uma massa homogenea.
Cubra a massa com filme plástico e deixe descansar meia hora na geladeira.

Enquanto isso, prepare o recheio: coloque as raspas de laranja , açúcar e leite em uma panela em fogo médio. Moa as sementes de papoula no moedor de café, amaçe-as com um pilão. Quando o leite estiver quente, reduza o fogo bem baixo e adicione as sementes de papoula . Cozinhe até que as sementes absorver o leite ea mistura se torna espessa , cerca de 15 minutos.
Adicione o cointreau e a manteiga. Misture e cozinhe por mais 2 minutos. Junte o extrato de baunilha , canela, retire do fogo e deixe esfriar

Preaqueça o forno a 180 graus.
Abra a massa, use um cortador de biscoitos ou um copo e corte círculos
Coloque uma colher de chá de recheio no centro de cada um e feche os lados para formar triângulos. Pincele com ovo batido. Asse até a massa dourar, cerca de 20 mintutos.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Bom para refletirmos um pouco.

Já disse isso antes, que é preciso apenas uma pequena vela para trazer Luz a um quarto escuro.
Nós temos o poder de ser aquela pequena luz toda vez que escolhemos fazer a diferença na vida de uma pessoa.
Sermos essa vela não exige muito de nós – é a maneira como sorrimos, a maneira como dedicamos uns minutos para ajudar, a maneira como dizemos “obrigado”.
Nossa gentileza e nosso cuidado com os demais podem fazer uma diferença enorme.
Em um mundo que é, a qualquer momento, frio, escuro e doloroso para muitas pessoas, precisamos nos lembrar que aquela única vela pode trazer calor e Luz.
Como diz o antigo dito: ”Nenhum ato de gentileza, por menor que seja, jamais é desperdiçado.”
Por: Karen Berg

Reflexão

Que coleção de cicatrizes você tem? Nunca se esqueça de quem lhe deu as melhores. E seja grato. Nossas cicatrizes têm o poder de nos fazer lembrar que o passado foi real.
Hannibal Lecter

domingo, 5 de março de 2017

A morte de um inocente.

Então disse Davi a Natã:
Pequei contra Adonai.

E disse Natã a Davi:
Também o Adonai perdoou o teu pecado; não morrerás.
Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos de Adonai blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá.

Então Natã foi para sua casa; e  Adonai feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente.
2 Samuel 12:13-15

Para um inculto, parece que Elohim usa o menino como expiação pelo pecado de David, ou morte de vingança do Criador.

Observe o motivo pelo qual o Criador não permitiu que o filho de David nascesse.

David pagou um preço altíssimos por sua atitude de adultério. Somente quem perdeu um filho sabe a dor que é esta perda.

Mas o filho de David que estava no ventre da mãe não viu a morte.
Ele foi recolhido pelo Eterno.
Não viu pecado, o que é um prêmio  para o ser humano.
Logo, não recebeu punição.
A morte não é uma punição nunca, apenas o momento em que somos levados ao julgamento de nossas atitudes em vida.

Como um feto que não pode ainda ter contato com este mundo, ele nem é julgado.

Ao observarmos a as escrituras sagradas, não podemos ver apenas um lado da história, precisamos ver o todo.
O filho de David com batsheva, foi gerado de um adultério enquanto o marido dela estava vivo.
Elohim poderia ter permitido que este filho continuasse vivo para punir a atitude pecadora de David.

Se ele permitisse isto, o reino de David e a sua descendência seriam dizimados da terra, e a promessa de um reino de justiça segundo o Criador já não mais jamais existiria.

Note que a decisão de não permitir que isto acontecesse foi após o arrependimento de David e não antes.

Outro fator importante é preservar a escolha de Adonai por David, através de shemuel. Os povos todos iriam escarnecer e rir do Eterno por fazer uma escolha equivocada.
Mas Elohim não se equivocou ao escolher David, a prova disto é o seu humilde arrependimento de pecado.

Termino com um dos textos mais lindos das escrituras sagradas:

"Preciosa é à vista de Elohim a morte dos seus santos"
Salmo116:15

 Moshe Nicolaevsky

sexta-feira, 3 de março de 2017

O Poder da sua Reza.

Para Refletir.

 De acordo com a sabedoria milenar do Judaísmo, todo judeu possui uma fé genuína em D"us.
 Ela permanece "adormecida" dentro da pessoa.O potencial é gigantesco mas subaproveitado.
Para desenvolver a fé é preciso rezar!

E o que significa rezar? Falar com D"us.Conversar com Ele sobre suas preocupações, necessidades, agradecimentos, pedidos, medos...Nossos sábios afirmaram que enquanto não exercitarmos isso, nossa fé não será completa.

E para que precisamos da Fé?

Para suportarmos os desafios da vida, sejam eles oriundos do trabalho, da família ou do estado físico-emocional. Nossos avós e antepassados tinham uma fé infinitamente superior e enfrentaram obstáculos árduos. Eles falaram  e desabafaram e nem perceberam que o faziam diante de Hashem. Muitos deles sabiam, outros não, que nesses momentos eles estavam rezando...


No relato da guerra contra Amalek, Moshé elevou suas mãos e o Povo de Israel vencia.( Shemot cap 17). Essa expressão das mãos elevadas significa rezar. De acordo com o Judaísmo, a reza pode mudar algo determinado pela natureza.

O Talmud afirma que o profeta Elisha fazia milagres por sua força nas rezas ( tratado Meguila 27).

Pude ensinar num semestre em nossa sinagoga um pouco da sabedoria do Rebe de Breslew . E com ele aprendemos que a fala é a ponte entre a força de vontade e a atitude.
 É bom falar em voz alta para você mesmo qual é o seu plano! E logo após,rezar e rezar!
Uma boa Tefilá tem o poder de levantar o seu espírito.

Moshé recebeu o decreto Divino de não entrar em Israel! O que ele fez? Rezou e rezou...foram 515 vezes até que, nesse momento, D" us pediu para ele interromper com esse pedido. Por que? Pois se ele rezasse 516 vezes conseguiria o seu objetivo.

Temos a pretensão de sermos atendidos imediatamente. Porém, de acordo com o pedido, não sabemos quanto de "reza"é necessário para sermos atendido.Vejam o caso de Moshé. É por isso que aquele que reza precisa ter muita fé .

Eis a razão para as rezas diárias na sinagoga.

Por: Rabino Samy Pinto

quinta-feira, 2 de março de 2017

Torá em Chinês

Por Lazer Gurkow

Trinta e sete dias antes de seu falecimento, Moshê começou a ensinar a Torá. Você poderia pensar que Moshê usaria suas semanas restantes para ensinar mistérios não revelados, mas ele não o fez. Em vez disso, ele traduziu a Torá em setenta idiomas.1

Tudo isso para um povo que nem sequer falava aquelas línguas. Você já frequentou uma palestra numa língua que não entende? Eu fui, e devo dizer que aquilo não me deixou inspirado. Por que Moshê ensinou a Torá em idiomas que seus alunos não entendiam?

Essa pergunta na verdade deveria ser feita a D'us. O Talmud ensina que D'us pronunciou os Dez Mandamentos em todas as setenta línguas, embora somente a versão em hebraico fosse ouvida.2 De que adiantou falar em idiomas que ninguém entendia, muito menos ouvia?

Essas perguntas são pertinentes quando consideramos que a Torá Escrita inclui muitas palavras em aramaico, grego, kapti e afriki3 – idiomas provavelmente desconhecidos para os judeus daquela época!

Talmud em Aramaico

Alguém poderia dizer que traduzir a Torá e os Dez Mandamentos em idiomas seculares pavimentaram o caminho para a religião judaica na diáspora. Mesmo que alguém argumente que a Torá deveria ser estudada e praticada somente em Israel, essas palavras estrangeiras iriam atestar que a Torá não é propriedade exclusiva de países com idioma hebraico. Mas isso não explicaria por que o Talmud foi escrito em aramaico. Pode-se argumentar que o aramaico era o idioma judaico daquela época, e nossos sábios escreveram o Talmud num idioma entendido pela maioria dos judeus daquele tempo. Mesmo assim, o fato de escrever no vernáculo supera o valor de documentar a Torá de D'us no idioma de D'us?

Origens Linguísticas

Os setenta idiomas foram formados na Torre de Babel bíblica. No ano 1996 da Criação (1765 AEC), os descendentes de Nôach se reuniram para construir uma torre da qual eles planejavam empreender guerra contra D'us. O grupo era perfeitamente unido em sua heresia, portanto D'us os dividiu.

D'us fez com que cada tribo tivesse sua própria linguagem. O grupo, agora dividido em linhas idiomáticas, não pôde mais cooperar no esforço conjunto. Incapazes de entender uns aos outros, as instruções e pedidos recebiam olhares vazios ou respostas incorretas. Logo se tornaram frustrados, e se dispersaram.4

É Apropriado?

A Torá toma nota do fato de que a Torre de Babel foi construída não de pedra, mas de tijolos.5 Por que isso é importante? Os mestres chassídicos explicam que tijolos são feitos pelo homem, mas as pedras são criadas por D'us. Esta é exatamente a diferença entre o hebraico e os outros idiomas. O hebraico é um idioma divino, suas letras foram formadas por D'us. Os idiomas seculares são produto da convenção humana.6 Isso reforça nossa pergunta original: D'us deveria ser adorado num idioma de convenção humana?

Além disso, essa história indica que linguagens seculares foram misturadas na herege Torre de Babel. Uma linguagem espalhada em heresia deveria ser usada num culto eclesiástico?

Tudo Deve Servir

Nossos sábios ensinaram que todo ser criado deve servir para aumentar a glória de D'us.7 Se isso é verdadeiro sobre objetos físicos, então certamente deve se aplicar também aos idiomas, até mesmo aqueles da convenção humana.

Além disso, letras e palavras são recipientes que contêm ideias, sentimentos e conhecimento. Como todo conhecimento vem de D'us, deve haver uma centelha de divindade em toda letra, independentemente do idioma. Se os idiomas seculares não são usados em culto eclesiástico, as centelhas divinas neles embebidas ficariam para sempre presas em seu molde secular.

Quando D'us pronunciou os Dez Mandamentos em todas as setenta linguagens, Ele ligou o vão entre as letras comuns e as letras da fé, e assim elevou o idioma secular para uso no serviço divino. De maneira similar, a tradução da Torá por Moshê em todas as setenta linguagens nos permitiu levar o secular e mundano para a santidade da Torá.8

Removendo a Barreira

Por que Moshê esperou quarenta anos antes de traduzir a Torá? Por que as traduções de D'us para os Dez Mandamentos não foram ouvidas pelas nações? Por causa de Sichon e Og, monarcas dos reinos Emorita e Bashanita.

As nações vizinhas pagaram esses poderosos e influentes reinos para defender suas fronteiras contra a abordagem judaica. Os místicos veem nesses reinos não apenas uma barreira física contra os judeus, mas também uma barreira espiritual contra a Torá. Sichon e Og resistiram à influência da Torá sobre as setenta nações e o uso da Torá nos setenta idiomas.

Quando esses poderosos reinos foram finalmente dominados,9 Moshê teve permissão de traduzir a Torá. A destruição deles marcou o fim de sua resistência. O caminho agora estava aberto para que o secular fosse santificado e o mundo fosse elevado. Os setenta idiomas podiam agora ser atraídos para o sagrado âmbito da Torá.10

É por isso que nossos sábios escreveram livros sobre Torá em idiomas seculares em vez de no idioma sagrado. O Talmud foi escrito em aramaico. Maimônides escreveu livros em árabe. Rashi com frequência traduzia palavras hebraicas para o francês. Essa tradição continua hoje, quando traduzimos e estudamos a Torá em inglês.

Toda vez que a Torá é ensinada num idioma secular, as letras e frases daquele idioma são atraídas para o âmbito do sagrado, e suas centelhas são redimidas. Isso gradualmente purifica nosso mundo e nos leva inexoravelmente mais perto do tempo da total revelação, a Era Messiânica.

NOTAS
1. Rashi sobre Devarim 1:5; ver Midrash Tanchuma, Devarim 2. Havia setenta nações nos dias bíblicos, daí as setenta linguagens.
2. Talmud, Shabat 88b.
3. Cf. Bereshit 31:47 e Shemot 13:16.
4. Bereshit 11:1-9.
5. Ibid. Versículo 3.
6. Veja Likutei Sichot, vol. 6, págs. 13-25.
7. Ética dos Pais 6:11.
8. Veja Shem Mishmuel (por Rabi Shmuel Bornsztain, Rebe de Sochatchov, 1855-1927) sobre Devarim 1:5, e Torá Ohr (por Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador do Chassidismo Chabad, 1745-1812), Shemot 87 b.
9. Bamidbar 21:21-35.
10. Veja Shem Mishmuel, ibid., e Sefat Emet (por Rabi Yehudah Aryeh Leib Alter de Ger, 1847-1905).
POR LAZER GURKOW

Rabino Lazer Gurkow é líder espiritual da congregação Beth Tefilah em London, Ontário. Tem feito muitas palestras sobre uma variedade de tópicos judaicos, e seus artigos são publicados na imprensa e online

Fonte: Chabad